terça-feira, setembro 12, 2006

12 de Setembro

Por opção resolvi não escrever nada ontem, relativamente ao 11 de Setembro. Isto porque toda a gente o fez. Não o fiz, conscientemente, com o intuito de lembrar que as vítimas não foram apenas as pessoas que morreram nesse dia. Existem muitas vítimas do dia seguinte, do mês seguinte e dos anos seguintes. Existem as pessoas que morreram por dentro, por terem perdido alguém... existem aquelas que morreram por perder tudo... e existem aquelas que ainda hoje morrem por terem sido os heróis que foram no meio de tamanha tragédia. Ouvi num dos documentários que foram exibidos ontem, que a maioria dos socorristas que estiveram de serviço durante os dias (e alguns, até meses) que se seguiram ao atentado, morreram já ou possuem doenças incuráveis. Sobretudo males do foro respiratório sendo grande parte doenças cancerígenas, pelo facto de terem passado dias a fio a respirar pó e ar putrefacto. Li no blog do Pedro Ribeiro uma reflexão interessante sobre se os terroristas teriam a consciência exacta da dimensão deste atentado, ou se até eles ficaram surpreendidos. Será que festejaram por excederem as suas próprias espectativas? Não faço a mínima ideia, mas o que sei é que foi um acontecimento que ainda hoje continua a matar pessoas, ao fim de cinco anos passados. Foi um acontecimento levado a cabo por uma cultura, contra outra diferente. E depois ainda temos de ouvir o Bush dizer que vão encontrar o Bin Laden, leve o tempo que levar. Pergunto eu, o que é que isso interessa? Culpar uma única pessoa por todos os males do mundo é um sentimento típico americano e "hollywoodesco", mas pouco realista. Há muito tempo que não concordava com nada que o Mário Soares tenha dito, mas ontem tive de lhe dar razão, quando nos "Prós e Contras" da RTP1 se referiu ao Bush como fanático religioso...

2 comentários:

Luis Sardinha disse...

Segundo o que ouvi na comunicação social, os terroristas não estavam à espera que as torres caissem. Se ficaram contentes ou não, não sei...

Para o cerne desta questão é apenas um e esse chama-se dinheiro.

Os EUA tentam por todos os meios arrnajar metodos de conseguir gerar ainda mais dinheiro (armas, petróleo, etc), como não olhou a meios para o fazer chateou um conjunto de homens muito ricos e poderosos e aí começou o terrorismo.

Isto acontece em todo o lado, lá por ser-mos diferentes, se não nos meter-mos com os outros e os outros fizerem o mesmo cada um segue a sua vida em paz. Se alguma das partes tenta meter-se na vida dos outros a coisa pode azedar...
Foi essencialmente que os EUA e em certa parte o ocidente faz a estes países muçulmanos e agora estamos a sofrer as represálias...

Enfim é o mundo em que vivemos graças a um conjunto de bestas com poder...

LFM disse...

Caro Marco, caro Marco, vamos por partes...
Eu também lamento todas as vítimas desta tragédia. Todas elas, como tu tão bem enumeraste.
A nossa sociedade detesta a morte mesmo infligindo-a a outros.
Não vou complicar a análise com as famosas teorias da conspiração, mas partindo do principio de que foi outra cultura, para esses outros a perspectiva da morte é muito diferente da nossa.
Foi 'apenas' um episódio de uma guerra em que cada um joga com as armas que tem e não me vou dar ao trabalho de contar as baixas de cada um dos lados nem tentar compreender os motivos que estão na origem deste confronto.
Quero apenas terminar com o comentário que deixei no blog do Pedro Ribeiro que me aconselhaste:

Cresci numa sociedade que dá valor à vida e que apesar de lamentar a morte, consegue infligi-la.
Tenho a certeza de que muitos que planearam o trágico acontecimento estão felizes com a magnitude do mesmo.
Também eu lamento as vitimas desta tragédia, mas com ou sem teorias da conspiração, há motivos que a tornaram possível.
Pelo contrário continuo sem compreender porque morre uma criança de fome.