quarta-feira, novembro 08, 2006

Em Queda Livre...

Cada vez consigo menos preocupar-me com as coisas. Olho para as capas de jornais e leio títulos de 9 más notícias em cada 10. Vive-se na era do medo e do receio que geramos uns para os outros e uns com os outros, quando devíamos encarar aquilo que nos assusta e mandar os receios à merda. Uns julgam que têm muito azar na vida, outros julgam que têm muita sorte. Faço ocasionalmente parte de cada um destes grupos, em fases e momentos diferentes. Estes grupos e consequentemente eu, estão sempre errados. Não há azar nem sorte, há aquilo que nos acontece e o que fazemos em relação a isso. Há a forma como vivemos aquilo que a vida nos apresenta e nos coloca no prato todos os dias. A digestão pode ser lenta, ou rápida, ou inexistente. As coisas boas ajudam, os amigos ajudam, os amores ajudam, os desamores também porque nos fazem saber amar. Às vezes sinto-me em queda livre e é assustador. É ao mesmo tempo o melhor sentimento da nossa vida, pelo simples facto de nos fazer sentir vivos. O pior que nos pode acontecer é passar os dias dormentes, viver uma terça-feira porque esta se segue a uma segunda, apenas. Apetece-me fazer loucuras, apetece-me errar. E faço, e erro, muitas vezes. E às vezes faço loucuras só para mim e por mim. E é bom fazer loucuras! Então e os amigos? Pois é, já falei deles... mas é que são mesmo importantes. E às vezes estão onde menos se espera. Apetecia-me sentir em queda livre agora. E se não for agora, não faz mal. É amanhã de certeza. E sei que depois de amanhã continuarei a poder sentir-me assim. Não estou preocupado com nada neste momento. Também não tenciono estar. E mesmo que esteja, a preocupação é relativa e pode ser esquecida facilmente. Obrigado aos que me ajudam a não me preocupar. Obrigado aos que caem em queda livre comigo. Seus grandes malucos e malucas... sois como eu! Lembrei-me agora que ouvi hoje uma música que se chama "Free Falling". Não é Deus mas sim o subconsciente que funciona de forma misteriosa. O Tom Petty tem uma outra música que se chama "Learning to Fly"... sou capaz de pensar nisso, mas nunca vou deixar a queda livre.

10 comentários:

Luis Sardinha disse...

Infelizmente não consigo ser assim para tudo mas, tal como tu, não penso muito nas coisas que não afectam a minha vida.
Este post está inspirado e dá alguma inspiração pela verdade que transmite.
Mas não posso concordar mais contigo numa coisa, aquilo que dá cor a vida e nos faz levantar da cama é claramente o amor e os amigos.
O trabalho só serve para poder-mos ter $$ para os bifes. O resto pode ser tudo dispensável...

Abraço

Impaler disse...

A minha filosofia de vida é mesmo essa. Não há nada (até ver) que me faça perder o balanço. No outro dia no café estava a falar com uns amigos sobre o trabalho. Descobri que era o único que não mudava de profissão/curso. Eu, que nunca me preocupei muito em andar atrás do que gosto mais de fazer, era o único que não mudava. Como vejo o trabalho como uma forma de ganhar dinheiro, se calhar gosto de fazer o que me der mais? Ainda não sei... Até descobrir, não me vou preocupar...

Dani disse...

Sabe bem ler um texto destes!
Quem dera conseguir cair livremente mais vezes...

Um abraço

Kabe Ludo disse...

Por vezes quando as coisas se começam a complicar e procuro um escape,penso na importância que aquilo vai ter daqui a 100 anos...e chego (chegamos) à conclusão que nenhuma, a única coisa que não tem solução é a morte e se temos de cá andar, mais vale que seja com um sorriso nos lábios! (e um copo de visque na mão :P)

PS Avatar não ilustrativo, neste momento é uma c'neca de cerveja

coffee cup disse...

Sempre fui daqueles cujo medo era uma presença e cada passo avaliado. Mas chegamos a ponto e pensamos, mas para quê?? O que nos dá a vida se vivermos assim?
É tão bom fazer loucuras, fazer o que nos apetece, mesmo que a queda seja grande depois. Mas tenho a certeza que por maior que seja a queda acabamos sempre por ter força para nos levantarmos e seguir em frente.

Parabéns por mais um excelente texto.

jomaolme disse...

Os melhores momentos são quando estamos a meio da queda...sem nos preocuparmos como e qd saltar nem como e qd aterrar. Mas há os momentos em que os pés têm que estar bem assentes na terra.

Excelente texto!

Marco disse...

sardinha: discordas de coisas no teu comentário, que eu não disse...

impaler: fazes bem em não te preocupar muito... mas não te esqueças que também sabe bem fazer o que se gosta!

dani: para ti, para mim e para todos nós, acho que a queda é uma questão de treino.

kabeludo:
- Tinto ou branco?
- Cheio!


coffee cup: eu próprio não diria melhor! boas quedas... ;)

jomaolme: até para se saltar, tem de existir uma base de apoio... mas a queda continua a saber melhor!

todos: obrigado pelos comentários. ajudam a provar que estou certo naquilo que digo!

Luis Sardinha disse...

Mas eu não discordei em nada do teu post!

Kabe Ludo disse...

E é como diz o Luis Sardinha "O trabalho só serve para poder-mos ter $$ para os bifes."

Ao que acrescento: E também prós copos e prás garraidas com os amigos :)

Carrço disse...

...as quedas só acontecem porque tentamos subir e se tentamos subir é porque temos vontade e ambição de viver...a queda quando acontece serve sempre para nos ensinar algo e quando mais tarde nos lembramos dessa queda é porque ela nos ensinou a ser alguém melhor...por isso a força de vontade está dentro de nós e só nos resta sentir a adrenalina das nossas quedas!...