sábado, novembro 07, 2009

Adeus, Gigante...

Com a euforia e turbilhão de emoções e preocupações inerentes a uma nova forma de ser e estar na vida, relacionada com outra vida, adiei durante algum tempo o meu adeus ao meu gigante. Este gigante que era o meu avô, nos últimos dias em que esteve comigo, sempre manifestou - ainda que com dificuldade - o seu grande desejo de ainda poder conhecer o seu bisneto. Apesar da sua luta ficou a alguns dias de concretizar esse mesmo desejo, já que resolveu partir no passado dia 30 de Outubro. Se hoje não pude assistir ao adeus de alguns, não me esqueci no entanto que passaram 7 dias após a sua partida. Não me esqueci que tenho menos um gigante na minha vida. Não me esqueci do seu desejo forte que ficou por cumprir. É nestas alturas que queremos acreditar que existe algo mais em nós do que uma amálgama de células, e que podemos persistir no tempo para além da vida. Acredito que seja verdade, porque apesar de ter partido eu ainda penso nele (e isso é persistir no tempo). Quando olho e agarro no meu filho, penso no quanto ele gostaria de o ter visto e de ter identificado parecenças. Penso no orgulho que sentiria do seu bisneto e da promessa que há em toda a vida que começa. Por isso mesmo, tenciono hoje abraçar o meu filho, dar-lhe um beijo na testa e dizer "este é do teu bisavô", porque sei que este seu desejo também persiste no tempo. Estes dias da minha vida são a prova que a vida se renova, por muito dolorosa que esta renovação possa ser. Despeço-me assim num misto de "adeus" e de "olá".

5 comentários:

Luis Sardinha disse...

Que o teu gigante fique em paz.

Podes não o ver mas ele estará sempre no coração das pessoas que o amavam.

Texto fantástico...

Sunshine disse...

O teu texto claramento veio do coração, deixou-me com a garganta apertada com a memória do meu avô.

O meu avô também era gigante, intelligente e carinhoso. Quando lembro-me dele, lembro-me dos olhos azuis que tanto podiam estar gelados como cheios de calor e carinho. Lembro-me do sorriso dele, das gargalhadas dele e oiço o som do meu nome na voz dele.

Já se passaram quase 6 anos desde que ele nos deixou, desde o dia que acabou o sofrimento dele. Mas ele continua vivo e presente - na minha memória, nos pensamentos de quem o ama, nas fotografias espalhadas pela casa da minha avó. Costumo lembrar-me dos meus gigantes quando tenho algo para agradecer. Gosto de acreditar que olham por mim.

Não existem palavras de conforto para um Adeus... há apenas os novos começos, os muito esperados Olá´s

Um abraço

apenas um gajo... disse...

Um grande, grande abraço.

Impaler disse...

Frlizmente tive o prazer, enorme, de conhece-lo. As pessoas, claramente, não se medem aos palmos. Foi-se um gigante, sem dúvida, esperemos que tenha chegado outro. Que daqui a muitos, muitos anos, alguém esteja a escrever o mesmo sobre nós.

Grande abraço,
Ricardo

Susy disse...

Não tive oportunidade de conhecer nenhum dos meus avôs. Fiquei sensibilizada com o teu texto mas quem sabe se ele não partiu para dar lugar à sua linha de sangue?! Agora serás tu o gigante para o teu filho...