segunda-feira, fevereiro 07, 2011

A Invenção da Mentira

Tropecei hoje num filme que tinha para aqui escondido, cujo título não me dizia nada... Apesar de ser fã de Ricky Gervais, não fazia ideia que este ("The Invention of Lying") era um dos filmes dele (e não só, já que está repleto de actores conhecidos). Basicamente é uma comédia improvável com um toque dramático, como só ele consegue fazer. O mais interessante no filme, que me leva a comentar por aqui, é mesmo o tema. Imaginem o seguinte: vivem num mundo onde ninguém consegue dizer uma mentira, e basicamente "despeja" tudo o que passa pela cabeça, sem aquele "filtro" do socialmente correcto a que já estamos habituados. Se conseguiram imaginar uma breve aproximação do que acabei de descrever, imaginem agora que alguém que vive neste mundo consegue vencer essa barreira, e subitamente começa a mentir! Tal como se costuma dizer, em terra de cego quem tem olho é rei e... neste caso, o céu parece ser o limite. O que me fascinou no filme foi a simplicidade e profundidade da história, e foi pensar no que seria viver num mundo destes, sem mentirinhas piedosas e sem falsidades maldosas. O bom e o mau que daí poderia advir é, por muito que me esforce, impensável. Ainda assim, o "e se" não me sai da cabeça. E se de manhã alguém nos lança um "tudo bem" e começamos a despejar as nossas desventuras, traumas, receios... e se alguém nos pergunta o que achamos dessa pessoa, e temos de responder com a mais franca das verdades... e se alguém nos questiona sobre os nossos pensamentos e não podemos esconder nada... mesmo nada? O que é um facto é que, por muito sinceros que sejamos, todos praticamos a pequena mentirinha... a mentirinha piedosa, ocasionalmente (e ter de admitir isso mesmo é duro, muito duro). Mas acredito também que, tal como o filme mostra, não o poder fazer não seria propriamente uma solução melhor! Assim, só me resta assumir como pequeno aldrabão que sou, apesar de me considerar no geral uma pessoa franca e honesta! Enfim, agora que o meu cérebro está mais ou menos em curto circuito acho que o melhor é mesmo ir deitar-me e dormir sobre o assunto. Amanhã certamente terei oportunidade de praticar muitas pequenas tretas, ou eventualmente ter a oportunidade de disparar algumas grandes verdades. Apesar de tudo a última hipótese dá-me mais gozo do que a anterior!

2 comentários:

Luis Sardinha disse...

Se ninguém tivesse a capacidade de mentir o mundo iria certamente adaptar-se e não ficariamos chateados quando o teu colega dissesse na cara que por ele já tinhas sido despedido ou que vens mal vestido à brava. Mas o melhor de tudo seria o fim da classe politica e grande parte da classe comercial. Tenho de ver o filme.

Marco disse...

luis: e a religião... ah... a religião...