terça-feira, fevereiro 06, 2007

Interrupção

Hoje estava aqui por casa nos meus afazeres, quando algo interrompe o som da habitual música que acompanhava a minha rotina. Eram os meus novos vizinhos. Entraram no prédio aos gritos, e aos gritos continuaram para dentro de casa, com a filha pequena a assistir certamente. O meu prédio não tem grande insonorização pelo que mesmo com não sei quantas paredes pelo meio, a música a tocar, coisas a partirem-se e a criança a chorar desalmadamente, consegui ouvir a troca de "carinhos" entre o casalinho, que envolvia frases como "és um monte de merda", "não vales nada", "arranja outro" ou "não preciso de ti para nada". Não sei se sou eu que sou romântico ou talvez até antiquado, mas uma relação supostamente não tem a ver com necessidade, a não ser a de estar com alguém. Também me parece que alguém que de alguma forma se pode assemelhar a um monte de merda, não suscitaria qualquer interesse logo de início, muito menos no desenrolar de uma relação. Arranjar outro ou outra é sempre uma hipótese, mas raramente uma solução. Assim, quer-me parecer que a conclusão disto tudo é que as pessoas não dão valor às palavras que saem da sua própria boca. Eu sei que nunca se deve dizer nunca, mas não me imagino a ser protagonista de um episódio semelhante, fosse o motivo qual fosse. Ninguém é perfeito e todos temos os nosso dias não e os nossos stresses, mas sobretudo quando existem terceiros que podem ser afectados para todo o sempre só por assistir a cenas destas, deve-se pesar bem os prós e os contras. Para se resolverem os problemas não é necessário as pessoas serem iguais, só é necessário descobrir uma fórmula comum para lidar com as situações.

10 comentários:

Luis Sardinha disse...

Excelente análise de uma realidade que infelizmente é mais comum do que gostariamos que fosse.

Infelizmente há muita gente que diz coisas que na realidade não sente, servem apenas balas dirigidas ao outro, o grande problema é que vão sempre cair estilhaços em quem menos merece.

Desejo que essa tua leitura se mantenha pela tua nova vida que está a começar...

Gonçalo disse...

...quanto ao ruído produzido pelos vizinhos eu sofro do mesmo mal, já cheguei a desligar o som da minha televisão e ouvir somente a do vizinho pois estáva no mesmo canal e assim poupei energia...e entre outras mais nojentas que não vale a pena referir... contudo o mais problemático deste teu post é, e espero que meditem sobre isto, o pensamento e o sofrimento que aquela criança teve ao assistir tal desvaneio dos seus pais e prever os problemas emocionais e comportamentais que essa criança irá ter no futuro com situações semelhantes...isto realmente só me apetece dizer que existem pais que deveriam ser pais era de Orangotangos e não de crianças.....

Dani disse...

Na maioria das vezes, o que é dito nessas discussões é dito apenas porque quem o diz sabe que, seja verdade ou não (mas, também quem é que lhe mandou casar com um monte de merda?), irá atingir o outro. Como diz o Sardinha são "apenas balas dirigidas ao outro". Bom seria que todos conseguissem esse entendimento de que falas. Mas, muitas vez é todo um mundo de situações que levam a isso. Não que me possa queixar, pois esse "entendimento" existe. Como chegámos lá é que não sei. Não há uma fórmula mágica. Agora, destilar veneno em frente a uma criança, é que não tem desculpa de qualquer espécie. Os pais existem para educar e também para proteger os seus filhos. E o proteger inclui protegê-los de agressõs psicológicas, que nestes casos assumem um aspecto assustador, pois a criança vê as suas duas fontes de segurança em conflito. Que segurança pode daí advir? E vou calar-me, que destes assuntos nada sei. Mas, talvez o melhor seja começar a saber! :)

Um abraço

Vida Envolvida disse...

Qundo estamos zangados, com alguem que nos ofendeu de alguma forma, nós queremos é magoar esse alguém, e utilizamos as ditas "balas"... utilizamos estupidamente, sem pensar e muitas e muitas vezes dizemos coisas que não queremos e que não sentimos!
Mas ... quando à crianças por perto, temos que ter mais cuidado!
E nas escadas dos prédios, também me parece q se deva ter cuidado!!

Bjs

Susana P.

Sofia disse...

Era um prédio tão agradável... apenas com alguns ruídos rotineiros...pouca sorte!!

Sobre este assunto, o que eu acho é que quando as pessoas estão zangadas e com vontade de disparatar... o melhor é sentarem-se e esperar que passe! :)

Beijocas

Marco disse...

Luis: pois é, mas podia ser uma realidade mais longe de casa e menos sonora.

Gonçalo: tenho a sensação que toda a gente deve ter uns vizinhos destes...

Dani: podemos até nem saber exactamente como e quando se chega ao entendimento, não por ser difícil mas por normalmente ocorrer de forma natural.

Susana: nunca há uma só forma de lidar com os problemas, e desatar aos gritos não é certamente a melhor...

Sofia: há muito tempo que sou apologista/praticante de dormir ou descansar sobre um assunto, em vez de o debater de cabeça quente.

LFM disse...

A tua narrativa é bastante triste.
Mesmo que os adultos façam guerra, as crianças não devem jamais levar com os estilhaços!
Há quem lhes chame danos colaterais, mas esse são tanto mais graves, quanto maior for a estupidez das forças envolvidas.
Andamos para aqui a discutir a IVG e há para aí tanta criança (já não são fetos mas sim seres humanos plenos de direitos) a sofrer as consequências das más escolhas e/ou indecisões dos adultos.~
Tenho dito.

Ester Tulia disse...

y si...

si todos alcansaramos a comprender la importancia de la palabra y del discurso las cosas posiblemente serían distintas
muy buen blog!

Um abraco!!

Ester Tulia disse...

gracias por curiosear mi blog,
te espero pronto
vine en busqueda de alguna novedad
seguiré buscandolas de tanto en tanto
abraco!

Vida Envolvida disse...

Alguem tá à uma semana sem postar... quem é?! quem é ??

Vá lá, manda bitaites novos !!
E vai ao meu blog dar-me os Parabéns !! he he he ...

Boa Semana

Bjs

Susana P.