segunda-feira, maio 19, 2008

Mad Max: SciFi ou Realidade?

Nos últimos tempos fala-se muito na questão dos preços dos combustíveis. Fala-se tanto que foi a muito custo que me forcei a mim próprio a escrever sobre o tema. Normalmente os temas que me saturam não são alvo da minha escrita, mas neste caso abri uma excepção. Desta forma, este post funciona como um ponto de situação para o meu próprio cérebro, sobre este assunto, porque quando existe informação a mais as ideias tendem a ficar distorcidas. Em primeiro lugar, começo por esclarecer que sou dos que acreditam na existência óbvia de uma cartelização dos preços implementados pelas gasolineiras, senão de que forma se explicaria o aumento sincronizado dos preços que supostamente foram "liberalizados" há anos atrás? Em segundo lugar, tenho também a forte convicção de que os sucessivos aumentos não são mais do que o resultado de especulação levada a cabo pelas petrolíferas, com a cunivência do governo, alimentada pela comunicação social. Em terceiro lugar, considero que o aumento contínuo dos preços se deve ao facto de nós, consumidores, o suportarmos (pelo menos até ao momento). Isto é, enquanto as pessoas reclamarem, mas forem pagando e utilizando o carrito, sem estrebuchar muito, o preço pode continuar a subir. Talvez quando encaixarmos finalmente que somos um país de terceiro mundo, e começarmos a ir a pé ou de bicileta para o trabalho, o preço estabilize e não aumente tão frequentemente (sim, porque baixar está fora de questão). Parece-me que a alternativa será uma nova sociedade com contornos apocalípticos, conforme o filme em epígrafe... Ainda há alguns dias foi revelado que o preço da gasolina na Venezuela é de 3 cêntimos o litro. Não digo que devessemos praticar os mesmos valores, porque não sou estúpido a esse ponto da "conversa de café", mas a Galp ou a Petrogal ou o raio que os parta a todos tem condições para fornecer o combustível a preços muito diferentes dos praticados. Adicionalmente, após a liberalização dos preços, a maioria das pessoas deixou de responsabilizar o governo pelo preço dos combustíveis, o que não traduz correctamente a realidade. Isto porque o governo continua a cobrar o seu "impostozinho", valor esse que na qualidade de percentagem, também é valorizado com o aumento do preço final do produto. Ou seja, o governo "levanta as mãozinhas" e diz que não tem culpa do aumento dos combustíveis, mas continua a beneficiar quando este ocorre. Por fim, gostaria de louvar todas as iniciativas que possam ser tomadas como forma de protesto relativamente à situação actual. No entanto não posso deixar de constatar que as iniciativas propostas até ao momento, têm um carácter infrutífero, nomeadamente tendo em conta que a Galp é a distribuidora das restantes gasolineiras, diria que deixar de abastecer numa marca para abastecer noutra, terá um efeito reduzido. Além disso, dois ou três dias sem abastecimentos (o que é praticamente impossível para quem necessita de combustível para, por exemplo, trabalhar), não deixa de ser uma gota no meio do oceano. Por fim, resta-me constatar o ridículo da situação que é fazer "concentrações" nas bombas de gasolina sempre que o preço sobe, para após 3 horas e meia de espera, poupar 1 ou 2 euros. Acho que uma boa forma de manifestar desagrado seria arranjar umas matrículas manhosas e começar a abastecer nos "self-service" à borla. Talvez esta forma de "protesto" tivesse um resultado mais prático, para ambos os intervenientes. Sem dúvida que me sinto inspirado pelo Mad Max...

2 comentários:

jomaolme disse...

Este é um assunto que desagrada a todos.
Mas ninguém deixa de consumir, por necessidade.
E os preços vão continuar a subir, o governo a aplaudir e o povo a ressentir...

Gonçalo disse...

...a mim, esta situação, vai-me afectando um pouquinho, pois uso GPL que também "advém" do petróleo (Gás Petrolífero Liquefeito), mas a continuar assim acho que só acaba quando andarmos todos aos tiros por uma gotinha... a ver vamos....