sábado, abril 24, 2010

Apontar o Dedo

Esta história já não é novidade... daqui a algum tempo deixará de ser notícia... no entanto os seus subtis contornos continuam todos os dias a dar-me aquela azia das histórias que teimam ficar mal contadas e das responsabilidades que teimam ficar por apurar. Vejamos o caso resumidamente: uma criança, aparentemente vítima de "fanfarronice" (existe um termo técnico para aquilo que existe desde sempre entre miúdos, com a denominação de "bullying"), chegou a um estado de desespero suficiente para o levar a cometer suicídio atirando-se a um rio. A conclusão prática de todos os intervenientes legais no caso (com o apoio da comunicação social), é a de que existe um senhor cuja função é ser porteiro/telefonista/pau para toda a obra numa escola, e que é responsável pela morte da criança. Mais concretamente, por ter deixado naquele dia o Leandro sair das instalações do dito estabelecimento de ensino. Num país que não fosse de faz de conta, importaria perceber de que forma se pode provocar tal desespero numa criança de tão tenra idade, que o leva ao suicídio... num país que não fosse de faz de conta, importaria perceber se foi exactamente isso que se passou ou se outra(s) criança(s) poderão ter algum envolvimento na dita "queda ao rio"... num país que não fosse de faz de conta, alguém apontaria o dedo no nariz da indignada (não triste, não chocada, não pesarosa) mãe da criança, que NUNCA se apercebeu que algo de errado se passava com o filho, mas que agora dispara em todas as direcções. Mas como estamos num país de faz de conta, parece que o culpado pelo suicídio de uma criança que era abusada frequentemente pelos seus colegas, cujos pais nunca tiveram qualquer preocupação em saber ou perceber se algo de errado se passava... é o porteiro da escola. Tivéssemos nós a pena de morte em Portugal, era enforcar o homem! Como assim não é, vamos apenas colocar-lhe um processo e impedi-lo de voltar a trabalhar em qualquer estabelecimento de ensino, para sempre. Viva Portugal... Viva!!!

3 comentários:

Luis Sardinha disse...

É por causa de situações destas que o meu sentido de patriotismo é muito pouco.
Se estamos num país que não nos respeita, porque é que temos de lhe ter amor?
O pior disto é que ao olhar lá para fora vemos mais do mesmo, uns um pouco melhores outros piores mas com os mesmos problemas.
Pior do que isso é o facto do cerne do problema está no próprio povo e não nos seus lideres... é triste mas é verdade.

Marco disse...

luis: o meu comentário nem tem tanto a ver com falta de patriotismo, mas tem mais a ver com algumas entidades que por cá andam e que fazem deste um país pior do que poderia ser.

LFM disse...

penso da mesma forma em relação a este caso