Quando referi “começar pela fresquinha” não tinha em mente um dia de inverno, mas assim se apresentou a manhã seguinte. Céu encoberto e com uma ligeira chuvinha a fazer-se sentir. Nem no restaurante panorâmico do hotel onde tomámos o pequeno-almoço se conseguiu ter uma vista decente de toda aquela zona lindíssima, próxima da foz do Douro. Mas também não foi isso que nos desmotivou!
O Douro era precisamente o mote que nos levava ali. O objetivo era percorrer a N222 ao longo do dia, com o seu traçado serpenteante tantas vezes próximo do rio ou pelo meio da região vinhateira. O primeiro abastecimento do dia teve lugar à saída de Gaia, o que me levou logo a fazer as contas de cabeça ao tempo médio de abastecimento, para o resto da viagem, para um “grupinho” de 13 motas…
Os primeiros quilómetros da N222 à saída de Gaia não são particularmente interessantes. Além disso, os vários pontos de paragem que tinha definido mentalmente afiguraram-se-me ambiciosos, pelo que fiz alguns ajustes de forma a permitir um convívio tranquilo, sem stresses nem horas muito rígidas para chegar aqui ou ali. Assim, a primeira paragem digna de nota foi no bar do Cais do Porto de Abrigo. E em boa hora, porque, entretanto, as nuvens desapareceram, o sol surgiu e o calor obrigava a mais hidratação.
Logo a seguir fizemo-nos à estrada cujo traçado nesta fase acompanhava mais frequentemente a margem do rio Douro, chegando a uma das partes que mais me agrada, junto ao Pinhão. Mas viagem que se preze não é digna desse nome sem um engano ou desvio, e foi precisamente isso que aconteceu quando apanhámos um corte de estrada, acredite-se ou não ainda consequência da tempestade Kristin, que nos levou a percorrer alguns quilómetros extra por uma serra que até acabou por nos proporcionar belas vistas!
Retomada a N222, pouco tempo depois estaríamos perto do Pinhão. Seria aqui que iríamos atravessar o rio em busca de local para almoçar. Um ligeiro percalço quando, precisamente no cruzamento antes da ponte, um pequeno grupo se separou e seguiu em frente. Mas como ninguém fica para trás, rapidamente comuniquei com o Fernando M., e armei-me em “batedor” saindo em busca do grupo perdido.
Essa minha saída revelou-se desnecessária pois o grupo regressou sozinho ao Pinhão. Rapidamente estaríamos todos juntos, sentados à mesa do Restaurante Churrasqueira do Pinhão por sugestão excelente do Nuno M., prontos para mais uma bela refeição nutritiva.
Degustação concluída para nós e, antes da saída do Pinhão, abastecimento para as motas. Seria gasolina bem gasta, já que da parte da tarde foram percorridos os melhores quilómetros de estrada (na minha opinião) que fazem parte da N222. O dia continuava a aquecer mais que o desejável, pelo que foram necessárias várias paragens para hidratação ao longo do percurso… o Diogo que se juntou a nós pela primeira vez, parecia bastante impressionado com as caraterísticas de dromedário que a maioria dos elementos do grupo demonstrava.
Concluída a N222 (seguíamos tão “embalados” que até nos esquecemos de tirar foto ao célebre Marco, tendo o Vítor P. que ir lá sozinho para registar o momento…), o objetivo final seria rumar a sul em direção a Vilar Formoso. O local da pernoita seria o Hotel Lusitano. Apesar de estarmos mais ou menos dentro do plano previsto, reservei restaurante para podermos estar à vontade com as horas, o que nos deu a oportunidade de fazer os últimos quilómetros mais tranquilamente, apreciando a paisagem e a temperatura que já se fazia sentir mais amena.
Chegados ao hotel, fizemos o check-in nos quartos. Houve quem não gostasse das instalações que cuidadosamente reservei de acordo com as preferências individuais de cada um (sinceramente… não percebo qual era o problema da malta com as camas de casal…), pelo que ainda se fizeram alguns ajustes nesse sentido. Check-in feito e já de banhinho tomado, ainda deu para um belo convívio na esplanada do hotel onde foram deitados abaixo mais alguns finos e algumas minis.
Mas a noite já se fazia sentir, pelo que percorremos a pé os cerca de 100 metros que nos separavam do Restaurante O Turismo, mesmo colado à fronteira, onde teríamos a felicidade de ser atendidos por um daqueles empregados à moda antiga, que ainda se preocupa em servir bem a malta e nos fez uma sugestão de partilha de pratos de carne que foi muito bem recebida por todos.
O jantar foi mais uma oportunidade de fazer a algazarra do costume com conversa de motas e não só. Até porque houve quem teimasse em falar de corta-relvas (vá-se lá entender porquê…). Mais um excelente convívio regado com boa disposição, algum vinho e cerveja, que se prolongaria no regresso ao hotel por nova paragem na esplanada, antes de darmos a noite por concluída.
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