quarta-feira, maio 24, 2006

Prémio Camões

Para quem não sabe, existe em Portugal um prémio literário denominado "Prémio Camões", considerado o mais relevante galardão da língua portuguesa. Foi atribuído pela primeira vez há 18 anos e este ano foi também já atribuído. O feliz contemplado: Luandino Vieira, um escritor africano. Muito sinceramente não conheço a obra mas não duvido da sua qualidade. Até aqui tudo muito bem, não fora o caso do referido senhor ter "recusado" o prémio atribuído pelo Ministério da Cultura, de acordo com o juízo de um júri composto por nomes como Agustina Bessa Luis e Paula Morão, entre outros. Justificação da rejeição do prémio: "razões pessoais, íntimas". Quaisquer que sejam as razões pessoais e íntimas do senhor, não estou propriamente a imaginar um motivo que o leve a recusar um prémio deste carácter, que por acaso inclui a atribuição de um valor de 100 mil euros. Aliás, queria desde já colocar um "porquê" relativamente à atribuição deste valor como prémio, uma vez que (tal como se pode observar pela presente situação) os autores premiados não são propriamente "necessitados", no âmbito de um estado que praticamente "saqueia" diariamente a bolsa dos contribuintes. Outra questão decorrente da primeira: para onde irá reverter o valor do prémio recusado? Mas isto são "outros quinhentos"... Relativamente à recusa do prémio, julgo que a atitude pode, no mínimo, e com as justificações apresentadas, ser considerada como um insulto. Mas tudo para que o senhor se sinta bem na sua "intimidade". Parabéns, Luandino!

6 comentários:

Sofia disse...

Acho que foi a forma que o senhor encontrou para ficar conhecido!
Ele até pode ser bom escritor, mas ainda ninguém o conhece!
Assim, ficou sem 100 mil euros, mas toda a gente comenta, e, com um bocado de sorte, ainda desatam a comprar os livros dele só para ver se ele merecia mesmo o prémio!
Uma espécie de investimento em publicidade. Técnicas de marketing!
Será? :)

Anónimo disse...

Luandino Vieira é um dos grandes nomes da escrita em língua portuguesa de expressão africana. Admito que as suas razões possam ter a ver com questões políticas de apoio (ou falta dele)à língua que deixámos nas ex-colónias e onde outros expressões linguísticas (países, nomeadamente a França, que até, ao que parece, oferece livros escolares para as criancinhas) têm sabido vender/oferecer o seu produto com melhores incentivos; é claro que quem dá espera receber, certo !? Lamentavelmente, nós, nem isso sabemos fazer...

Marco disse...

"O destino a dar aos cem mil euros do Prémio Camões, que foi recusado por Luandino Vieira, vai ser analisado pelos ministérios da Cultura de Portugal e do Brasil, que o patrocinam em partes iguais."

IN Público 24-05-2006

Se for preciso ajuda para "estoirar o carcanhol" eu estou aqui...

LFM disse...

Eu cá acho que não foi ele que escreveu os livros e recusou o prémio por ter a consciência pesada!

A palavra intimidade é traiçoeira. A partir do momento em que se usa, deixa de o ser (intimo).

Gostei da hipótese da Sofia.

Dani disse...

Epa, será que eles precisam de ajuda para estourar a guita? Vá lá Marquito, tu que levantaste o assunto, se sabes de algo... vê lá se avisas os amigos!

Marco disse...

Nada feito, Dani... Segundo a ministra da cultura, o "carcanhol" vai ficar para o gabinete de relações internacionais...