quinta-feira, junho 07, 2018

A Minha Primeira Experiência em Offroad!

Depois de uma tentativa falhada aqui há uns meses atrás, no sentido de ter uma primeira experiência com motas de enduro/offroad, consegui finalmente encontrar uma alternativa adequada. Não existe grande oferta em Portugal (na realidade acho que existem apenas duas escolas), pelo que era a minha última oportunidade. Por isso foi com entusiasmo que recebi a confirmação de uma data na qual poderia levar a cabo essa mesma experiência, mesmo implicando ter de me levantar bem cedinho para fazer 150 kms até Santiago do Cacém.

Chegado à Quinta de São João, em Escatelares, fiquei logo entusiasmado e tive a certeza que iria passar um dia bem passado. A quinta é magnífica, e as casas antigas brasonadas espalhadas pelo meio da natureza acolhem-nos de imediato como que dando as boas vindas. Como era cedo, parei à porta do Offroad Camp da Yamaha (ORCY) e pude observar toda aquela envolvente, enquanto aguardava a abertura das portas.


Mesmo em frente à escola fica a pista onde passaria grande parte do dia, a aprender, treinar novas técnicas e a evoluir neste estilo de condução, sempre a curtir imenso!


Passados poucos minutos fui recebido com um sorriso acolhedor, pelo Pedro Barradas, antigo piloto e responsável pelo Offroad Camp. Curiosamente, sobrinho do Nuno Barradas da escola de condução da Honda, onde fiz o curso de condução defensiva há uns anos. De imediato fez-me uma visita guiada pela escola, mostrando a área onde guarda e faz manutenção às motas, passando por alguns alojamentos que utiliza para os curso de duração mais prolongada e estágios de verão.


Tudo tem um aspeto rigorosamente impecável. Desde as motas e estado em que se encontram, até às instalações (apesar de ainda estar em obras de expansão que vão ajudar a criar um lugar ainda mais espetacular para a prática da modalidade).

Chegaram os restantes (2) companheiros, já que outros (2) desistiram, e o pequeno mas coeso grupo ficou formado. Pessoal cinco estrelas, sendo que o mais "crescido" tinha uma postura calma e estava ali claramente para aprender, já tendo participado em cursos anteriores mas não tendo qualquer outra experiência de mota. O mais jovem (14 aninhos apenas) já era "batido" em offroad, e ajudaria a tornar o meu dia mais "interessante" (e eu o dele). Rapidamente nos equipámos e dirigimos à pista para começar o treino.


Depois de umas horas a aprender e a curtir, a barriga já começava a dar horas. Como tal dirigimo-nos de novo à escola onde estacionámos as motas e descontraímos um bocado antes de almoçar.


É fácil descontrair por ali... a vida no campo assim o permite. Até os cães são relaxados!


A namorada do Pedro (infelizmente não me recordo do nome, mas também corre de mota, tendo sido vice-campeã nacional em 2017!) já tinha a mesa posta para o nosso almoço. Esperava-nos uma tábua de queijos e pão alentejano entre outros, como entrada para uma travessa de lasanha deliciosa.


Terminámos o reabastecimento energético com uma cheesecake igualmente saborosa, e depois do café rapidamente nos levantámos cheios de vontade de pegar nas motas de novo!


Após o almoço fizemos o primeiro passeio do dia, pela quinta e zona circundante, onde tivemos o nosso primeiro contacto com alguns obstáculos e pisos interessantes que nos animaram para o resto da tarde. Regressados à pista, começamos a aplicar as técnicas aprendidas durante o período da manhã, a fazer melhorias de tempos e a começar algumas "picardias" saudáveis. O jovem do grupo era claramente o melhor e com mais experiência, mas ainda assim consegui ter alguns momentos divertidos com ele, que ajudaram a tornar tudo mais interessante. Algumas "quase quedas" eminentes mas felizmente fui o único a não sentir o chão durante o dia (o que não é habitual neste tipo de desporto...).


No final da tarde, novo passeio desta vez mais alargado, com muita emoção graças a valas, zonas de areia, subidas e descidas que mais pareciam paredes, zonas em que praticamente ficávamos submersos no mato, pedra, terra solta, terra barrenta e até alguns ribeiros... é sem dúvida um local fenomenal para a prática da modalidade e para aprender imenso, com muita diversão à mistura.

Assim terminou o dia. Voltámos à escola para lanchar, e de seguida, mais uma empreitada de 150 kms para o regresso a casa. Foi um dia bem passado. Ainda que sendo uma brincadeira "cara", é sem dúvida algo que gostaria de repetir no futuro. Até porque uma alma lavada não tem preço!

quarta-feira, maio 09, 2018

Rota Andaluz - Parte VI

Sexto e último dia na estrada. A noite foi recuperadora, e nem o ralenti do meu companheiro "tratorista" evitou que eu conseguisse dormir desta vez. Uma vez mais, fui o segundo a aparecer para o pequeno almoço, já que havia um companheiro de estrada sempre mais madrugador do que eu. Quando me juntei a ele já tinha orientada a tradicional "tostada de tomate" regada com azeite, o que me simplificou a escolha, optando pelo mesmo.


A malta lá se foi reunindo, já com aquele sentimento de que a festa estava a acabar. De tal forma, que tivemos dificuldade em "despegar" a conversa, arrastando o mais possível o adeus e a divisão em subgrupos para a viagem de regresso. Os destinos eram variados, desde Saragoça, Lisboa (o meu caso) ou Algarve. Lá nos despedimos, e já com as "burras" albardadas foi tempo de uma última mirada pelas janelas do hotel Los Dolmenes, em Antequera, antes de partir.


A viagem iria ser feita em grandes tiradas, preferencialmente de pelo menos 100 quilómetros cada, para não arrastar o regresso pelo dia todo. Assim, já foi bastante depois de nos fazermos à estrada que parámos a primeira vez, aproveitando para vestir o equipamento de chuva, que de repente se tornou necessário.


E já que estávamos numa estação de serviço, aproveitámos para reabastecer também de "pipas", "cacahuetes" e as inevitáveis gomas...


Seguimos para mais uma tirada de outros tantos quilómetros em modo "papa-léguas", e quando parámos novamente para abastecer, próximo de Zafra, a barriga já dava horas. Perguntei ao funcionário das bombas onde poderíamos almoçar por ali, tendo respondido que se estivessemos dispostos a fazer uns 15 quilómetros havia um restaurante de berma da estrada muito bom, onde habitualmente paravam os camionistas. Seguimos o conselho e dirigimo-nos ao Gallego, em Llerena.


O almoço foi uma vez mais excelente, quer pela comida, quer pela companhia. Apesar dos "blues" do fim da viagem já se fazerem sentir, a boa disposição mantinha-se, e os quilómetros que nos faltavam fazer não nos assustavam.

A partir daqui a viagem não teve muito mais para contar. Cuidado máximo para não ser "fotografado" no dia de regresso (a Guardia Civil é uma presença constante, e as estradas estão pejadas de radares fixos, móveis e até helicópteros a fazer o controlo de velocidade). Paragem em Badajoz para um último abastecimento em terras de "nuestros hermanos", a um preço convidativo, e uma última tirada até casa, com breve paragem para a despedida na área de serviço de Montemor. Como neste último dia já fizemos bastantes quilómetros em autoestrada, ao contrário do que tinha acontecido nos dias anteriores, constatei o habitual genocídio de mosquitos no meu capacete e na mota, quando cheguei...


Seguir-se-ia o regresso à normalidade, felizmente com um dia de descanso pelo meio que soube muito bem, antes de voltar ao trabalho, caso contrário a depressão teria sido ainda maior. Este tipo de viagem é sem dúvida algo que me lava a alma, porque me permite conjugar vários elementos que aprecio. A viagem por si só, já que é aquilo que considero mais enriquece o ser humano, a beleza singular de locais e paisagens, a camaradagem e amizade, a boa disposição e despreocupação. Andar de mota é algo que me faz realmente bem, porque consigo por vezes não pensar em mais nada. O nosso raciocínio muda, simplifica-se, torna-se básico... passando a focar-se em coisas elementares como a trajetória de uma curva, a emoção de uma aceleração ou a paisagem que se descobre à nossa frente. Espero poder continuar a viver estes momentos por muitos e longos anos, porque se algum dia, por algum motivo, tiver de deixar de o fazer, sinto que ficarei muito mais pobre.

Para já, trago ainda comigo o gostinho desta viagem, e poder revivê-la ao escrever estas linhas, é também para mim muito compensador. Venha a próxima (que já agora, serei eu a organizar...).

Rota Andaluz (Parte V)

Quinto dia de viagem, e era tempo de nos despedirmos dos nossos alojamentos de hospitalidade portuguesa nos arredores de Ronda. Com o problema da água quente resolvido de vez, e com o "abraço português" na oferta do pequeno almoço nos dois dias de pernoita, saímos dali satisfeitos com a nossa estadia, com o charme do local, e até com o cheirinho a "offroad" que tínhamos de fazer sempre que nos deslocávamos até lá.


Já com o pequeno almoço tomado, era tempo de dar de beber às "burras", já que algumas estavam literalmente nos vapores. A fome era tanta, que algumas até "vomitaram" durante o abastecimento...


Prontos a seguir, começámos a temer que o tempo se estragasse. Felizmente conseguimos fazer as estradas que tínhamos previsto até à nossa primeira paragem, literalmente passando nos intervalos da chuva. A povoação a visitar: Setenil de Las Bodegas.


Uma povoação lindíssima e sui generis por ter as suas casas inseridas em rocha calcária (de)formada pela erosão da água ao longo dos anos. O efeito é magnífico, como se pode constatar, fazendo parecer que as casas são escavadas na rocha, já para não falar no facto de a povoação ser percorrida por um rio serpenteante.


Enquanto abancávamos em mais uma esplanada, a brejeirice continuava a ser uma constante no humor que nos acompanhou sempre, pelo que alguns comentários surgiram quando nos deparámos com certos produtos hortícolas de proporções pouco habituais (que carinhosamente foram batizados de "tumarcos").


Saímos dali novamente nos intervalos da chuva, mas ainda assim fomos devidamente equipados, inclusive o nosso Deadpool que fez questão de utilizar a sua capa de super herói.


Percorremos paisagens lindíssimas à saída de Setenil, com algumas encostas verdejantes fustigadas pelo vento como se fossem ondas do mar, coisa que parece poética e de filme, mas que é literal e tenho pena não ter sido possível captar numa foto. Fica a foto mental... no meio desta beleza toda, perdemo-nos novamente (e como faz já parte da tradição) e acabámos por percorrer talvez o melhor troço de estrada de toda a viagem, onde aproveitámos para esticar as pernas às burras, o que nos deixou com um sorriso nos lábios e com fome no estômago. Era tempo de almoçar.


Depois de nos termos perdido, chegámos acidentalmente a Ardales, onde nos deparámos de imediato com o restaurante El Cruce. Entrámos e percebia-se que estaríamos próximo de um dos destinos do dia porque o restaurante tinha motivos decorativos alusivos ao Caminito del Rey. A refeição foi maioritariamente à base de carne grelhada, uma vez mais. E uma vez mais também, comemos bem.


O tempo continuava a dar-nos tréguas, pelo que seguimos caminho, para visitar o Embalse de Guadalhorce, mais um local fantástico, onde duas barragens (uma nova e outra antiga) se encontram e convergem no mesmo rio de uma forma singular.



Fomos até um miradouro onde podíamos observar as duas barragens e o rio,  e onde aproveitámos para mais uma fotos artísticas (incluindo árvores que davam frutos invulgares).


Mais umas estradinhas serpenteantes pela frente, e cada vez estávamos mais próximos do grande objetivo do dia: o Caminito del Rey. Uma visão imponente que surge após desfazermos uma curva, e que nos obrigou instantaneamente a parar e a observar com admiração aquela paisagem.


Um caminho pedestre cravado em plena rocha a uma altitude considerável, com águas de cor turquesa na base do desfiladeiro a compor aquele cenário natural. Sem dúvida mais uma visão lindíssima e que nos fez subir de altitude também, para melhor observar toda aquela paisagem.


Restava ainda mais um cenário natural para visitar neste dia, pelo que continuámos a rolar novamente por uma estrada que permitiu esticar as pernas das "burras", ainda que com algumas paragens descontraídas pelo meio.


O último ponto de paragem do dia seria em Torcal, já próximo de Antequera, onde ficaríamos nessa noite. Este local tem mais uma paisagem natural difícil de explicar. Aparentemente a rocha foi trabalhada pela erosão como se de uma obra de arte se tratasse, e o resultado é bem visível nas invulgares formações rochosas que ficam no topo daquela serra.



Também por ali há um miradouro onde tivemos oportunidade de ver mais uma paisagem deslumbrante, em que até o mar dá um ar da sua graça como pano de fundo.


Já na descida, impunha-se mais uma foto de grupo, pelo que colocámos as máquinas em modo de "equilíbrio dinâmico" (leia-se, apoiadas numas rochas e prontas a cair encosta abaixo ou a ser esborrachadas por uma pedra qualquer), e registámos mais um belo momento.


O sol ameaçava por-se, e resolvemos rumar ao último local de pernoita da nossa viagem. Ficaríamos em Antequera, no hotel Los Dolmenes. Não visitámos Antequera, mas por sorte o hotel tinha um bom restaurante onde confortavelmente jantámos, regando a comida com bom vinho espanhol que felizmente alguns elementos do grupo conheciam, aproveitando para fazer o debriefing do dia, e da viagem no seu todo. O sentimento que todos trazíamos no coração era o mesmo: gratidão. Gratidão por quem na sua carolice organizou o percurso e a parte mais logística da viagem, gratidão pelo comportamento de todos na estrada, por todos termos garantido que a viagem corria sem percalços e que se tal acontecesse nos apoiaríamos como sempre uns aos outros, gratidão pela companhia, camaradagem e amizade que ao longo dos anos e de alguns milhares de quilómetros juntos temos desenvolvido, em suma, gratidão por toda aquela experiência que estávamos a viver e que agora começava a chegar ao fim. Entretanto, e como temos por tradição "alinhavar" sempre a viagem do ano seguinte desde que começámos a organizar estes passeios anuais, lá pegámos no mapa para reunir algumas ideias que serão úteis para o organizador da viagem do ano que vem: eu.


Era tempo de ir dormir (e nesta última noite o cansaço físico já me permitiu ultrapassar o "desafio sonoro" proporcionado pelo meu companheiro "tratorista") e acordar na manhã seguinte revigorado, para um regresso a casa em modo papa-léguas, que ainda assim seria e foi parte integrante da viagem.

terça-feira, maio 08, 2018

Rota Andaluz (Parte IV)

O dia amanheceu bem cedo em Ronda, da minha parte ainda mais, com a terceira noite mal dormida. Levantei-me e contra o que seria expectável, tomei mais um banho de água fria. Tudo bem. Desci do meu quarto deixando o meu companheiro "tratorista" a ressonar mais um pouco, e senti-me bem ao sair e enfrentar a brisa fresca da manhã, enquanto "albardava a burra" para o dia que se seguiria.


Uma olhadela rápida à paisagem e, após reunir as tropas, lá se seguiu um pequeno almoço que o pessoal do alojamento fez questão de oferecer, descrevendo-o como "aquele abraço português". Foi aceite de bom grado, e rapidamente fez esquecer os problemas com a água quente (ou falta dela, no caso). Seguiu-se um briefing rápido antes de montarmos nas motas e seguirmos caminho.


A primeira paragem do dia seria em Zahara, onde visitaríamos mais um dos povos brancos, não sem antes tomar o "café solo" da praxe. Quando estacionámos frente à igreja, tivemos um funcionário do município a pedir-nos para não deixar ali as motas, porque iria realizar-se a missa e os praticantes poderiam ficar deslumbrados com elas e esquecer-se se entrar… pelo menos foi assim que nós quisemos entender o pedido que nos endereçou para as estacionar noutro sítio, o que prontamente fizemos.


Depois de observar as "aves raras" que em frente a nós desfilaram para as celebrações religiosas, decidimos que era altura de seguir caminho. Na pior hora possível, diga-se de passagem, porque apanhámos uma confusão tal no meio da vila que foi impossível o grupo manter-se unido, acabando por perder dois elementos do grupo. Lá conseguimos sair do meio da confusão, para um pouco mais tarde reagrupar com os dois "ovos podres" que tinham ficado para trás, e finalmente seguir caminho, não sem antes observar a paisagem uma vez mais.


Seguiu-se uma estrada de montanha bem interessante com uma envolvente fantástica, que obrigou a mais algumas paragens para ver a vista. Nova paragem na povoação de Grazalema, onde resolvemos estacionar as "burras" junto a um "touro" digno de foto. A foto teve que ser tirada com alguma celeridade, porque a polícia rapidamente fez questão de nos "enxotar" dali para fora. Parecia que naquele dia incomodávamos onde quer que parássemos... A população também parecia sensível a estarmos ali junto àquela estátua, pelo que não quisemos incomodar mais do que já tínhamos incomodado, e seguimos o nosso caminho.


Uma paragem rápida para mastigar umas gomas (que ao longo de muitos quilómetros em grupo descobrimos ser a base da recuperação energética dos motociclistas) e descobrir que trazíamos no grupo nada mais nada menos que o anti-herói Deadpool!


Combinámos que iríamos procurar lugar para comer em Ubrique, o que correu melhor do que estávamos à espera. Um restaurante onde entrámos por acaso, repleto de motivos motociclísticos (toda a decoração baseada nas míticas Vespas) e comida da boa, muito à base de carne de porco ibérico grelhada.


Um passeio pelas ruas movimentadas de Ubrique que transmitem aquela sensação de férias, e aproveitámos o calor que finalmente nos aquecia o corpo para seguir viagem, já que a manhã tinha sido gelada (e eu estupidamente tinha deixado ficar o forro do casaco no alojamento). Seguimos então viagem tendo apanhado pelo caminho um grupo de "queimados das R's" que resolveu passar perigosamente pelo meio de nós. Para nosso azar dois agentes de mota da Guardia Civil, também os viram e resolveram seguir-nos, julgando que fazíamos parte do grupo. Ainda fui mandado encostar quando falhei uma saída e fiz uma inversão de marcha, mas rapidamente perceberam tratar-se de dois grupos distintos e fizeram-nos seguir caminho, indo atrás do outro grupo. Depois de respirar de alívio por evitar problemas a que ainda por cima éramos alheios, foi tempo de mais à frente parar num local com uma vista magnífica da Sierra de Grazalema, onde aproveitámos para fazer mais uma foto de grupo para a posteridade.


Com a tarde já adiantada fizemos nova paragem para engolir mais umas gomas, trincar umas pipas e beber uma Cruz Campo. Antes disso encontrámos um cenário peculiar frente a um hotel abandonado com um heliporto privativo, que foi palco obrigatório para mais uma foto de "burros" e "burras" todos juntos, com uma bela paisagem por trás.


Como a hora já era avançada, e não queríamos perder de novo a oportunidade de visitar Ronda ainda com a luz do dia, optámos por não passar pelos nossos alojamentos e seguir diretos para lá. Chegámos a tempo de ver uma povoação digna de cenário de um filme, com os vários motivos históricos embebidos numa paisagem natural não menos bela.


Desta feita e como era cedo, conseguimos ir jantar a um local decente, em vez de engolir mais um hambúrguer. Uma vez mais a galhofa foi constante, tal como já estávamos habituados (e apesar do cansaço de final de dia que todos começávamos a sentir).


Já de barriga cheia, voltámos finalmente aos nossos alojamentos. Alguns optaram por tomar banho (finalmente de água quente) e descansar, enquanto outros ainda desceram para mais um copo e dois dedos de conversa. E assim se terminou o dia com chave de ouro, antecipando já os quilómetros que se adivinhavam para o dia seguinte.


sexta-feira, maio 04, 2018

Rota Andaluz (Parte III)

Depois de mais uma noite mal dormida, em Algeciras, aceitei que só iria repor o sono em uma de duas situações: após a viagem acabar ou o sono ser tanto ao ponto de me fazer aterrar de qualquer maneira. Por isso resolvi tomar o banhinho da praxe, descer e juntar-me ao meu companheiro de estrada mais madrugador, para o pequeno almoço. A malta foi entretanto chegando e como já ia sendo habitual, a escolha da maioria recaía sobre a "tostada" com tomate e azeite, pequeno almoço típico em Espanha, e que além de saber magnificamente é bastante saudável.


Uma vez mais, alimentados os "burros" foi tempo de arrumar as trouxas, dar de beber às "burras", e com cerca de 1 hora de atraso em relação ao previsto, fazer-mo-nos finalmente à estrada. Os atrasos matinais são algo com que aprendemos a lidar, e que com bom senso ao longo do dia e do trajeto que nos propomos fazer, se consegue ultrapassar facilmente, assim o grupo se entenda e o permita. O destino seguinte: Castellar de La Frontera, em Cádiz.


Nesta vila o castelo foi o nosso ponto de interesse. Visitámos o mesmo, a partir do qual era possível observar mais uma paisagem de tirar a respiração...


... assim como visitar o seu interior onde existia uma pousada na qual dava mesmo vontade de ficar.


Nessa pousada tivemos a oportunidade de beber um belo café caseiro, conviver mais um bocado, contar umas mentiras e dar umas gargalhadas.


Enquanto alguns optaram por uns minutos de repouso por ali, outros visitaram as ruas estreitas da povoação junto ao castelo, que é também muito bonita. Energia reposta e fotografias tiradas, lá seguimos caminho de novo. Uma daquelas estrada em que nos embrenhamos em plena natureza, para chegarmos ao nosso destino seguinte: Genalguacil, em Málaga.


Esta vila é de uma beleza extraordinária. Além de manter as caraterísticas a que já nos estávamos a habituar, nos povos brancos, trata-se de uma vila museu, onde se encontram obras de arte por todo o lado e a cada virar de esquina.



 

Depois de apreciar aquele cenário peculiar, a barriga começava a dar horas, e era tempo de procurar um local onde almoçar. Havia festa no local (não percebemos ser era uma espécie de casamento, mas parecia) pelo que a tarefa não se adivinhava fácil. Meio sem querer "tropeçámos" para dentro do que parecia ser uma casa particular, mas onde por sinal se serviam petiscos. E assim foi, sentámos-nos no que parecia a sala de uma senhora simpática, que nos apresentou a oferta que tinha, da qual respondemos para nos trazer uma dose de cada coisa. Estava tudo delicioso, e a hospitalidade foi magnífica.



Recuperadas energias, a estrada chamava por nós de novo, até porque as curvas que tínhamos feito até ali seriam as mesmas que nos permitiriam sair de lá (só havia um acesso para entrar e sair). Mais uma paragem junto ao miradouro para uma foto de despedida...


Curvas e contracurvas foram-nos enchendo as medidas durante a parte da tarde. Algumas paragens para ir absorvendo a envolvente paisagística daquela área, que assim o pedia.



Entretanto o dia avançava e tínhamos ainda um local a visitar, pelo que nos dirigimos ao local de pernoita das duas noites seguintes, sendo surpreendidos pelo percurso que nos levaria até lá.


Como volta que é volta não se faz sem nos perdermos ocasionalmente, desta feita aconteceu no meio de um percurso lindíssimo, ainda que fora de estrada, o que dado o cansaço levou alguns elementos começarem a perder a paciência. Como grupo coeso que éramos e somos, logo de imediato se começaram a dizer alarvidades e o nervoso miudinho deu rapidamente lugar ao riso, ajudando-nos a sair dali para fora e encontrar o caminho certo até ao nosso alojamento perdido no meio do nada, nos arredores de Ronda, em Málaga.


E que belo alojamento nos calhou! Um turismo rural denominado Ronda Moments, espantem-se, gerido por dois portugueses! Estamos mesmo espalhados por todo o lado... O único senão à chegada foi o facto de irmos estrear o local, e por isso algumas coisas não estavam ainda a funcionar a 100%. A mais grave de todas: não havia água quente, o que deixou alguns elementos do grupo meio com os azeites. Eu pessoalmente tomei banho de água fria, por isso estava bem. Uma vez mais, ultrapassou-se a situação com bom humor e uns recados à gerência, que mais tarde nos compensaria pelo sucedido. A beleza do local, também ajudou...


O sol já se punha, e queríamos ainda visitar Ronda, onde iríamos jantar. Com a cegada da falta de água quente e do anda para trás e para a frente no alojamento, chegámos já tarde à cidade, e infelizmente o melhor que conseguimos foi engolir um hambúrguer porque as cozinhas dos restaurantes estavam todas a fechar. Ainda assim e antes de regressar ao hotel, foi tempo de provar mais uma especialidade local numa esplanada qualquer: uma espécie de licor de ervas sem jeito nenhum, que substituímos rapidamente por um brandy que a mim particularmente me aqueceu a alma.

Mais uns quilómetros de "offroad" enlameado de volta ao alojamento, onde iria passar mais uma noite mal passada (nunca a frase "quando morrer tenho tempo de dormir" fez tanto sentido para mim).