segunda-feira, setembro 14, 2009

Os Meus Gigantes...

Desde pequeno incluí na minha vida uma série de pessoas naquilo que chamo a minha lista pessoal de gigantes. Essas pessoas, por um qualquer motivo, assumiram um papel de destaque... um papel de relevo que aliado ao facto de as conhecer desde criança me levaram a observá-las como gigantes, como seres com mais de 3 metros de altura... maiores que eu... maiores que o mundo. O problema de crescermos é que inevitavelmente vemos chegar o dia em que estes gigantes de repente já não parecem tão altos... em que estes gigantes parecem até vulneráveis... em que deixam de ter a capacidade de estar lá para nós, de nos proteger, e ao contrário parecem carecer eles próprios de alguma protecção. Para além de ser duro vivermos ou sobrevivermos a esta experiência, o mais difícil é que este momento chega sempre, mas nunca estamos preparados para ele. Um acaso qualquer faz com que olhemos para aquela pessoa e subitamente apercebemo-nos que algo está diferente, algo mudou... e não conseguimos evitar uma profunda tristeza, muitas vezes difícil até de disfarçar. E não conseguimos superar a impotência de pensar que nada há a fazer, e que este é apenas mais um inevitável resultado da natural lei da vida. Pois bem... raios partam a lei da natureza e da vida, e se por um lado pode ser uma merda morrer saudável, por outro é sempre expectável e justo podermos manter a nossa dignidade até ao fim. Espero sinceramente e com todo o meu coração que tanto o gigante que me leva hoje a escrever, como todos os meus outros gigantes, tenham a oportunidade de chegar ao fim com a dignidade que merecem, assim como espero ter essa mesma hipótese. Se o texto parece confuso para alguns desculpem, mas não me apetece ser mais explícito...

6 comentários:

Luis Sardinha disse...

É sempre triste verificar que os nossos super heróis são tão humanos quanto nós.

ACCM disse...

A verdade é que, mostram todas as histórias, os gigantes acabam sempre por ser derrubados, se não por acção do homem, pela acção da própria natureza, a qual parece não gostar dos gigantes, (deve ser efeito da força da gravidade): até com o Colosso de Rodes assim aconteceu e também com os dinossauros, que eram gigantes também... Dizes que é a inevitável lei da vida e a verdade é que tal como na vida das leis, há muitas com que não concordamos e consideramos inaceitaveis, porém são leis, a uns afectam duma forma a outros doutra. Quanto á dignidade que se pode manter, passa também pela aceitação da inevitabilidade do acontecimento... (Ler o "DESPERTAR DOS MÁGICOS" de Louis Pouwels e Jacques Bergier), tem a ver com o processo alquímico que deveria fermentar no cadinho espiritual de cada ser...
Pai do Marco

totalylouco disse...

Não é para te desanimar, mas por esta altura da vida, já deves tu mesmo, de ser o gigante para alguem...

É a vida...

Sunshine disse...

Amigo, lembro-me perfeitamente do dia em que percebi que o meu pai não era o "gigante" que eu sempre imaginei.
È uma tristeza profunda.

Marco disse...

luis: mesmo os super heróis têm as suas fragilidades... acho que prefiro continuar a pensar neles como super.

pai anónimo: continuo a achar que aceitar a inevitabilidade não beneficia a dignidade, mas talvez seja apenas o meu mau feitio...

louco: acho que ainda não ganhei direito a esse estatuto...

sunshine: penso que o melhor é mesmo manter viva a visão que temos dos outros, por mais "romântica" que possa parecer...

Parapeito disse...

:)))
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.»


(António Gedeão)