quarta-feira, setembro 16, 2015

Num Único Dia...

Num único dia consegui fazer algo que nunca imaginei ter de fazer ao mesmo tempo. Num único dia consegui apresentar a minha demissão do meu atual emprego, recusar uma oferta de trabalho de uma empresa e pedir uma oportunidade de emprego a outra. As três conversas em causa (todas difíceis, não pelos interlocutores, mas pelo conteúdo) foram tidas num intervalo inferior a 6 horas, e a decisão que me motivou e levou a entrar neste "furacão" de acontecimentos foi pensada e tomada na noite imediatamente anterior. Para isto tive de fazer algo que devo admitir me é muito difícil: pensar naquilo que é efetiva e exclusivamente melhor para mim e não aquilo que deixa os outros contentes comigo. Isto porque me custou imenso falar com o meu chefe atual por quem tenho o maior respeito e consideração e ter de lhe dizer que me vou embora. Isto porque me custou imenso dizer a um amigo que me fez uma proposta de trabalho, que terei de a recusar. Isto porque tive de me lançar na demanda de tomar a iniciativa de ir atrás de um emprego, com toda a incerteza que isso me traz. O pior de tudo é ter de admitir que a minha anterior mudança de posto de trabalho foi... um erro. Ter de admitir que mudei para pior, em relação ao que eu próprio tinha definido para mim e para a minha família, em termos de objetivos pessoais e profissionais. Ainda assim, como alguém muito importante para mim disse, "vale mais admitir um erro cedo do que insistir nele indefinidamente", por isso, resolvi tratar da situação o mais rapidamente possível. Lanço-me uma vez mais no desconhecido, porque ao dia de hoje não tenho concretamente nenhuma proposta de trabalho assinada e confirmada. Independentemente disso a carta de demissão será entregue sim ou sim amanhã. Posso não saber exatamente aquilo que quero, mas garantidamente sei o que não quero. Em breve, cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, setembro 15, 2015

Aldeia Típica de Mestre José Franco

No passado fim de semana visitei um local que já não visitava há bastante tempo: a Aldeia Típica do Mestre José Franco. E sinceramente fiquei muito contente por o ter feito, lamentando apenas ter estado tanto tempo sem por lá passar. É um local mágico, onde se sente o amor e dedicação que um homem colocou em tudo aquilo que fez. E que fez desprendidamente e desinteressadamente, ao ponto de, mesmo já não estando entre nós, se ter assegurado que um espaço que sempre esteve aberto a toda a gente, sem custos para o visitar, assim se mantém até aos dias de hoje. O Pedro lá se entreteve a admirar as coisas pelas quais passava, mas o Alex gostou mesmo! Uma espécie de Portugal dos Pequeninos, com história e aquelas pequenas coisas que hoje em dia dificilmente se encontram e vêem noutro lado. Desde profissões antigas, a tradições, diversões e até alguns animais... tudo foi motivo de interesse, e o interesse dele fez-me sentir bem. Sem dúvida um passeio a repetir, até porque depois dali até à Ericeira é um saltinho, e um almoço bem junto ao mar, regado com uma sangria de espumante, foi o remate ideal para este passeio improvisado.

segunda-feira, setembro 14, 2015

Primeiro Dia de Aulas

Hoje foi o primeiro dia de escola "a sério" do meu filho mais velho. Pelas suas ações e reações deu-me algum conforto ver que não estava particularmente nervoso com a situação. O fato de não mudar de escola, de manter muitos dos colegas antigos, de já ter começado as aulas este ano ainda que em modo "brincadeira"... tudo contribuiu para que este dia não seja um marco muito vincado e com muito peso psicológico e emocional. Ainda bem! Mesmo assim, eu mais do que ele, não consegui deixar de sentir o meu coração ligeiramente apertado quando hoje o levei à sua nova sala de aula, onde tudo vai começar a decorrer de forma diferente daquilo que conhecia, onde basicamente a sua realidade se vai transformar. A perspetiva de olhar para ele e ver um menino crescido, em vez de um bebé, causa-me uma emoção difícil de explicar. Um misto de saudade de tempos que já lá vão, com preocupação em relação ao seu crescimento, e expectativa em relação ao seu futuro. Acho que na realidade ele saberá viver e lidar com estes momentos melhor que eu, já que metade destas preocupações lhe passam completamente ao lado. Para já e como sempre tem sido até hoje, sinto um enorme orgulho no meu filhote mais velho, que é também (e já) o mano velho de quem o seguirá nos mesmos passos, muito em breve. Espero estar à altura de acompanhar ambos nas aventuras que são e serão as suas vidas, e que os meus defeitos e falhas não me impeçam ainda assim de ser um bom Pai, tal como o meu sempre foi para mim. Um bom primeiro dia de aulas, filho! O pai vai estar a pensar em ti o dia inteiro!

sexta-feira, setembro 11, 2015

Vacinas & Outras Profilaxias

Na sequência da minha última viagem, afinal o meu próximo destino turístico para fins profissionais deixou de ser a Turquia e passou a ser... o Gana. Posto isto, e na qualidade de país extremamente desenvolvido a visitar, impôs-se de imediato a tradicional Consulta do Viajante para começar a aventura dos preparativos da viagem. Para tal optei por ir ao Egas Moniz, mais concretamente ao Instituto de Medicina Tropical (por uma questão de proximidade e por supostamente serem os mais credenciados na matéria). A consulta correu bem, com um Sr. Dr. de aspeto bonacheirão mas extremamente claro, conciso e evoluído tecnologicamente (fiquei de fazer os contactos pós-regresso via e-mail). Dali levei a primeira pica (febre amarela), uma receita para aviar outra (hepatite A) e mais meia dúzia de tralhas entre as quais antibiótico S.O.S. para desarranjos intestinais e repelente para esfregar na pele, roupa, lençóis e acho que até cortinados ou coisa que o valha. Como isto das viagens vai claramente começar a "apertar", foi tempo de (antes de enviar o meu passaporte para Paris para obtenção do visto para o Gana) ir tirar um segundo passaporte. Assim, passo a poder viajar com um enquanto o outro está "em obras" numa embaixada qualquer... espetáculo! Hoje foi dia de ir levar a segunda pica. Para mal dos meus pecados, mantive o critério de proximidade como fundamental e fui a uma farmácia onde a Sra. Dra. Farmacêutica é quem administra. Na primeira tentativa não se deu a coisa, porque a Dra. tinha ido... ao cabeleireiro. Na segunda tentativa já estava presente, e de cabelinho arranjado. De mãos trémulas, no alto dos seus cerca de 99 anos de idade, a muito esforço lá me conseguiu espetar a agulha ainda que um pouco ao lado do que seria suposto. Arrisco dizer que falhou o pescoço por centímetros... e ainda bem porque o ombro (onde a levei) dói-me como a merda! A preocupação em relação a este simples procedimento era clara no rosto da senhora e nas 32 vezes que me perguntou se me estava a sentir bem, enquanto fazia a administração da vacina. Tive ainda de lhe explicar o porquê da vacina trazer duas agulhas (para administrar em duas doses caso se tratasse de uma criança) e também que "2 a 4 semanas" não era o prazo para levar a segunda dose, mas sim o período em que a vacina deveria fazer efeito... Pelo meio conseguiu rasgar o meu certificado de vacinação internacional, carimbar 3 linhas do mesmo em vez de uma e colar uma vinheta da vacina da hepatite em cima do último registo da vacina do tétano. Falta-me agora tomar mais um comprimidinho para a profilaxia da malária na véspera da viagem. Ouvi dizer que é porreiro, sobretudo se no mesmo dia beber álcool (mesmo que seja uma simples cerveja "sem álcool" que na realidade tem 0,5%...). Resultado esperado? Alucinações! É tão bom viajar...

quarta-feira, setembro 09, 2015

O dia em que apaguei a minha conta do Facebook

Como habitualmente fazia, durante o serão de ontem e já depois de deitar a criançada, dei por mim a desperdiçar uma vez mais tempo valioso a alimentar o cérebro com lixo. Lixo, aquilo que existe em grande quantidade na maior rede social de todos os tempos. O que inicialmente era uma plataforma onde as pessoas podiam manter contacto umas com as outras, onde familiares e amigos podiam matar saudades através de fotos e mensagens, onde se podiam combinar encontros no mundo real, passou a ser uma plataforma para potenciar a disseminação de lixo visual, de notícias que nos deixam deprimidos, de histórias e estórias desinteressantes ou falsas, de mecanismos de deturpação da realidade, de meio de expressão de opiniões agressivas e extremistas. Passou inclusivamente a ser o foco de afastamento de pessoas em alguns casos (é frequente ouvir o termo "desamigar" hoje em dia). Em suma, passou a incluir no seu todo uma quantidade suficiente de aspetos negativos que, a meu ver, começam a ultrapassar os positivos. Neste, como em tantos outros casos da nossa vida, penso que devemos ser seletivos. E por muito que possamos dedicar tempo a personalizar aquilo que queremos ver e não ver no Facebook, por muitas ferramentas de remoção de publicidade que possamos instalar nos nossos computadores, por muito criteriosos que pretendamos ser com os nossos "amigos", no fim do dia vamos certamente ver algo que não gostaríamos de ter visto de qualquer forma. Simplesmente está fora do nosso controlo. Outro fator negativo é o vício do consumo fácil de informação (útil e não útil) e da necessidade de obter retorno sobre o que escrevemos e publicamos, que nos rouba tanto tempo diariamente. Se uma pessoa passar em média 1 hora por dia no Facebook, no final do ano gastou 365 horas, o que fazendo o cálculo a 24 horas por dia, representa 15 dias! Pior ainda se fizermos o cálculo a 8 horas por dia (um horário normal de trabalho) representa algo como 45 dias!!! 45 dias úteis sentado em frente ao computador a comer lixo visual e (des)informativo! Por mim, chega. Sei que vou perder algumas coisas boas, e possivelmente para aqueles que hoje em dia gerem os contactos com os seus amigos exclusivamente via Facebook, se calhar irei perder também o contacto com eles. De qualquer forma acho que vale a pena arriscar. Vale a pena investir, por exemplo, o tempo que habitualmente perdia, a tomar eu a iniciativa e estabelecer um contacto mais direto com as pessoas com quem quero estar ou falar. Vale a pena converter este desperdício de tempo noutras atividades mais compensatórias para o corpo e para a alma. Por isso tudo, o dia em que apaguei a minha conta do Facebook... foi ontem. Amigos (reais), sabem onde me podem encontrar.

segunda-feira, agosto 31, 2015

Lisboa é Linda!

Gosto de Lisboa. Posso ter empregos mais ou menos de acordo com as minhas expectativas, que me dêem mais ou menos realização pessoal, mas gosto de trabalhar em Lisboa. É certo que o meu sonho seria poder fazer algo que me permitisse sair de entre quatro paredes e poder usufruir de um cenário mais próximo da natureza, mas em contexto citadino duvido que haja melhor lugar para se estar, do que uma cidade brindada com a envolvência de um rio como o Tejo, e de uma paisagem que nunca é a mesma de cada vez que lançamos um novo olhar. Olhando para trás ao longo do meu caminho profissional, comecei pela Rua da Junqueira, com direito a vista para o rio. Algum tempo mais tarde, passei para o Terreiro do Paço, também com vista para o rio e o privilégio da proximidade do Chiado e outras zonas circundantes. Mais tarde acabei por me afastar do rio e passar algum tempo na zona do Campo Pequeno, que também tinha o seu encanto. Depois passei a minha única "fase negra" quando fui "exilado" para um edifício integrante na maior superfície comercial de Lisboa (até hoje nunca mais fui capaz de frequentar o Colombro como conseguia fazer anteriormente). Acabei por sair dali para o Saldanha, onde me libertei da claustrofobia consumista. Mais recentemente reaproximei-me do rio, estando agora junto à 24 de Julho. Sinceramente, do novo "estaminé" o local é das poucas coisas que me agradam (apesar de ficar bastante longe de onde moro). Mas também admito que a localização vale bastante. Num dia da passada semana fui almoçar, e no regresso parei, olhei e respirei (no Largo das Necessidades). E vi uma paisagem que acredito muitas pessoas pagariam para ter direito a ver. Como pensei na altura, escrevo agora... Lisboa é linda!

sexta-feira, agosto 21, 2015

Muscat

Na sequência de ter abraçado uma nova experiência profissional em maio, e depois de alguma expectativa e relutância relativamente à possibilidade de ter de fazer várias deslocações para fora do país em contexto profissional, finalmente aconteceu. Confesso que nesta fase da minha vida é algo que não me interessa muito. Há alguns anos atrás a perspectiva de viajar e conhecer vários países, seria espectacular, mas hoje em dia o meu maior desejo é ter tempo para poder estar com os meus filhos e absorver todos os minutos em que tenho o privilégio de estar na companhia da minha família. Digamos que estou mais caseiro... Ainda assim, valores "mais ou menos" altos se levantaram e lá fui eu na minha primeira viagem, ate Omã. Entre viagens e estadia foram 4 dias muito cansativos. Dada a minha incapacidade de dormir em quaisquer meios de transporte, as muitas horas de avião foram penosas para mim. Uma viagem de ida com 3 vôos entre Genebra, Dubai e Muscat, com chegada às 05h00 para passar o dia inteiro no cliente, deixou poucas energias para a noite. Ainda assim consegui sair para jantar no Trader's Vic, um restaurante com um ambiente fantástico e que, não tendo o seu expoente máximo em Muscat (segundo sei o melhor é o do Barein), foi bastante agradável. Duas moças de aparência agradável à vista cantaram mesmo ao meu lado, e animaram o jantar. Mas como o peso das muitas horas acordado se fazia sentir, fui dali direitinho para o hotel fazer um grande óó... No segundo dia também passado inteiramente no cliente, apesar do jet lag o ânimo já era outro. Por isso, no final deu para passar pela praia a caminho do hotel e molhar os pezinhos naquela espécie de sopa que é o mar por aquelas bandas. Sinceramente nunca vi uma coisa assim. Os 40 e muitos graus que se fazem sentir durante o dia, ou até mesmo as temperaturas mínimas de 30 que se fazem sentir à noite, não podem ter como alternativa um banho de mar, já que aquele "caldinho" é tudo menos refrescante. A proporção de mais ou menos 50 homens na praia, para cada mulher presente (e de burka) também proporciona um cenário no mínimo invulgar. Após a praia parámos no Sport's Bar, um dos raros locais onde se servem bebidas alcoólicas, para beber uma mais que desejada cerveja bem fresca, antes de ir ao hotel tomar (mais um) banho e seguir para o restaurante para degustar um derradeiro jantar. O local seleccionado foi o Kargeen, onde finalmente tivemos a oportunidade de provar comida tradicional - ainda que eu não seja propriamente fã de borrego. Foi tudo muito bem servido (ainda que sem direito a álcool a acompanhar) e a conversa esticou-se pela noite fora, falando sobretudo sobre o choque cultural que em tão curta estadia ainda assim se faz sentir. Desde as vestes tradicionais que a grande maioria dos locais usa, até aos aspectos religiosos, passando por outros hábitos e costumes, tudo tem um sabor especial. Duas crianças que repentinamente se ajoelham à nossa frente no aeroporto para rezar, enquanto esperamos pelo nosso voo... homens que lavam os pés em lavabos públicos antes das suas rezas... Regras de indumentária e protocolo a que as mulheres estão sujeitas... As particularidades de viver num sultanato e a relação que o povo tem com o seu (amado) líder... A riqueza disponível pelo facto de se estar num país "sentado" sob petróleo... Tudo assume um estranho carácter exótico e parece especial. Não seria capaz de viver ali. Aquilo que numa curta estadia parece exótico e raro, rapidamente se transformaria em sentimento de privação numa estadia mais prolongada. No final da noite e dado o avançar da hora, o regresso ao hotel serviu apenas para mais um banho e para fazer o checkout, já que o voo de regresso saiu às 04h00. Um atraso na partida e outro na chegada ao Dubai, fizeram com que tivesse de percorrer o aeroporto em modo Usain Bolt, para não perder o voo de ligação para Lisboa. Uma vez em casa passei a tarde a marcar golos de cabeça até finalmente me deitar com o confortável sentimento de estar finalmente de volta, junto dos meus. Next stop? Em princípio, Turquia, mas o futuro o dirá...

sexta-feira, julho 31, 2015

Guerra e Paz

Dada a minha vulnerabilidade ao tema, dou por mim a ler uma larga variedade de artigos de opinião e textos mais ou menos (na maioria das vezes, menos) científicos sobre a parentalidade. Estes textos e publicações dividem-se entre o sério e o trágico-cómico, na medida em que uns tentam assumir um tom didáctico e mais prático, enquanto outros tentam realçar os contornos cómicos de vidas por vezes dramáticas, de pais, em torno dos seus filhos. Na realidade penso que ambas as perspectivas são reais. Pelo menos no meu caso é o que sinto. Por isso não sei muito bem em que tom vai resultar esta minha tentativa de verbalização de sentimentos em torno do facto de... enfim... ser pai... de dois. Um deles, o primeiro, potencial filho único que acabou por não o ser, já não dá propriamente trabalho algum. Já deu. Os cinco anos passados dar-nos-iam (ao pai e à mãe) o relaxamento mais que merecido obtido através do regresso a situações da vida dita social, que o poderiam envolver mesmo nesta idade, sem qualquer espécie de transtorno para os pais onde novamente me incluo. Escrevo a última frase como mera hipótese, porque na realidade existe o segundo. O segundo, no topo do seu primeiro ano de vida, recheado de uma personalidade que nada tem a ver com o primeiro, teve o dom de nos retirar o nirvana quase alcançado, e lançar de novo no mundo das fraldas, da privação extrema de sono (como eu nunca achei ser possível um ser humano tolerar) e dos nervos em franja após a fase da ilusão em que “este se calhar vai ser diferente”. A realidade é que crianças são crianças. Seja em que fase da infância for. E estão cá porque nós assim o decidimos. Não concordo com a ideia de que somos 100% responsáveis pela sua personalidade, temperamento, feitio ou aquilo que for. Não podemos ver a evolução de um ser vivo à lupa de um microscópio, porque existe um infindável conjunto de elementos, factores e pequeníssimos acontecimentos que contribuem para a sua evolução, dos quais nem sequer nos apercebemos. A genética é um exemplo disso mesmo, quando a personalidade de um bebé é perceptível poucas horas depois de este nascer (experiência própria). Somos no entanto os principais responsáveis por gerir esses factores externos da melhor forma possível, com as ferramentas que temos ao nosso dispor. A questão é que a determinada altura damos por nós em guerra. Primeiro, guerreamos com os filhos, porque acabamos por ter a ideia peregrina que eles estão em guerra connosco, quando na realidade lutam por aprender a gerir os seus próprios sentimentos e emoções. Depois guerreamos entre nós, pais. O pai com a mãe porque isto... a mãe com o pai porque aquilo. Depois guerreamos com o nosso próprio ser. Porque eu não era assim... nunca fui... achei que nunca poderia ser... e agora sou. E não gosto. E não sei o que fazer para voltar a ser quem eu achava que era. Mas se calhar não era. E agora tenho de aprender a ser outra vez, mas de maneira diferente. Em todas estas fases que descrevo, e no meio de algo que sei que ainda não acabou e por isso não posso para já descrever, posso revelar um truque que para mim, e contra a minha própria natureza nervosa, tem vindo a funcionar: preocupar-me menos. Preocupar-me menos com o que pode acontecer, porque muito provavelmente não o poderei evitar. Deixar de sofrer por antecipação, ao pensar em todos os cenários possíveis e imaginários em que as coisas podem não correr bem, porque não sei de facto o que vai acontecer. Ou melhor, em que as coisas podem não acontecer como eu gostaria. E o segredo do meu truque está aqui mesmo. Se deixarmos de correr atrás das nossas expectativas de uma “vida normal”, percebemos que entretanto veio ter connosco uma “vida melhor”, porque na realidade são essas expectativas (na realidade muito pouco interessantes) que nos inibem de perceber que... estamos lá! São essas perspectivas egocêntricas de querer tanto fazer algo que pode até nem ser assim tão pertinente, que nos inibem de apreciar os etéreos momentos em que, em vez disso, acalmamos o choro de um bebé e ele encaixa a sua pequena cabecinha no nosso pescoço, por fim, em paz... que nos inibem de desmontar uma situação tendo a capacidade de provocar o riso e a gargalhada em vez de provocar o choro e a tristeza... que nos inibem de transformar a excitação infantil em cansaço natural e consequente paz e sossego, em vez de irritação e transtorno... que nos inibem de educar educada e educativamente em vez de simplesmente ralhar ou gritar... que nos inibem de perceber o que já temos, e que nem sequer estávamos à espera de alcançar. É difícil de perceber isto. Porque supostamente estamos em guerra. O problema é que nesta guerra, o nosso inimigo somos nós próprios. Eu pessoalmente, não sei se mais pela força do raciocínio e meditação, se do cansaço... já não quero lutar... prefiro a paz. E tenho duas pessoas em miniatura muito grandes, que com toda a certeza me vão ajudar a alcançá-la! Na realidade, já estão a ajudar, minuto a minuto. Pouco passa da meia noite e já tive de adormecer o mais novo duas vezes. Não faz mal... acabei de o deitar novamente e beijei-lhe a testa antes de o fazer. Boa noite a todos e, se por acaso e porque são férias os vossos filhos ainda não se deitaram, despeçam-se deles e digam-lhes o quanto os amam. Se já dormem, aconcheguem-lhes o lençol, dêem-lhes também um beijo na testa, e amanhã demonstrem-lhes de alguma forma o quanto os amam e o quanto eles são importantes. Afinal, se eles não estivessem cá nunca descobriríamos quem somos realmente e a nossa vida seria sem dúvida muito menos interessante.

quinta-feira, julho 09, 2015

Nove do Sete

Hoje a pessoa com quem escolhi passar o resto da minha vida faz anos. Era meu hábito escrever algo especial neste dia especial, para lhe oferecer, num postal. Mas se a memória não me atraiçoa, nos últimos dois ou três aniversários por um motivo ou outro (leia-se desculpa ou outra) acabei por não o fazer. Acho que é uma tradição a retomar por todos os motivos possíveis. Por isso, desta vez para além de escrever algo, faço-o de forma a que este texto seja partilhado com quem me lê (ou pelo menos a quem interessar).

A ti, Sofia, digo-te que o que me move a escrever-te hoje, para além do teu aniversário, é o reconhecimento daquilo que significas para mim. Sempre que tento estruturar na minha cabeça uma forma possível de o descrever acabo por ter pensamentos desorganizados, tal é a quantidade de coisas que tenho para te dizer. Por isso vou dar o meu melhor mas desculpa se por vezes a coisa não ficar muito clara.

És… o meu refúgio. És a pessoa que sei que está sempre à minha espera, para me colocar a mão no ombro, para me abraçar, para me dar um beijo e dizer que vai correr tudo bem, quando as coisas correm menos bem. És a pessoa que vê o melhor caminho que devo seguir quando surge o nevoeiro. És a pessoa que confia em mim para percorrer esse caminho, por vezes mais do que eu próprio. És a pessoa que percorre o caminho comigo, mesmo quando faço a escolha errada.

És… a minha heroína. És a pessoa que eu mais admiro, por tudo aquilo que consegue fazer, sempre sem vacilar. Não amíude falta-me a paciência quando tu a consegues manter. Falta-me a força quando tu consegues ser forte. Falta-me o discernimento quando tu consegues ser racional. És mãe, és mulher, és profissional, e em tudo és boa a sê-lo. E nunca deixas de o ser.

És… o meu ânimo. És alguém com com brinco. Aprendeste a deixar-me brincar contigo, mesmo quando as brincadeiras não eram ou não são do teu agrado. Ris-te comigo e isso faz-me rir. Gosto de rir, mas gosto muito mais de me rir contigo. Aprendemos a rir um do outro e de nós próprios, em conjunto. E os nossos meninos também já aprenderam e também vão fazer parte desta risada geral pela vida fora, que é o melhor remédio para a felicidade.

És… a minha inspiração. Quando por vezes me esqueço daquilo que me motiva e me move a fazer determinadas coisas, penso em ti. Penso em nós e naquilo que até hoje construímos juntos. Lembro-me que esses são os derradeiros objetivos que temos e penso que as razões para fazer tudo aquilo que faço são essas mesmas. Quando uma manhã ou uma tarde ou uma hora ou um minuto não correm como gostaria, lembro-me que no final do dia estarei contigo, e sei que essas horas ou minutos vão correr como quero que corram. E sei que não tenho de me preocupar com isso, porque simplesmente vai acontecer, aconteça o que acontecer.

És... a minha musa. Mesmo em fases da vida como a atual, em que a criatividade e a inspiração não me sobejam, consigo encontrar os resquícios de tudo isso que há em mim, escondidos em ti. Quando te procuro dentro de mim, encontro-te e encontro-me a mim também. Lembro-me daquilo que sou e volto a ser capaz de fazer aquilo que gosto de fazer. E a criatividade e a imaginação voltam a funcionar. E sou capaz de trautear uma música… sou capaz de visualizar uma das paisagens que visitámos… sou capaz de rever momentos específicos na minha cabeça, como aquele em que te conheci… sou capaz de escrever como faço agora, neste momento.

És… a minha mulher. Passados 12 anos desde que nos conhecemos, continuo a olhar para ti e simplesmente a desejar-te. Continuo a perder-me no teu rosto, no teu olhar e nos pormenores do teu corpo. Faço-o divertida e silenciosamente quando não reparas. Interrogo-me se farás o mesmo comigo. Fico feliz quando finalmente nos encontramos. Fazes inexplicavelmente com que nenhuma outra mulher seja relevante porque sinceramente só me apetece estar contigo.

És… tudo para mim.

Parabéns. Tenciono escrever-te mais, e antes do próximo nove do sete. Um beijo.

quinta-feira, julho 02, 2015

O Burro Sou Eu

De vez em quando gosto de me presentear a mim próprio a meio do dia, nem que seja com um simples almoço "chill out". Então lá vou a um lugar qualquer à minha escolha, simplesmente desfrutar da paisagem e da comida. Hoje foi um desses dias, e como um dos privilégios de trabalhar na zona de Alcântara é estar a poucos minutos a pé das docas (entre muitos outros locais que tenho aproveitado para visitar), foi este o destino escolhido. Enquanto esperava pela minha pizza Siracusa e beberricava a minha Stout, tive a oportunidade de assistir a uma cena circense de um par de velhotes que chegou naquele momento à doca. Objetivo: atracar uma pequena embarcação no cais. Algo que poderia ser simples, mas não o foi. Na primeira tentativa de aproximação (e não obstante os gritos do velhote nº2 que se encontrava na popa) o velhote nº1 embateu violentamente no cais tendo sido obrigado a reposicionar-se para tentar nova manobra. Na segunda vez, e já com menos velocidade, conseguiu não embater de novo contra o cais. Desta feita foi contra a embarcação que estava ao lado. Como se diz na gíria militar, era tempo de voltar à primeira forma, pelo que resolveu sair da doca e voltar a tentar. Embateu de novo contra um cais onde se encontrava outra embarcação. Nisto o velhote nº2 já tentava auxiliar da forma que podia, lutando desesperadamente para afastar a embarcação de todos os alvos a que o velhote nº1 fazia pontaria, com um varão metálico, sem sucesso. Finalmente e passados cerca de 15 minutos, lá conseguiram atracar no respetivo cais, não sem antes evitar um forte embate da proa do navio, onde ficou uma amolgadela para a posteridade. Dei por mim a rir-me daqueles dois senhores que tentavam desesperadamente atracar o Ricardo III (pomposo nome para tão pequena embarcação), acabando por rir mais de mim próprio, que nesta quinta-feira estava a desfrutar de breves momentos de descontração a meio de um dia de trabalho, enquanto que aqueles dois de quem instantes antes me ria chegavam provavelmente de uma bela pescaria, num dia maravilhoso, com um tom de pele que evidenciava tratar-se de algo que fazem frequentemente. Como dizia o Scolari... acho que o burro sou eu.