terça-feira, outubro 07, 2008

Fim do Mundo em Cuecas

Confesso que nos últimos tempos tenho andado com alguma preguicite aguda relativamente ao que considero a minha actividade regular de "blogger". Tenciono quebrar esta onda de marasmo que insiste invadir-me nos últimos tempos, e regressar ao que era. Julgo que este negativismo que nos tem rodeado a todos, talvez estivesse a levar-me a melhor. Mas enquanto hoje assisti ao que chamo carinhosamente de a notícia do "fim do mundo em cuecas", ao chegar a casa após um dia inteiro de formação que me impediu de ter conhecimento em primeira mão da crise que se abateu sobre o mundo financeiro (no qual ainda por cima me encontro agora inserido), e após pensar um pouco sobre o assunto, forcei-me a mudar um pouco o meu estado de espírito em relação a esta matéria. Concretamente, em relação à problemática que foi levantada, parece-me no mínimo ridícula a forma da mesma. Um dos cenários apocalípticos foi-me apresentado por um jornalista histérico, a falar em hipóteses cataclísmicas em que os portugueses amanhã de manhã iriam todos a correr aos bancos, levantar o seu dinheiro (afundando assim toda e qualquer instituição financeira). Em primeiro lugar, gostava de saber... para quê alguém faria isto? Qual o objectivo ou vantagem? Será que a grande depressão já foi assim há tanto tempo que ninguém se lembra? Em segundo lugar e tendo em conta o endividamento geral em que os portugueses vivem, iriam levantar... o quê? Eu particularmente posso levantar uma dívida de alguns milhares de euros... e o caro leitor, tem mais para levantar do que aquilo que deve? Agora que até já é um pouco tarde forço-me a assistir ao "Prós e Contras" na esperança (que cada vez se mostra mais vã), de obter mais alguma informação útil. Basicamente a opinião geral destes "experts" é tão boa como a minha ou de outra pessoa qualquer. Existem dúvidas, não se sabe como os mercados (e as pessoas) vão reagir, e é opinião geral de que é necessário evitar pânico desnecessário. Para mim o pânico é sempre isso mesmo: desnecessário. Tenho até para mim que ninguém até hoje "panicou" por necessidade alguma. Como tal e dada esta crise instalada tenho a dizer-vos o que vou fazer amanhã: vou levantar-me pelas 7h e picos, tomar banho, e vou trabalhar. Ao fim do dia serei até capaz de vir para casa, jantar e dormir. E assim farei dia após dia, até que o fim do mundo chegue mesmo (esperando não estar em cuecas). Aí então, e quando não restar outra solução, sou capaz de migrar para qualquer lado e começar a criar galinhas e leitões para sobreviver, qual eremita no meio do mato, recorrendo a truques dignos do Tom Hanks em "O Náufrago" para me conseguir alimentar, e aos meus. Ah, é verdade... já pensaram que eventos como a queda de edifícios com milhares de pessoas, o alagamento de cidades inteiras, mal construídas, devido a cheias, ou tsunamis que engolem a costa de países, podem ser uma forma muito mais surpreendente do mundo acabar? Quem me conhece (e entende) percebe que não estou a escrever com negativismo: estou a escrever porque estou a "pensar", e recomendo que todos façam o mesmo.

3 comentários:

Luis Sardinha disse...

Se não fosse o facto de trabalhar para o banco a quem devo uma pequena fortuna chama casa, estava a torcer para que o banco fosse à falência, com sorte eles esqueciam-se da hipoteca ;)
Basicamente estou como tu, para quê levantar os 231,54 centimos das minhas poupanças quando devo uma casa?

E em relação ao fim do mundo, acho que iria achar piada a um ataque electromagnético que rebentasse com tudo o que era equipamento electrónico. Bora lá voltar todos à enchada...

apenas um gajo... disse...

O mundo acaba sempre por conseguir descobrir umas cuecas limpas!!!!
as cagadas que se vão fazendo lixam sempre uns milhões, mas quem sobrevive acaba sempre por seguir em frente ( que remédio!...)

Um abraço

Dani disse...

O problema é que segundo bocas que ouvi, as tuas dívidas ficas sempre com elas... agora se lá tiveres dinheiro depositado quando um banco vai à falência... bye-bye!

Enfim, nada que espante em demasia.