segunda-feira, julho 10, 2017

Escapadinha até ao Monte do Peral

O conceito de "escapadinhas", mesmo na sua vertente mais comercial no que diz respeito a pacotes de experiências à venda (Odisseias… Lifecooler… etc.) cada vez me é mais apelativo. O facto de adquirirmos um destes pacotes (ou de alguém nos oferecer um) é uma boa forma de deixarmos de procrastinar uma curta viagem (ou escapadinha) de uma noite ou fim-de-semana, para reservarmos tempo de qualidade para nós próprios (e/ou os nossos).
Recentemente tive a oportunidade de ter um desses momentos, ainda que não tenha sido fruto de nenhum pacote previamente adquirido ou oferecido (mas podia muito bem sê-lo). O destino foi o Monte do Peral, no Alentejo, e foi o local perfeito para fugir de uma Lisboa cinzenta e fria (por lá o céu estava limpo e a temperatura acima dos 30º).


O caminho até lá foi parte importante da escapadinha. Paragem à entrada de Évora para visitar o Cromeleque dos Almendres, onde já há uns anos não passava.


Depois em Arraiolos para almoçar. Chegada ao Monte a meio da tarde, bem a tempo de passar umas horas valentes na piscina "infinita" com vista para a paisagem típica alentejana com Monsaraz lá ao fundo.


Monsaraz seria precisamente o local escolhido para jantar, onde - perante lotação esgotada em todo o lado - tivemos uma "abébia" do restaurante XX onde um simpático gerente teve pena deste casal com dois filhos e nos passou disfarçadamente à frente de uma lista de espera para nos sentar numa mesa reservada para alguém que não chegou a aparecer. O mais novo tinha fome e exigiu comida ao empregado que passava, que prontamente respondeu ao pedido como se uma ordem fosse!


Depois de uma noite bem dormida (mais ou menos… tanto quanto era possível com os 4 numa mesma divisão), o dia seguinte (mesmo no Alentejo) nasceu cinzento. Por isso depois do pequeno almoço cedo nos fizemos ao caminho de volta para parar no museu da sempre estranha Aldeia da Luz, no caminho que faríamos até à Marina da Amieira, onde o sol já despontava com força, e nos permitimos almoçar na esplanada do restaurante panorâmico com vista para a barragem do Alqueva.

Sei que foram apenas 2 dias (1 noite) com bastantes quilómetros percorridos, mas foi sem dúvida uma forma de me obrigar a desligar de tudo o resto, coisa que não conseguiria ter feito se tivesse ficado por casa.

terça-feira, junho 13, 2017

Por Estradas Serranas

Como andava já há algum tempo a "faltar aos treinos", no que diz respeito a uns convites que volta e meia uns amigos meus me endereçam para ir arredondar pneus na Serra da Estrela, no passeio que fiz no mês passado comprometi-me com eles que a organização da próxima volta à serra seria assegurada por "moi même". Assim, aproveitando a motivação que trazia da viagem anterior, rapidamente comecei a delinear na minha cabeça os percursos possíveis para esta voltinha, que se combinou logo de início ter a duração de um fim-de-semana, para não andarmos em correrias. O mote era a descoberta da Serra do Açor, já que iríamos andar essencialmente para aqueles lados. O grupo era pequeno mas bom. Éramos apenas 4, mas todos nos conhecíamos, tínhamos confiança uns nos outros e sabíamos que rolávamos a ritmos compatíveis.





Para mim, o ponto de partida foi Vila Franca de Xira, onde combinei encontrar-me com o primeiro companheiro do grupo. Os restantes iríamos ter com eles a Abrantes, já que ambos eram da zona de Leiria. Começámos assim bem cedo o nosso passeio, atravessando a ponte em Vila Franca para começar a rolar Ribatejo fora em direção ao que seria a primeira paragem do dia: Muge.

Já é uma tradição que nestas voltas o pequeno almoço seja consistente, por isso nada melhor que uma das célebres bifanas do igualmente célebre Silas, para saciar a fome e abrir o apetite para o percurso. Assim foi, e lá seguimos a bom ritmo em direção às curvinhas do Tramagal, que antecedem a chegada a Abrantes. Tivemos azar, já que a meio da zona de curvas apanhámos um jipe da GNR a 40 kms/h, numa zona onde não se podia ultrapassar. Ficámos apenas "meio" saciados com aquele troço. Entretanto lá chegámos ao ponto de encontro em Abrantes, onde o resto do grupo já nos esperava.



Tempo de abastecer e rapidamente seguir viagem, que a malta queria era rolar! Entretanto um telefonema a uns amigos gorava as minhas expectativas de ir almoçar à praia fluvial de Oleiros (bar fechado por não estarmos ainda em época balnear), mas entretanto surgiu a oportunidade de fazer algo diferente (e melhor). Uma paragem para da a conhecer a um dos elementos do grupo o centro geodésico de Portugal em Vila de Rei, e também apreciar a paisagem e o bom tempo que se fazia sentir.


Seguindo viagem já em direção a Oleiros, a barriga já dava sinal. Uma vez chegados lá, tivemos o privilégio de ir para a adega dos tais amigos, que acabou por ser uma experiência 100 vezes melhor do que a planeada. Esperavam-nos queijinhos, presunto, paio, pão, vinho e um franguinho da churrasqueira das "boazonas" (o Manuel e o Joaquim), refeição que nos soube maravilhosamente. Alguns (vários) dedos de conversa, um forte agradecimento ao anfitrião e era tempo de seguir caminho.


Depois de Oleiros era altura de rolar em direção à Pampilhosa da Serra, onde não iríamos parar, seguindo em direção a Fajão através do impressionante parque eólico e paisagem avassaladora da serra, virando depois em direção à barragem de Santa Luzia, onde nos iríamos deter por uns instantes no miradouro a observar a beleza natural daquela zona. O tempo e a estrada continuavam do nosso lado, dando-nos um prazer enorme rolar por aquelas curvas.


De seguida foi tempo de seguir para o Piódão. Já todos conhecíamos o local, pelo que este troço valeu mais pelo percurso que pelo destino só por si. Parámos para saciar os burros, e logo a seguir fomos até Vide saciar as burras.


A partir de Vide faríamos o troço final do dia, em direção às Penhas da Saúde. Uma estrada simplesmente magnífica que nos permitiu subir a serra com mais uma bela barrigada de curvas. Detivemo-nos antes de chegar ao destino final, para medir as "galinhas" dos pneus (a.k.a. Chicken Stripes) e constatar que ninguém as tinha, tal tinha sido a qualidade do percurso feito até ali.


Apesar de ainda termos luz, a hora já era avançada (20h) e estava na altura de irmos fazer o checkin na pousada da juventude das Penhas da Saúde, e depois procurar um lugar para jantar.


Estacionadas as burras e checkin feito, sugeri irmos jantar ao Restaurante Medieval, mas como era dia de queima das fitas ou algo do género, estava cheio e só nos poderiam servir daí a uma hora. Seguindo um conselho que nos deram entretanto, fomos ao restaurante Varandas da Estrela, que foi simplesmente magnífico, quer no atendimento quer na qualidade dos pratos servidos. Como já não íamos para lado nenhum, o consumo de sangria foi elevado, e quando já levávamos várias horas de conversa e mais do que um jarro por pessoa achámos que era tempo de ir descansar.


O quarto onde fiquei era miserável. Tinha uma janela para um morro, apanhava umas águas do telhado, o que significa que numa parte tinha de baixar a cabeça para não bater no teto. E durante a noite inteira estive com a cabeça encostada a um radiador com 50 anos que teimava em fazer barulhos metálicos de 20 em 20 segundos. O descanso não foi muito, mas foi o suficiente. No dia a seguir um bom pequeno almoço compensou (parte) da noite mal dormida, e lá seguimos novamente o nosso caminho.

A primeira etapa do dia foi o percurso das Penhas da Saúde até Manteigas. Este trajeto vale mais pela paisagem do que por si só, mas uma vez chegados a Manteigas, o troço que vai até Belmonte é sem dúvida espetacular. Boa paisagem, boa estrada e curvas largas e rápidas. Em Belmonte não fizemos questão de parar, optando por seguir viagem até à Sortelha. Aí sim, tivemos de parar durante algum tempo, até porque algumas pessoas não conheciam. É um local mágico, que vale a pena visitar (assim como se constatou com um segundo grupo de motas que entretanto também por lá apareceu).


A hora já era adiantada, e como tal abreviámos caminho (tínhamos pensado ir até Espanha e voltar), seguindo logo em direção a Penamacor. Novo abastecimento à saída, antes de parar novamente para almoço, desta feita em ambiente familiar (mais concretamente filhos, mulher e sogros - que como sempre muito bem souberam receber). Gastronomicamente a viagem não poderia também ter corrido melhor! Um cafezinho no clube desportivo da terra e lá seguimos o nosso caminho novamente.


Castelo Branco foi ponto de passagem e depois, de forma a evitar a A23 optámos por seguir em direção a Cernache de Bonjardim, sempre por nacional. E assim continuaríamos até próximo de Tomar, onde finalmente o cansaço nos pediria para fazer os últimos quilómetros do dia numa via mais rápida. As despedidas num misto de alegria pela experiência vivida, e tristeza por chegar ao fim, e as ideias para as voltas seguintes a serem deixadas no ar… Chegado a casa pelas 20h, com cerca de 800 kms feitos em 2 dias, uma valente barrigada de curvas, paisagens e mais experiências vividas e a partilhar. Venha a próxima, que a depressão da segunda-feira seguinte assim o exige!

sexta-feira, maio 26, 2017

Outro Passo do Meu Caminho Mais Longo

Ora então chegou a altura de fazer a crónica de um dos meus recentes escapes motociclísticos (apesar de já ter acontecido há mais de um mês), que consistiu em 3 dias de passeio entre o norte de Portugal e Espanha. Só não foram 5 dias porque o meu mai' novo festejava o seu terceiro aniversário, e há que definir prioridades na vida. Assim sendo, e como não iria conseguir fazer a viagem planeada com os meus camaradas motards na sua totalidade, optei por tirar um dia de férias e fazer do percurso até ao ponto de partida da viagem a sério, um complemento.

Dia #1 (Póvoa de Santa Iria - Porto)

Como pela manhã é que se começa o dia, lá me fiz à estrada por volta das 9h de uma sexta-feira que, ao contrário do que as previsões indicavam, se apresentava com bom tempo e uma temperatura mesmo boa para este tipo de passeio. Como o objetivo era esse mesmo - passear - o tipo de percurso que tracei consistia sobretudo em estradas nacionais, pelo que depois de passar o trânsito matinal da N10 até Vila Franca de Xira, foi tempo de começar a rolar com mais suavidade e descontração nas restantes localidades ribatejanas por onde passei. Assim foi até chegar a Muge, local da primeira paragem, para tomar o pequeno almoço que se impunha: uma bifana no Silas, a base nutritiva de qualquer pequeno almoço.


Uma vez saciada a forme, foi tempo de me juntar aos primeiros companheiros que me esperavam, para começar a formar a comitiva. Já que o ponto de encontro era em Abrantes, foi só continuar pela nacional e aproveitar (bem aproveitadinhas) as curvas do Tramagal. Feitas as curvas, e depois de dar uma ou duas voltas em Abrantes, enquanto procurava as bombas de gasolina que seriam o ponto de encontro, lá me juntei aos meus companheiros. "E agora?", comentámos nós? Foi tempo de seguir em direção à Sertã, passar depois por Pedrogão e parar na Picha. Assim fizemos. Estrada boa, curvas do melhor, ritmo descontraído, e o bom tempo sempre a ajudar. Chegados à Picha, o almoço elegido por todos foi… bifana. Aí paguei o pecado da gula, por já me ter empanturrado no Silas algumas horas antes, mas tal como Obélix, ainda tinha espacinho para mais uma…


Enquanto acabávamos de almoçar, um maluco qualquer fez questão de tirar fotos junto a cada uma das máquinas estacionadas em frente à esplanada. As máquinas sobreviveram, o maluco ficou feliz, e nós seguimos caminho. Mais uma barrigada de curvas até Góis, onde parámos para apreciar a paisagem e fazer uma mijinha ao ar livre. O companheiro seguinte já tinha dado notícias do seu paradeiro, pelo que estaríamos prestes a encontrá-lo. Ainda antes de chegar ao local combinado, ao passar na zona da Penacova, lá vinha ele em sentido contrário, já à nossa procura. Assim se juntou mais um, e depois de mais uma cafezada lá seguimos viagem novamente.


O ponto de encontro seguinte para reunir (mais) tropas era na Mealhada, mas como o Buçaco fica mesmo ali ao lado, uma voltinha por esses lados e uma subida ao miradouro da Cruz Alta, era o que se impunha. Uma paisagem fabulosa, que depois de vista nos inspirou a fazer a descida da serra com as motas desligadas e em completo silêncio, simplesmente rolando até cá abaixo…


Seguiu-se uma estradinha da boa, até à Mealhada, onde nos quedaríamos junto ao Cine Theatro, a refrescar a goela enquanto esperávamos pelo resto do grupo (mais dois). Pelo meio, um telefonema inesperado que nos obrigaria a chegar ao Porto, local de pernoita, com hora marcada. Foi tempo de abandonar as estradas nacionais e seguir pela AE até ao destino, correndo o risco de perder a reserva caso não chegássemos a tempo.


Correu tudo bem, e o minimalista e sensaborão Ibis Budget lá tinha os quartos à nossa espera. Checkin feito, foi hora de voltar a apreciar a viagem e o convívio, e ir ter com o resto da malta (morcões) que se juntaria a nós no Cais de Gaia, para mais uns momentos refrescantes, em boa companhia.


O final da noite decorreu a saborear uma bela "petit française" num restaurante alusivo à temática em questão (motas), que permitiu contar mais umas valentes mentiras e dizermos mal uns dos outros, sempre com boa disposição.


Como a noite já ia adiantada, e o dia seguinte seria bem preenchido, era tempo de voltar ao hotel para descansar. O Douro vinhateiro esperava por nós!

Dia #2 (Porto - Saucelle)

O dia seguinte começou com o cheiro a torradas queimadas. O lamentável espaço para o pequeno almoço era insuficiente para o grupo de trabalhadores do Nails 'r Us (ou lá o que eram) e alguém deixou ficar uma fatia de pão esquecida na torradeira, o que despoletou a fúria da gerente do estabelecimento. Abertas as portas e saciada a fome, rapidamente preparámos as nossas montadas e nos dirigimos ao primeiro ponto de encontro da manhã, onde os morcões já nos esperavam. Reunidas as tropas, foi tempo de nos fazermos à estrada, começando a percorrer o caminho que nos levaria à magnífica N222.


A primeira paragem foi feita a meio da manhã, quando saboreámos mais um cafezinho enquanto se contavam as primeiras mentiras do dia, e se começava já a pensar por onde iríamos e onde almoçaríamos. O Pinhão foi o local eleito, e rapidamente alguém sugeriu um restaurante no qual faríamos marcação, para assegurar que ninguém passaria fome naquele dia… Traçado o caminho e o próximo destino, lá nos fizemos novamente à estrada.


Depois de muitas curvinhas, imediatamente antes de chegar ao Pinhão, a estrada transformou-se numa enorme reta que acompanhava de muito perto o rio Douro. Uma vista absolutamente fabulosa, para terminar aquela tirada em beleza, antes de almoçar. O restaurante Veladouro, com uma vista fantástica para o Douro e os enormes cruzeiros que por ali passam, foi sem dúvida um local de eleição, onde me permiti saborear uns valentes secretos. O grupo estava no seu auge, já que muitos dos que ali estavam não fariam a viagem completa, e acompanhar-nos-iam apenas durante aquele dia ou manhã, regressando depois a casa. Terminado o almoço e feitas as despedidas, foi novamente tempo de seguir viagem.


O percurso da tarde foi recheado de curvas e contracurvas, caminhos bem asfaltados, em empedrado e até mesmo em terra batida. Subimos às alturas e descemos até ao nível do Douro por várias vezes, e assim como intercalávamos nestes desníveis, sentíamos uma montanha russa de emoções.



A determinada altura ao percorrer a crista curvilínea de um monte, com tudo o resto lá em baixo e o sol a pôr-se ao meu lado, só me ocorria que ser feliz era aquilo. Algumas paragens (poucas) e muitos quilómetros rodados, sempre a apreciar a paisagem e aquela sensação de liberdade que gostaríamos de reter para sempre.


O rumo levava-nos à zona de Barca de Alva, para depois darmos o salto para Saucelle, onde pernoitaríamos.


Ao chegar ao local da dormida, apesar da barriga cheia de passeio algum cansaço e impaciência já se faziam sentir. Talvez tenha sido isso que me tenha levado a tomar uma decisão errada, quando tentei dar a volta à mota, para a estacionar, em cima de um punhado de gravilha com piso inclinado. Resultado? Uma mota estatelada no chão, e eu em pé, com cara de parvo, a olhar para ela. Não parecia ser grave, já que o tombo da mota tinha sido pequeno. Nada aparentava estar danificado, mas quando a levantei do chão, senti um calafrio… o seletor das velocidades tinha-se partido, brincadeira para fazer com que a viagem terminasse para mim já ali. Os meus companheiros apressaram-se a revelar a camaradagem, enquanto um deles dizia: "vamos fazer o checkin, e já arranjamos solução para isto!". Assim foi. Tratados os proformas do alojamento, puxei da minha veia de MacGyver, e lembrei-me de alguns itens que levava no meu kit de ferramentas personalizado: abraçadeiras de plástico, fita cola "americana" e… uma chave de porcas em L (formato similar ao da peça partida). Com a ajuda dos meus companheiros desmontei a peça partida e "construí" uma peça de substituição improvisada, que me permitiria nessa noite jantar e dormir descansado, sabendo que no dia seguinte conseguiria seguir viagem com o resto do grupo!


Passado o (grande) susto, foi tempo de começar a pensar naquilo que nos esperava no dia seguinte (ainda que para mim e mais uns quantos fosse também o dia do regresso a casa).

Dia #3 (Saucelle - Póvoa de Santa Iria)

Este seria o terceiro (e para mim e mais uns quantos, o último) dia de passeio. Depois de um pequeno almoço saboroso, acompanhado do briefing do que se faria naquele dia (e também na próxima passeata a combinar), foi tempo de preparar as montadas (a minha já artilhada com um seletor personalizado) e seguir viagem. Logo à saída de Saucelle, tempo para uma paragem no primeiro miradouro do dia, e apreciar a paisagem magnífica daquela zona de Espanha, para logo a seguir regressar aos percursos vinhateiros com vista para o Douro.


Mais umas quantas paragens e passagens por locais que pareciam estar a ser descobertos pela primeira vez, e que dificilmente tiveram grupos como aquele a rolar por ali.


O sentimento de felicidade era crescente, e andávamos todos com um sorriso idiota estampado no rosto. Depois de uma manhã intensa em termos de locais e paisagens visitados, foi tempo de esticar as pernas das "meninas", e aproveitando que já se fazia tarde para almoçar no local previsto: Miranda do Douro. Assim que entrámos no IC5, e pela primeira vez ao fim de 3 dias de viagem, a necessidade de velocidade apoderou-se de (quase) todos nós, e fizemos umas boas dezenas de quilómetros a ritmo de autobahn. Quando chegamos ao fim, o sorriso que trazíamos estampado na cara rapidamente se desvaneceu quando o cerrafilas, ao chegar a nós, perguntou: ninguém viu o radar que ali estava? Restou-nos rezar para que estivesse a mentir, só para nos azucrinar a cabeça. Aguardo correspondência em casa um dia destes…

Nada melhor que almoçar uma bela posta mirandesa para ajudar a eliminar a azia que a perspetiva de uma multa e uns pontos a menos na carta nos estava a provocar. Assim, lá nos reunimos novamente em amena cavaqueira, enquanto degustávamos a dita posta de dimensões descomunais. A sensação de que findo o almoço, a reta final do passeio começava ali, estava cada vez mais presente na minha cabeça.


Feitas as despedidas à saída do restaurante, foi tempo de montar novamente e seguir caminho. Desta feita o IC5 foi percorrido dentro dos limites da velocidade, até voltarmos às estradas nacionais que tanto nos agradam, e que nos conduziram no percurso de regresso ainda por algumas paragens. A primeira foi em Trancoso, onde pudemos observar o castelo e refrescar numa esplanada estrategicamente situada à beira da estrada.


O meu seletor customizado começava a apresentar alguns sinais de fadiga, ainda que se mantivesse operacional. Fomos seguindo caminho, e quando já estávamos prestes a chegar a Nelas, em busca de um posto de abastecimento, ao sair de uma rotunda o seletor "desintegrou-se" forçando-me a uma paragem para reconstrução do mesmo. Como a prática faz a perfeição, sendo a segunda vez que executava aquela tarefa, em cerca de 5 minutos estava novamente pronto a rolar. Abastecimento feito, paragem para café e definir onde iríamos jantar.


Seguindo em direção a Coimbra, uma vez chegados à cidade encaminhei o grupo até ao Jardim da Sereia, onde escolhemos a esplanada mais adequada para degustar uns bifes e umas fresquinhas, enquanto ao nosso lado um grupo de miúdas histéricas tinha orgasmos enquanto assistia a um jogo da liga espanhola. A hora já era adiantada, e rapidamente nos fizemos de novo à estrada. Despedida dos 3 constituintes daquele pequeno grupo na estação de serviço de Santarém, para depois rumar diretamente a casa. Mais uma aventura vivida por locais ainda por explorar, com algumas amizades antigas e outras feitas durante aqueles três dias, vividos em liberdade e com espírito de camaradagem. Como costumo dizer amiúde durante estas voltas, "facilmente me habituava a esta vida...".

terça-feira, maio 09, 2017

As Minhas Mães...

Demorei algum tempo a decidir-me escrever ou não, aquilo que tinha em mente, para o dia da Mãe. Isto porque tenho várias "mães" a quem dedicar este texto, o que lhe dá algum peso emocional, pela quantidade de sentimentos, recordações e emoções que despoleta em mim. A determinada altura, ao pensar sobre o que escrever, estive quase a desistir de o fazer. Mas não o fiz. Por isso, aqui fica o meu texto dedicado às minhas Mães, que muita gente identificará em estilo como as suas…





A Minha Mãe
Aquela que deu um pedaço de si para eu estar aqui. Aquela que mudou a sua vida para que eu seja. Aquela que me demonstrou em primeiro lugar, na primeira pessoa, que é possível existirmos e preocuparmo-nos mais com os outros do que com nós próprios. Aquela que me fez perceber o que é o amor incondicional. Aquela que me fez estar aqui e que está aqui diariamente, por mim. Aquela que faz o que pode e também o que não pode por mim. Aquela que vê brilhantismo em tudo o que eu faço (até mesmo no que faço mal). Aquela que me defende mesmo quando faço algo indefensável. Aquela que me fala em tom suave mesmo quando sou rude com ela. Aquela que sofre quando eu sofro, e que se alegra quando eu me alegro. Aquela que no meio da sua fragilidade me defenderá até à morte se necessário for. Aquela a quem estou e estarei eternamente grato e em dívida por tudo o que fez, faz e certamente fará. Um beijinho para ti, Minha Mãe.

A Mãe da Minha Mãe
A essência do que deveria ser uma matriarca. Alguém que em toda a sua vida venceu a adversidade, nunca perdendo de vista o seu foco principal: a sua família e sobretudo os seus filhos. Uma pessoa que viveu a vida de forma hercúlea, que lutou contra ventos e marés e conseguiu levar o seu barco a bom porto. Do seu amor pelo seu marido nasceu uma família de muitos, que a ela devem tudo. Podia não ter ideia da grandeza do que alcançou, sobretudo quando se pensa numa família composta por ela e o marido, 3 filhos e companhia, 4 netos e 3 bisnetos… todos com as suas vidas… seus trabalhos… suas aprendizagens… suas conquistas pessoais e profissionais… Um universo de mais de 15 pessoas (e outras tantas que ao longo dos anos se deixaram tocar pela sua personalidade) que gravitaram à volta desta matriarca, que existem e existiram porque ela o assim o possibilitou. E nunca pediu nada em troca por tudo isso, muito pelo contrário, sempre quis dar mais e mais... até ao fim.

A Mãe do Meu Pai
Um exemplo de carácter, força e perseverança. Uma mulher forte num corpo franzino, capaz de manter um sorriso nos lábios e uma expressão tranquila perante os melhores e os piores momentos. Independência, força, inteligência, protecção, pragmatismo... são uma pequena parte dos adjectivos que a caracterizam, e das muitas qualidades que aprendi a olhar para ela e das quais gostaria de ter uma ínfima parte do que sempre demonstrou. Esposa (e que esposa!)... mãe de 2... avó de 3... bisavó de 2... Mais um exemplo de alguém que foi capaz de gerar e gerir um universo à sua volta, ultrapassando todos os obstáculos (alguns que nenhuma mãe deveria ter de ultrapassar) e vencendo perante a adversidade. Sem dúvida uma das mulheres mais valentes que alguma vez conheci.

A Mãe dos Meus Filhos
Admiração. Um dos principais sentimentos que me ocorrem quando penso na mulher que tenho diariamente a meu lado, sobretudo no que diz respeito aos filhos. Admiração porque a vejo partilhar a parentalidade comigo de forma exemplar, mais do que eu próprio sou capaz de fazer. Admiração porque a vejo superar-se para dar aos filhos o que eles necessitam, mesmo quando as forças parecem faltar. Admiração porque a vejo ter a capacidade de raciocínio e sangue-frio necessários quando os mesmos me falham. Admiração porque vejo nos nossos filhos o reflexo dela, e gosto. Admiração porque na inaptidão perante alguns temas que - na qualidade de homem - me é inerente, é capaz de lidar com um "terceiro filho" de quando em vez. Admiração pela sua beleza, pela sua personalidade e por todas as características que possui e que me fazem gostar tanto ou mais dela como gostava há 10 anos atrás (quando nos casámos) ou há 14 anos atrás (quando nos conhecemos). Admiração e amor, sobretudo, por partilhar comigo a criação deste nosso universo, que tão felizes nos faz e aos outros que nos rodeiam.

Às Minhas Mães... resta dizer que vos amei desde que vos conheci, que vos amo e vos amarei para todo o sempre, aconteça o que acontecer. Feliz Dia da Mãe a todas... e obrigado!

terça-feira, abril 18, 2017

Andar de Mota...

Quando fiz os meus 16 anos, consegui ter a minha primeira mota: uma Yamaha DT50LC ('88). Foi o chamado "grito do Ipiranga", já que o facto de ter essa motorizada me permitiu uma maior liberdade para ir onde queria, quando queria, fazer o que queria. E aos 16 anos isto é mais do que suficiente para fazer alguém feliz. Menos feliz foi quando me vi "involuntariamente subtraído" dela, mas graças à ajuda preciosa dos meus pais, que sempre me ajudaram a alcançar os meus objetivos, acabei por voltar a ter outra DT, recuperando assim a liberdade que na altura e aos olhos de um adolescente, parecia perdida para sempre.

Comecei a deslocar-me diariamente de mota para onde quer que fosse, a assim foi durante os anos que se seguiram, até que mais tarde resolvi trocar a mota por um carro. Nesta altura o carro abriu ainda mais os meus horizontes, mas ao mesmo tempo (e como tive de me desfazer da mota para o comprar), deixei de ter o acesso a tudo aquilo que a mota me proporcionava. Entre acabar os estudos e começar a trabalhar, voltar a ter mota foi um objetivo que se foi esbatendo e ficando no esquecimento, até porque ao tirar a carta de carro (e uma vez mais para poupar uns trocos) cometi o erro de não tirar também a de mota.

Alguns anos passaram e a vontade de voltar a andar em duas rodas começou a ganhar força na minha mente. O trânsito constante, as horas intermináveis passadas estupidamente sentado, parado dentro do carro e aquela vontade de voltar a ter a sensação de liberdade que só a mota transmite, foram os elementos chave para passar da ideia à prática. Assim (e como não tinha carta de mota), comprei uma Honda CBF 125 ('08).

Por mais ridículo que possa parecer, quando me sentei a primeira vez nela, parecia enorme. Depois de vários anos sem andar de mota, pegar numa e meter-me de imediato no IC19 em hora de ponta, foi uma experiência assustadora. Mas tal como andar de bicicleta, andar de mota também não se esquece, e cheguei a casa são e salvo! Claro está que fazer diariamente mais de 50 kms em trajetos que incluíam vias rápidas, fez rapidamente reduzir a dimensão que psicologicamente atribuía ao veículo em questão, ao ponto de sentir que andava de bicicleta. Passado pouco mais de um ano, era já altura de mudar! A carta foi finalmente obtida num curto espaço de tempo (no qual tive o prazer de experimentar uma Honda CB500 e uma Kawasaki ER5), e no dia seguinte comprei uma Honda Hornet 600 ('98) que me fez novamente sentir como se tivesse 16 anos!

Foi minha companheira do dia-a-dia no trajeto casa/trabalho, foi minha fiel amiga em muitos passeios e viagens que fiz e (quase) nunca me deixou pendurado (exceção feita àquele dia em que o retificador de corrente decidiu entregar a alma ao criador). Ainda assim tratou-me melhor a mim do que eu a ela, sobretudo no dia em que irresponsavelmente a destruí contra um separador de betão, safando-me por pouco. Curada a queimadura nas costas e o orgulho ferido, rapidamente segui em frente e achei que mais era melhor: comprei uma ZZR 1100 ('97).

Quando fui buscar a ZZR e a trouxe para casa, apanhei logo um susto quando olhei para o velocímetro enquanto passava nos túneis da CREL e me apercebi da velocidade a que circulava... Claramente jogava numa "liga" diferente da Hornet, e a proteção aerodinâmica que a ZZR fornecia era uma faca de dois gumes: a par da segurança que transmitia, aumentava o risco de fazer asneira da grossa caso não tivesse juízo. Tive juízo. Apesar de mais tarde ter sofrido um acidente com ela (fui abalroado por um carro que me apanhou no ângulo morto), ainda que pudesse ter feito algo para o evitar não foi responsabilidade minha, e o facto de circular de forma responsável permitiu que o resultado final fossem apenas uns "tupperwares" riscados. Foi mais uma bela companheira, de aspeto imponente e fiabilidade inabalável, quer na utilização diária como em viagens maiores, que me deixou saudades.

Mais recentemente, e quando fazia a revisão dos 80 mil kms da ZZR, uma europeia piscou-me o olho. Sentei-me nela, experimentei-a e foi amor à primeira vista. Era novamente altura de mudar. Uma BMW F800R ('10) cujo único defeito era ter uma ponteira de escape que produzia o som de uma máquina de costura. Problema resolvido logo na compra, saindo do stand já com um belo SC-Project que lhe dava uma voz muito mais sensual. A agilidade da F800R quando comparada com a ZZR foi uma lufada de ar fresco, sobretudo na utilização diária. E o estilo despido (desde os tempos da Hornet) sempre combinou bem comigo.

Infelizmente muito cedo me vi privado dela por bastante tempo, já que tive novo acidente (um carro que não parou num cruzamento e fugiu do local) que a colocou no "estaleiro" durante uns meses, enquanto a situação se resolvia. Desta feita e como somatório de todos os acidentes que já tinha sofrido, a confiança foi abalada. Comecei a considerar seriamente deixar de andar de mota. Comecei a pensar na mulher, nos filhos, no que poderia acontecer, como seria o próximo acidente… Refleti um pouco e decidir fazer algo em relação ao que sentia: um curso de condução defensiva. Coloquei as coisas em perspetiva e recuperei a minha confiança (e a mota). Posso dizer que sou um condutor mais "defensivo" (ou "medricas" se preferirem), mas não me importo com isso. Ainda cá ando e continuo a sentir-me feliz sempre que pego na mota e faço diariamente aqueles quilómetros, mesmo quando ocasionalmente levo com a chuva que não me demove ainda assim de fazer uma das coisas que mais gosto: andar de mota!

Esta é uma história que não está acabada. É uma história que escrevo todos os dias, onde constantemente registo episódios sobre os mais variados temas, como liberdade, responsabilidade, amizade, confiança, respeito, aprendizagem e muito mais. Sem falsas demagogias, moralismos ou sentimentalismos, quer se viva intensamente o "espírito motard" ou apenas se goste do mundo das duas rodas porque sim, posso dizer que andar de mota faz de mim uma pessoa melhor. E se alguém considerar que isso é discutível, no mínimo faz de mim uma pessoa feliz!

quarta-feira, abril 05, 2017

Bacalhôa Buddha Eden

Há algumas semanas atrás, finalmente concretizei uma visita a um local onde há muito queria ir: o jardim Buddha Eden. Preparado um piquenique, embarcada a família no carro, foi tempo de rumar mais a norte, em direção ao Bombarral, para visitar este local que é parte integrante da Quinta da Bacalhôa e que fica a cerca de 1 hora de Lisboa. Depois de já ter visto algumas fotografias do local e ter lido algumas opiniões acerca do mesmo, posso dizer que não desiludiu. É um local espaçoso e aberto, decorado de forma extraordinária, com diversas obras de arte e locais lindíssimos. Passa-se facilmente ali uma tarde ou até mesmo um dia, dando espaço às crianças para correr e respirar e aos adultos para descontrair um bocado. Um espaço cheio de pormenores que captam a nossa atenção, desde o enorme lago (com peixes gigantes ávidos de comer os pedaços de pão que as pessoas levam), às estátuas gigantes, aos guerreiros terracota. Vale realmente a pena conhecer, e desde que lá fui só penso em lá voltar. Paga-se para entrar, mas nada de exorbitante (se bem me recordo 4 euros). Uma loja à saída faz o gosto aos apreciadores de vinho, que podem ali fazer algumas compras mais em conta. Existe ainda um restaurante onde se pode fazer uma refeição. Recomendo!

www.buddhaeden.com

segunda-feira, abril 03, 2017

Doces e Histórias de Piratas

Se há coisa que é uma consequência direta de termos filhos, é aquilo que nos fazem fazer e a maneira como nos transformam em pessoas melhores (ou pelo menos como nos motivam para que sejamos pessoas melhores, mesmo naqueles momentos em que só parece que nos azucrinam a cabeça). Sermos pessoas melhores nas mais variadas vertentes, com a mais variada relevância, desde o que sentimos quando somos altruístas e pensamos mais nos outros do que em nós, até quando sentimos aquela pontinha de orgulho por fazer uma pequenina coisa que é suficiente para iluminar a cara de uma criança com um sorriso. Este fim-de-semana tive por várias vezes essa sensação gratificante, de sentir duas crianças felizes próximo de mim. Desde o ar puro, o sol, as brincadeiras… Uma delas foi quando procedi à já tradicional tarefa de decorar o arroz doce da sogra, com alguns motivos a meu gosto. Um deles, a mais recente fixação do mais novo: o Capitão Miau Miau. Para quem não conhece, aqui fica um link para que possam ficar a conhecer. A decoração… essa foi a que está à vista na foto ao lado!

sábado, abril 01, 2017

Grandioso Bazar Chinês

Fico sempre maravilhado com a criatividade dos chineses. Para alguém que nem sequer usa o mesmo abecedário que nós para a sua escrita, conseguem ser surpreendentes nas suas criações, no que diz respeito aos mais variados artigos de contrafação que vendem nos seus estabelecimentos. O objetivo claro está, é aproximar o mais possível as marcas dos seus artigos às originais, respeitando sempre as mesmas de forma garantir que aquilo que fazem não são falsificações. Eu próprio, recentemente, ao vaguear por um destes estabelecimentos, fiquei indeciso. E posso dizer que nem sequer precisava de comprar o objeto da minha indecisão! Isto porque na secção de jogos estavam à escolha alguns comandos de Playstation que me chamaram a atenção. Ora não precisando eu dos ditos comandos, fiquei assim com uma grande dúvida, caso tivesse de enfrentar a decisão da escolha entre duas marcas possíveis (alternativas à Sony, claro está). O que comprar... um Sqonyy, ou um Fony?


Por um lado, Sqonyy não beneficia do facto de terem colocado um S seguido de um Q, assim como dois Y juntos. No entanto, tem a vantagem de ter todas as letras presentes na marca original (bastaria retirar o Q e um dos Y, e ficaríamos com Sony). Isto leva a pensar que o comando faz tudo o que o Sony faz, mais qualquer coisa...


Por outro lado, o Fony apresenta um conceito mais simples e historicamente utilizado: a simples troca de uma letra. Substituindo o F por S, ficaríamos sem mais demoras com a marca original. O lado menos positivo, é que a fonética de Fony remete-nos de imediato para falsificação (phony, que significa falso em português), e isso é claramente uma desvantagem. Até imagino o slogan... "It's a... F(ph)ony!". Nada bonito.

Resolvi assim fazer aquilo que faço habitualmente. Virar costas e ir embora. Quer dizer, não sem antes tirar um par de fotografias para mais tarde recordar...

sexta-feira, março 31, 2017

Lembrete Importante

Aparentemente a aplicação móvel Waze (para quem não conhece, uma espécie de GPS que nos indica o caminho mais rápido até um determinado destino, tendo em conta informação de trânsito atualizada ao momento) faz um pouco mais do que indicar-nos o caminho. Recentemente, numa das pouco frequentes ocasiões em que me desloquei de carro para o trabalho, no momento da chegada obtive uma sugestão muito importante. Criar um mecanismo de alerta que me avise com a seguinte mensagem: "Não se esqueça das crianças no carro". Olhei para o banco de trás, não fosse estar a escapar-me alguma coisa, mas confirmei que tinha deixado as minhas no colégio. Obviamente que estou a ser sarcástico, já que dificilmente me esqueceria de crianças no banco de trás, até porque as minhas na maioria do tempo fazem-se ouvir (no melhor dos cenários com sessões de discos pedidos) e sentir (os pontapés nas costas do banco são frequentes). Ainda assim acho extraordinário que se preconize a necessidade de ter um mecanismo que alerte os pais para o facto de trazerem os seus filhos consigo no carro, evitando assim o risco de saírem deixando-os lá ficar. Imagino que seja mais ou menos aquela sensação de "eish... esqueci-me da carteira no carro" ou "eish... esqueci-me do telemóvel no carro", mas aplicado a "eish... esqueci-me dos putos no carro". Graças a Deus pela tecnologia que permite a seres humanos menos competentes poderem ser pais nos dias que correm.

quinta-feira, março 30, 2017

Em Zona Vermelha da EMEL...

... quem tem olho é rei. Há uns tempos atrás quando começaram as obras de requalificação da zona do Saldanha, quem por ali habitualmente estacionava a mota na zona reservada para o efeito, deparou-se com uns bilhetes a profetizarem a desgraça. Encontrei no "baú" esta foto de um desses bilhetes. E assim foi! Uma vez terminada a dita requalificação, o espaço reservado para o estacionamento de motas desapareceu para dar lugar a uma enorme ciclovia, que até hoje não consegui ver ainda ser utilizada por nenhuma bicicleta. Imagino que poucos ciclistas apreciem a inclinação da Fontes Pereira de Melo, e optem por outra forma de ir do Marquês ao Saldanha, que não essa. As motas, essas, continuam por lá, só que agora a estorvar em cima de tudo o que é passeio. Passo seguinte (quase certo)? Uma razia de multas e bloqueadores aplicados nas ditas, uma boa maquia amealhada pela EMEL, polícia municipal ou seja lá quem for, e uma boa dose de gente com um problema em mãos para resolver. E logo a seguir os parques de estacionamento ali à volta (como o da foto), a "encherem-se" também. Cheira bem, cheira a Lisboa!

quarta-feira, março 29, 2017

Técnico de Reparação de TVs


Mãe: Esta televisão agora volta e meia passa a dar chuva como se fosse do antigamente...
Pai: Experimenta ligar e desligar...

Após observação e análise pormenorizada do equipamento, por técnico de reparação qualificado com 2 anos de idade, em pijama, agarrado a um peluche e de chucha na boca, sai o seguinte comentário:

Filho: O problema da televisão é que está sem Internet.

terça-feira, março 28, 2017

Ponto de Situação

Passados três meses desde que escrevi... depois de ver pessoas partirem... depois de um início de ano atribulado, sinto de alguma forma o regresso à normalidade. A família tem sido um bálsamo importante, desde os mais novos que nos abençoam todos os dias e que nos fazem manter as coisas na perspetiva certa, como os mais velhos que felizmente se uniram e ficaram mais fortes quando enfrentando em conjunto a adversidade. O trabalho, honestamente, passou a ser um fardo. É aquilo que mais exige de mim, que começo a sentir me rouba a saúde, e é aquilo a que gostaria não ter de dedicar tanto tempo, hoje em dia. Apesar de ainda me sentir realizado com o que faço, as oportunidades e condições para o fazer bem são cada vez mais reduzidas (assim como a disponibilidade mental), o que me desgasta com o passar do tempo. Chegar todos os dias a casa, com os miúdos a jantar ou já com um pé na cama, não ajuda. Ainda assim acredito que virão dias melhores e que esta é apenas uma fase. Sei que depende essencialmente de mim dar a volta e fazer as coisas de maneira diferente. Tenho sentido dificuldades em dar essa volta, mas lá chegarei. Olhando para os próximos tempos, avizinham-se algumas lufadas de ar fresco que poderão ajudar: umas curtas férias que vão ser bem úteis para descansar o cérebro (pelo menos assim espero); logo depois, três dias de passeio de mota, há muito pensados e desejados; mais tarde, este ano, um outro passeio do género, o que também me anima; férias de verão em família já planeadas; etc. etc. etc. Porreiro, porreiro era entretanto conseguir voltar a dormir, mas isso é algo que neste momento está fora do meu controlo, portanto é aguardar que o diabrete mai' novo dê essas tréguas um dia destes (e que seja para breve). E é isto. Mais escrita brevemente, que é algo que também me ajuda.