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sábado, julho 21, 2018

Millenials e o Velho do Restelo

Não querendo parecer um velho do restelo, considerando o tema sobre o qual vou aqui dissertar, aviso desde já que vou ser politicamente incorreto. Esse tema são os millenials ou geração Y, e a forma como encaram a vida em geral e o trabalho em particular. Escuto com frequência chavões e frases feitas, afirmações de como esta geração está muito mais bem preparada que as anteriores em todos os sentidos e como todas as gerações anteriores são, portanto, obsoletas na sua forma de ser, pensar e estar. Gostaria de começar por isso por responder que esta última depreciação das gerações que antecederam os millenials é uma generalização e, portanto, inevitavelmente injusta. Mas seguindo no tom dessa injustiça que é própria das generalizações, há que responder na mesma moeda, referindo que os millenials também não têm essa "bola toda". Pegando numa imagem que me chegou via LinkedIn (rede social em que - ainda - tenho uma presença) e que muito prontamente foi aplaudida e elogiada por todos, permito-me dissecar cada afirmação nela constante, individualmente.


"Não queremos um emprego para a vida."
Os empregos para a vida já não existem há muito tempo, se é que alguma vez existiram. Não ter a ilusão de que se vai trabalhar para sempre no primeiro emprego que nos aparecer é uma coisa, outra é assumir a postura de "salta pocinhas" entre empregos. Na minha atividade lido com bastante recrutamento, e com frequência aparecem pessoas com 3 ou 4 anos de experiência, que já passaram por 3 ou 4 locais de trabalho (ou mais). Salvo raras exceções, isso significa que essas pessoas não souberam lidar com o que quer que lhes tenha sido apresentado e simplesmente desistiram. "Desistente" não é um adjetivo muito "sexy" para se colocar num CV. Será que não tem mais valor alguém que é capaz de gerir situações adversas para alcançar os seus objetivos, do que alguém que "não está para se chatear" e só porque o mercado (ou a carteira dos pais) assim o permite, sai porta fora?

"O worklife balance é importante para nós."
Assim como o é para toda a gente. No entanto, o trabalho não tem de ser visto como algo negativo cujo contraponto da felicidade é o que se faz fora dele. Será que sendo o trabalho uma fonte de realização (ou no limite um meio para chegar a um fim), não será portanto sinónimo de satisfação? Será que se andarmos satisfeitos, não seremos também melhores pais, filhos, maridos, irmãos…? Será que temos de pensar de forma tão isolada entre o "work" e o "life", como dois pratos distintos de uma balança, cujo equilíbrio tem de ser mantido de forma quase nazi? Posso ser velho do restelo nesta linha de raciocínio geral que aqui exponho, mas aos modernos millenials há que alertar a existência de um termo mais recente que o "worklife balance": o "worklife blend". Sim, é verdade, não somos robôs, pelo que as duas coisas misturam-se. É possível termos amigos com quem convivemos dentro e fora do local de trabalho, assim como é possível executar uma ou duas tarefas relacionadas com o nosso trabalho enquanto estamos em casa, sem que a ordem mundial seja afetada por isso.

"Gostaríamos de ter mais oportunidades para crescer."
Concordo. É algo que muita gente (ainda que nem toda a gente) quer. E esse querer e ambição devem ser equilibrados e acompanhados por moderação, tolerância e alguma paciência. Uma vez mais e de acordo com a minha experiência pessoal ao nível de recrutamento, o que vejo são pessoas que saíram das universidades há 3 ou 4 anos (depois de um curso com uma duração inferior aos chamados "pré bolonha") e que ambicionam auferir o ordenado (e já agora a função) de alguém que trabalha há 15 ou 20 anos no mesmo negócio ou função. Não vou discutir o tema das ferramentas e capacidades que essas pessoas possuem, nem da ambição que carregam, mas… e a equidade? Onde é suposto ficar? Alinhar com estas pretensões dos mais novos, não será também tratar como lixo e passar um atestado de incompetência aos mais antigos? No que diz respeito ao crescimento pessoal e profissional de cada um, os millenials deveriam interiorizar um adjetivo que muito gostam de referir (e exigir) sobre as organizações que os acolhem: "sustentável".

"Dêem-nos oportunidades para sermos líderes."
Claro que sim! Simplesmente pode não ser já amanhã. Porque é que alguém que só agora chegou ao mercado de trabalho, tem de ter a oportunidade de ser um líder no dia seguinte? Existem líderes natos, é certo, mas para se ser um bom líder, é também preciso ter primeiro uma boa aprendizagem sobre o que isso implica. É preciso observar outros bons líderes levarem a cabo a tarefa de liderar e aprender com eles. É preciso ver os erros que cometem e as coisas boas que fazem. É preciso definir e interiorizar bem o conceito de se ser líder, para depois tentar aplicá-lo, tendo a consciência de que também se pode (e irá) falhar. E ter a preparação para isso, sabendo levantar depois de cair, sabendo voltar a tentar. A liderança não é um prémio, muito pelo contrário, pode até ser um fardo. E se for levada a cabo levianamente pode ter consequências desastrosas, não só para quem lidera, mas sobretudo para quem é liderado (e no limite, para as suas famílias). Já liderei e posso dizer que perdi muitas noites de sono à conta disso. Por isso só consigo pensar que esta vontade urgente e irracional de se ser líder sem saber o que isso representa ao certo, pode ser um sinal preocupante de irresponsabilidade.

"Decidimos de acordo com os nossos valores pessoais."
Uma frase bonita para se colocar num autocolante. Não quer dizer absolutamente nada. Obviamente que todos nós decidimos de acordo com os nossos valores pessoais. Simplesmente nem todos teremos os mesmos valores. Esta é uma das falácias da injustiça da generalização. Não obstante a geração a que pertencemos, somos todos pessoas diferentes. Crescemos de maneira diferente, expostos a realidades distintas, e o nosso caráter foi definido de acordo com a experiência individual de cada um. As empresas têm os seus valores, assim como as pessoas que nelas trabalham. O alinhamento entre ambos é importante, mas a vontade individual de cada um prevalecerá sempre, quer seja no sentido de aplicar os valores da organização, ou decidindo não o fazer e aplicando em detrimento disso os seus próprios (para o bem e para o mal).

"Achamos que o foco das empresas deve ir para além do lucro."
Concordo. O foco das empresas deve ir (e hoje em dia assim é na maioria dos casos) para além do lucro. O que vemos hoje em dia são empresas que se preocupam com as pessoas que nela trabalham, com a sua pegada ecológica, com a sua intervenção social, entre outros. Se pensarmos na evolução das empresas de há 100 anos para cá, essa evolução torna-se clara e óbvia. Esse caminho foi e continua a ser percorrido, essa orientação é cada vez mais um pressuposto do que uma opção e… que eu saiba… não foi algo que os millenials tenham inventado, mas sim algo que foi colocado em marcha muitos anos e gerações antes de estes aparecerem. Ah, mas importa referir que, sem lucro, as empresas não existem. Sem lucro, as empresas não podem ir além de pagar o salário aos seus colaboradores, criando mais e melhores condições para alcançar as muitas exigências que os millenials colocam. Sem lucro as empresas não crescem, e não crescendo, afundam-se. Uma vez mais, neste como em tantos outros chavões, a virtude encontra-se algures no meio.

"Valorizamos a sustentabilidade nas organizações."
Ainda que (de uma forma egoísta) isso possa parecer pouco relevante para alguém que não pensa em empregos para a vida, e que pouco mais que um ano se dedica a cada organização por onde passa. É mais uma vez óbvio que a sustentabilidade das organizações é algo a valorizar, dizer o oposto seria simplesmente estúpido. Mas e a sustentabilidade relativa às pessoas que trabalham nessas organizações? É sustentável para uma organização ter de recrutar dezenas ou centenas de pessoas, todos os anos, porque as que lá estão "não querem empregos para a vida", ou perante a primeira adversidade batem com a porta? É sustentável ter que mudar uma pessoa de funções de um dia para o outro, porque se não o fizer essa pessoa vai-se embora? É sustentável criar falhas na equidade das organizações, porque "aquela" pessoa é mesmo necessária para uma determinada tarefa e se não lhe dermos o que ela quer, não vem? É sustentável criar cada vez mais e mais regalias para pessoas que cada vez menos lhes dão valor? Cada vez temos empresas que tentam ser sustentáveis, à custa de pessoas insustentáveis, o que se revela inevitavelmente um paradoxo, cujo resultado a longo prazo é para mim incerto. À luz dos dias de hoje, sou velho, pelo que poderei nem sequer assistir a um desfecho sobre esta matéria.

Dos poucos leitores que este texto possa ter, certamente uma parte significativa não gostará do que lê (se não a maioria). Ou porque o vão rotular de politicamente incorreto, ou desprovido de visão, ou preso a uma forma de estar e de ser que pertence ao passado. No entanto (e assumindo claramente que talvez por estar eu próprio a envelhecer) a cada ano que passa este sentimento é mais forte em mim (apesar da confiança que tenho nas minhas próprias capacidades). Se é resultado de algum receio de ser eu próprio visto como obsoleto? Sim, já o vi acontecer no passado a pessoas que me são próximas, e quando se nos apresenta à frente é um caminho difícil e duro de percorrer. Se essa é a principal razão do meu sentir? Não, porque mais do que a injustiça de imaginar que quem percorreu e percorre atualmente o seu caminho (de uma forma completamente válida) no mercado de trabalho dos dias de hoje possa ver o seu prazo expirar compulsivamente, aborrece-me a injustiça de isso acontecer porque quem vem aí pode não saber aproveitar estas pessoas, o seu conhecimento e a sua experiência, para construir o seu próprio caminho de uma forma sustentável, crescendo sem saltar degraus na escada da sua evolução pessoal e profissional, só porque isso (como tantas outras coisas nos dias de hoje) é moda e aparentemente fácil. Uma última nota a todos os millenials: a geração seguinte dos centennials (ou Z) está aí e depois dessa virá outra, pelo que a obsolescência tocará inevitavelmente a qualquer um, a uma velocidade cada vez maior…

segunda-feira, julho 16, 2018

Um Novo Ciclo

Decisão tomada. Depois de cerca de 5 anos no mundo da consultoria (subtraindo um curto período de 6 meses pelo meio em que resolvi experimentar outras andanças), é tempo de mudar novamente de vida (leia-se, de trabalho). Não era algo que procurasse ativamente, mas foi um convite que recebi bem, ainda que com as devidas preocupações e apreensões que fazem parte deste tipo de tomada de decisão… A oportunidade de mudar de ares é sempre apelativa. Uma página em branco, na qual nos podemos reescrever e por isso redefinir. A perspetiva de evitar alguns erros que nos reconhecemos no passado, trabalhando no sentido de criarmos uma versão melhor de nós próprios. A isso aliada a possibilidade de rever e trabalhar com pessoas com quem já tive o privilégio de o fazer no passado, foi esta a lista dos motivos que me levaram a tomar a minha decisão final. Deixo para trás um trabalho que julgo ter feito com alguma competência e dignidade, um grupo de colegas e amigos dos quais terei saudades e o sentimento de dever cumprido. Não terei sido perfeito, mas julgo que ninguém o será. Agora é tempo de começar a viver o "phase out" de uma casa pintada de verde, e começar a preparar a entrada noutra casa desta feita pintada de laranja. São já algumas as cores pelas quais passei, mas acredito e espero sempre que a seguinte seja a que me fica melhor, e desta feita não é exceção. Resta-me aguardar algumas semanas, já com uma certa ansiedade. As férias pelo meio irão ajudar.

sexta-feira, agosto 21, 2015

Muscat

Na sequência de ter abraçado uma nova experiência profissional em maio, e depois de alguma expectativa e relutância relativamente à possibilidade de ter de fazer várias deslocações para fora do país em contexto profissional, finalmente aconteceu. Confesso que nesta fase da minha vida é algo que não me interessa muito. Há alguns anos atrás a perspectiva de viajar e conhecer vários países, seria espectacular, mas hoje em dia o meu maior desejo é ter tempo para poder estar com os meus filhos e absorver todos os minutos em que tenho o privilégio de estar na companhia da minha família. Digamos que estou mais caseiro... Ainda assim, valores "mais ou menos" altos se levantaram e lá fui eu na minha primeira viagem, ate Omã. Entre viagens e estadia foram 4 dias muito cansativos. Dada a minha incapacidade de dormir em quaisquer meios de transporte, as muitas horas de avião foram penosas para mim. Uma viagem de ida com 3 vôos entre Genebra, Dubai e Muscat, com chegada às 05h00 para passar o dia inteiro no cliente, deixou poucas energias para a noite. Ainda assim consegui sair para jantar no Trader's Vic, um restaurante com um ambiente fantástico e que, não tendo o seu expoente máximo em Muscat (segundo sei o melhor é o do Barein), foi bastante agradável. Duas moças de aparência agradável à vista cantaram mesmo ao meu lado, e animaram o jantar. Mas como o peso das muitas horas acordado se fazia sentir, fui dali direitinho para o hotel fazer um grande óó... No segundo dia também passado inteiramente no cliente, apesar do jet lag o ânimo já era outro. Por isso, no final deu para passar pela praia a caminho do hotel e molhar os pezinhos naquela espécie de sopa que é o mar por aquelas bandas. Sinceramente nunca vi uma coisa assim. Os 40 e muitos graus que se fazem sentir durante o dia, ou até mesmo as temperaturas mínimas de 30 que se fazem sentir à noite, não podem ter como alternativa um banho de mar, já que aquele "caldinho" é tudo menos refrescante. A proporção de mais ou menos 50 homens na praia, para cada mulher presente (e de burka) também proporciona um cenário no mínimo invulgar. Após a praia parámos no Sport's Bar, um dos raros locais onde se servem bebidas alcoólicas, para beber uma mais que desejada cerveja bem fresca, antes de ir ao hotel tomar (mais um) banho e seguir para o restaurante para degustar um derradeiro jantar. O local seleccionado foi o Kargeen, onde finalmente tivemos a oportunidade de provar comida tradicional - ainda que eu não seja propriamente fã de borrego. Foi tudo muito bem servido (ainda que sem direito a álcool a acompanhar) e a conversa esticou-se pela noite fora, falando sobretudo sobre o choque cultural que em tão curta estadia ainda assim se faz sentir. Desde as vestes tradicionais que a grande maioria dos locais usa, até aos aspectos religiosos, passando por outros hábitos e costumes, tudo tem um sabor especial. Duas crianças que repentinamente se ajoelham à nossa frente no aeroporto para rezar, enquanto esperamos pelo nosso voo... homens que lavam os pés em lavabos públicos antes das suas rezas... Regras de indumentária e protocolo a que as mulheres estão sujeitas... As particularidades de viver num sultanato e a relação que o povo tem com o seu (amado) líder... A riqueza disponível pelo facto de se estar num país "sentado" sob petróleo... Tudo assume um estranho carácter exótico e parece especial. Não seria capaz de viver ali. Aquilo que numa curta estadia parece exótico e raro, rapidamente se transformaria em sentimento de privação numa estadia mais prolongada. No final da noite e dado o avançar da hora, o regresso ao hotel serviu apenas para mais um banho e para fazer o checkout, já que o voo de regresso saiu às 04h00. Um atraso na partida e outro na chegada ao Dubai, fizeram com que tivesse de percorrer o aeroporto em modo Usain Bolt, para não perder o voo de ligação para Lisboa. Uma vez em casa passei a tarde a marcar golos de cabeça até finalmente me deitar com o confortável sentimento de estar finalmente de volta, junto dos meus. Next stop? Em princípio, Turquia, mas o futuro o dirá...

terça-feira, novembro 18, 2014

Murro no Estômago

De vez em quando faz-nos bem levar um murro no estômago. Não me refiro a murro numa perspetiva literal, mas sim como uma espécie de "abre olhos" para a realidade. Ontem, levei um destes. Estava à conversa com o meu amigo David, num registo habitual de quem gosta de se queixar da vida em geral, quando me apercebi o quão paternalista e condescendente alguém (neste caso, eu) pode ser sem se aperceber de tal. A conversa abordou o tema da mudança de carreira e uma potencial situação de desemprego, momento em que saquei das minhas convicções e comecei a dissertar sobre o que faria nessa situação... como seria altamente disciplinado e ativo na busca de novo emprego... como faria disso a minha ocupação das 9h às 17h... blá blá blá. Felizmente a resposta foi o tal "murro no estômago", o que me fez sair do meu registo condescendente e paternalista, para perceber que apesar de ter emprego, estou desempregado. Para perceber que se estou à procura de algo melhor ou diferente (independentemente de ainda não saber bem o quê), devia estar a aplicar essa disciplina que estava a apregoar para mudar, já, agora mesmo. E não o faço. Portanto, percebi que a minha conversa era uma "treta" pegada, e só deixará de o ser a partir do momento que tiver a coragem de a aplicar a mim próprio, nestas mesmas circunstâncias. Ainda bem que levei este murro no estômago, porque quando deixar de estar encolhido com dores e me erguer novamente, vou conseguir olhar em frente com uma perspetiva completamente diferente.

quinta-feira, abril 10, 2014

Diz-me Com Quem Andas

Alguns autores e palestrantes dedicados a melhorar a performance pessoal e profissional das pessoas, referem que as companhias com que nos damos são determinantes para o nosso desempenho. Nos dois níveis indicados (pessoal e profissional) a "qualidade" dos nossos pares afeta diretamente o nosso nível de desempenho. Uma frase de Robin Sharma com a qual concordo absolutamente diz que, "se somos a pessoa mais inteligente da nossa rua, o melhor é mudarmo-nos". Obviamente esta frase é uma metáfora, mas não deixa de ser verdade. Se por um lado ninguém gosta de parecer burro ou ignorante, por outro se estamos no extremo oposto de um determinado grupo ou comunidade, eventuais objetivos ou metas que poderíamos alcançar ficam pelo caminho. No mínimo será necessário um nível de autodisciplina elevado para manter o foco neles. Assim, parece-me que a solução, como sempre, está no meio. Uma forma de enfrentarmos o nosso receio de parecer pouco inteligente passa por assumir as nossas lacunas e falhas, e encará-las como uma oportunidade para nos melhorarmos. E para tal, basta por vezes falar com a pessoa certa, escutar com atenção e aprender. Se acompanharmos esse esforço com algum estudo, melhor. E com o passar do tempo, conversa após conversa, aprendizagem após aprendizagem, teremos evoluído naturalmente e quase sem notar. Este processo nem tão pouco pode ser apelidado de esforço, já que - se feito da forma certa - é bastante fácil de executar. Hoje tive uma destas situações, mesmo no final de um dia muito pouco produtivo. Uma hora de conversa e pensamento conjunto foi o suficiente para dar a volta e transformar o meu espírito, fazendo-me sentir útil e produtivo como não tinha sido nas horas anteriores. Ainda que muito provavelmente não leia este blog, um bem haja à companhia - a manter.

Porque é Que Ninguém Gosta do Seu Trabalho?

Há uns dias atrás resolvi quebrar a rotina habitual, típica de um dia de semana, aproveitar o sol e ir almoçar junto ao rio num ambiente agradável e com boa conversa a acompanhar. Um dos temas que surgiu foi a infelicidade generalizada que as pessoas expressam relativamente ao seu emprego, trabalho, o que lhe quiserem chamar. A pessoa com quem almocei tem um estilo de vida diferente do da maioria das pessoas e, actualmente de férias em Portugal, comentou comigo que eu fui das poucas pessoas com quem esteve durante este período e que não demonstrou sentir-se miseravelmente. Não sendo melhor nem pior que ninguém, confirmo que me sinto bem com a minha vida. É certo que profissionalmente ambiciono algo mais e talvez até diferente, mas se assim não fosse é que seria preocupante. Para já, sinto-me bem, e embora grande parte das pessoas que estejam a ler este texto possam estar nesta altura a pensar que eu sou um sortudo, acredito que neste sentido não dependo nem dependi apenas da sorte. Não quero também dizer que sou um trabalhador ou empregado mais ou menos esforçado que o meu próximo. Simplesmente penso que a forma como nos sentimos em relação ao nosso trabalho depende de vários factores, sendo um deles (e talvez o mais importante) a forma como encaramos as nossas tarefas, as nossas obrigações, o nosso dia-a-dia. Se pensarmos que passamos a maior parte do tempo que estamos acordados a trabalhar, e se durante esse período nos sentimos miseráveis, estamos então a assumir que grande parte da nossa vida é miserável. Independentemente do mais ou menos difícil que seja executar uma tarefa, conviver com um patrão ou colega que não gosta de nós ou passar por qualquer outra dificuldade semelhante, coloco apenas a pergunta: e se de manhã ao acordar simplesmente tentarmos fazer o exercício de sorrir? Se quando o tal patrão ou colega que não gosta de nós for desagradável, nós respondermos com um sorriso? Se em última instância, eu executar o meu trabalho de forma a que ele seja menos difícil de levar a cabo? A solução não tem necessariamente de passar por encontrar outro trabalho, até porque eventualmente, mais tarde ou mais cedo, iremos desenvolver o mesmo tipo de sentimento de insatisfação. Há bem pouco tempo li uma frase interessante que dizia algo do género: os pessimistas vivem tanto tempo quanto os optimistas, mas os optimistas vivem melhor. E é verdade. Por algum motivo o LinkedIn (rede social de âmbito profissional) está pejado de personagens "influenciadoras" que publicam diariamente dezenas de artigos sobre como viver melhor no trabalho, sobre como fazer melhor o seu trabalho, como deixar o trabalho se necessário for e como procurar trabalho. Engraçado que uma rede social directamente relacionada com trabalho, tenha um foco tão grande em simples técnicas de sobrevivência... No ano passado mudei de emprego por opção e não por obrigação. Não estava satisfeito, mas acredito que se a minha opção tivesse sido a de não mudar (já aconteceu anteriormente), neste momento teria sobrevivido e estaria simplesmente focado nas coisas que faziam do meu anterior emprego algo positivo em vez de negativo. Acredito que este tipo de factores positivos existem sempre, nós é que nem sempre temos a capacidade de os identificar, mesmo que estejam ali à nossa frente.

terça-feira, novembro 12, 2013

6 Meses...

O que dizer desta ausência? Penso que bati um recorde. Foram 6 meses sem escrever, e confesso que já estava a ressacar. Robin Sharma, um tipo que escreve umas coisas giras e que eu gosto de ler/ouvir, tem como uma das suas máximas "keep a journal". Pois, eu não tenho um diário no sentido lato da expressão, mas este cantinho funciona como tal. E a verdade é que quando eu "mantenho este diário" sinto-me sempre muito melhor. E não é a mesma coisa que escrever umas frases no Facebook!

O que aconteceu na minha vida desde a última vez que escrevi? Ora deixa cá ver por onde começar... Ah, já sei! Troquei de carro! Estava na altura de reformar o grande lambão S80 T5, que aparte o consumo exorbitante de gasolina (uns belos 13/100 num dia bom) vai deixar muitas saudades. Um Carro com C maiúsculo que nunca me deixou ficar mal. Ainda oiço o rugir dos 5 cilindros em linha a beber combustível como se fosse água. A substituta é uma bem mais modesta V50 a diesel, que ainda assim se porta bastante bem (e sai bastante mais barata).

Mais coisas? Mmm... Mudei de trabalho. Acho que é uma mudança relevante para ser comentada aqui. Leia-se no entanto que ainda só mudei de trabalho, e não de profissão. Penso que era algo que um dia gostaria de fazer, mas primeiro tenho de descobrir qual a alternativa certa àquilo que faço (o que ainda não descobri). Para já só me ocorrem coisas como viver numa ilha e passar o dia a pescar e apanhar fruta na praia, mas dizem que isso não dá muito dinheiro... Do emprego antigo despedi-me das tarefas menos interessantes, mas fiquei com alguns bons amigos! Para já o que interessa é que mudei de azul para verde, cor que a acompanhar uma mudança deste género só pode ser sinal de esperança (assim espero).

Já agora, e por falar em esperança, ocorre-me assim de repente uma outra novidade digna de nota: o Alex vai quebrar a sina do pai e da mãe, e vai deixar de ser filho único! Penso que também é uma novidade de relevo suficiente para ser aqui relatada. Vai ser um maninho, de seu nome Pedro (tal como o seu irmão mais velho, resolveu mostrar-se na ecografia para que dúvidas sobre o seu género não persistissem). Esta sim é "A" novidade.

Como se pode constatar, não escrevi durante os últimos meses, mas foi por uma boa razão: andei ocupado! A ver se o próximo post não é daqui a outros seis meses, até porque antecipo que agora que a coisa já acalmou um pouco, vou conseguir dar atenção a este blog (novamente) com alguma regularidade. Correndo o risco de estar a escrever para o boneco, despeço-me ainda assim com beijinhos e abraços.


quarta-feira, abril 24, 2013

Good Mood...

Começo finalmente a colocar as coisas em perspectiva... a ganhar tempo e disposição para mim próprio. O poder que uma simples decisão pode ter no rumo e na vida de uma pessoa é absolutamente impressionante. Muda a nossa forma se ser e estar, e consequentemente muda o nosso próprio dia-a-dia. A combinação explosiva de boa disposição com uma véspera de feriado é mais que suficiente para transformar um dia merdoso num dia bestial. Tudo parece bem, tudo está bem. O feriado vai ser excelente, a sexta-feira será no mínimo boa e o fim-de-semana vai ser bestial, com direito a miminhos dos sogros que é como quem diz ir de viagem para a terra de "não fazer nenhum-2...

Quanto a objectivos próximos: o primeiro (já iniciado) foi o de regressar à incompleta tese do mestrado. Parece no entanto que antes de Julho não posso fazer muita coisa, mas coincidência das coincidências, Julho é o mês do "milagre". Como diria o Paulo Bento, é aguardar com tranquilidade. O segundo: actualizar o meu CV; tentei no outro dia entre as 00h00 e as 02h00 e o resultado não podia obviamente ultrapassar o razoável. Sei que posso dar mais e melhor, e mostrar mais e melhor de mim, por escrito (sobretudo se gosto de escrever, que melhor assunto que eu próprio???). O terceiro (e psicologicamente o mais difícil): começar a estudar a sério... o pendente PMI tem de cá morar, custe o que custar, e já que larguei as notas para o curso, há que aproveitar a oportunidade de certificação! O quarto: ir à luta, mas mesmo, mesmo a sério! Apresentar-me de forma inspiradora a toda e qualquer oportunidade que se adeqúe à minha pessoa e esperar pelo melhor!

Posto o acima exposto, se ainda assim a coisa correr menos bem ou de forma mais lenta, depois de Julho terei sempre umas belas e merecidas férias para esquecer o(s) assunto(s) durante uns tempos, e depois voltar à luta novamente já com baterias recarregadas. Até lá e durante, é só manter a mesma (ou melhor) disposição de hoje. Beijinhos e abraços!

segunda-feira, abril 22, 2013

Um Milagre, em Julho

Apesar de estar a roubar o nome de uma série, é a única expressão que me ocorre pensar neste preciso momento em que a minha vida e futuro ganharam contornos mais definidos. Após um mês de ausência de informação relativamente ao meu pedido, a minha actual situação profissional tem um fim à vista (que como se poderá calcular pelo título e imagem deste post é em Julho), sendo que mais forte do que a palavra "fim", será a palavra "início". Início de quê, poderão questionar-se algumas pessoas mais desocupadas que têm tempo de ler este blog ocasionalmente? Início de outra coisa qualquer, diferente, melhor ou pior... para já não interessa. Interessa-me mais o diferente, porque o igual já cansa. O risco é grande, é verdade, mas o potencial é enorme e não pode ser desperdiçado. Hoje a minha visão tornou-se mais clara, e o meu percurso ganhou uma meta para uma etapa, bem definida. Agora é começar a trabalhar, e muito. É começar a limar arestas de alguns planos e começar a pô-los em prática. É começar a fazer acontecer, já que a ausência de acontecimentos dos últimos tempos se estava a tornar insuportável. É altura de focar a minha atenção nas coisas importantes, e viver. Mais. Melhor. Espero conseguir. Sei que vou conseguir. Para já, sei uma coisa: o mais tardar em Julho, um milagre vai acontecer.

terça-feira, março 26, 2013

Encruzilhada - A Decisão.

Oficializada ontem!

domingo, março 24, 2013

Encruzilhada - As Opções...

A um dia da decisão...

sábado, março 23, 2013

Encruzilhada - A Meditação...

O fim de semana vai ser assim...

quinta-feira, março 21, 2013

Encruzilhada

As grandes decisões nunca são fáceis. Isto porque as apelidamos de "grandes", e normalmente porque quanto "maior" for o apelido, "maior" é o risco que lhes associamos e maior é o receio de tomar essa decisão. Muito concretamente e sem qualquer espécie de mistério, o meu dilema actual passa por aproveitar uma oportunidade que a minha entidade empregadora me dá, de deixar o meu trabalho com algumas regalias e contrapartidas interessantes, versus o "downside" de não ter para já outro emprego à vista no qual me "apoiar". A sociedade de hoje em dia conspira para nos incutir o medo da mudança, mas ao mesmo tempo que sinto vontade de arriscar, e alguma confiança em como me poderia dar bem, imagino que poderia também simplesmente continuar o meu exercício de mudar de atitude diariamente em relação ao que faço, encarar simplesmente a coisa de forma mais positiva, e viver bem mesmo assim. Por outro lado, acontecimentos e pequenas ocorrências e pessoas fazem-me questionar quase todos os dias o que raio estou a fazer e em que direcção estou a caminhar. É mau quando sentimos que não sabemos isto. Acho que sob essa perspectiva é mais feliz um tipo a virar hamburgers no restaurante de "fast food" do que alguém que procure um significado e objectivo mais concreto e elaborado daquilo que faz no seu dia-a-dia. A sensação de fazermos parte da banda que toca, sem perceber se o barco está a afundar ou não, também não é das melhores... Enfim, só sei que se nos próximos dois ou três dias me aparecesse uma oportunidade de trabalho minimamente interessante, a minha decisão estaria provavelmente tomada. No entanto o facto de ter de fazer equilíbrio sem rede, faz-me ver as coisas de maneira diferente, sobretudo quando outros tantos objectivos individuais (e alguns outros colectivos) se envolvem nesta amálgama de pensamentos, conjecturas e dúvidas. Resta-me o conforto de poder sempre recorrer a uma moeda e fazer o jogo da cara ou coroa. Antes de chegar a esse ponto, no entanto, optarei por um fim de semana de "retiro espiritual" e meditação sobre o assunto. Provavelmente na segunda-feira decidirei o sim ou sopas sobre esta matéria, mas acredito que qualquer que seja a minha decisão, as dúvidas e incertezas sobre o futuro permanecerão. Se calhar temos todos de aprender a viver mesmo assim, e pronto.

sexta-feira, março 15, 2013

Ai, Caneco...

Segurem-me... senão eu vou lá!

terça-feira, fevereiro 12, 2013

A Época da Matemática

Só na última semana assisti a duas notícias de cortes relacionados com o mercado de trabalho actual, de instituições que me foram e são muito próximas. Em cada uma delas, a medida é anunciada de forma diferente, ainda que "matemática". Numa das instituições o objectivo é cortar um valor na despesa, na outra o corte é referido directamente sobre o número de empregados. Em qualquer uma delas o corte é no mínimo injusto e desleal. O porquê do desleal? Porque não é aceitável que organizações que num passado muito recente, ou até mesmo hoje em dia, façam recrutamento, para depois chegar à brilhante conclusão que afinal não têm sustentabilidade e como tal a solução (fácil) é despedir pessoas. Isto é no mínimo um rótulo de incompetência a quem quer que seja responsável pela gestão de qualquer uma das organizações (seja a organização do sector público ou privado). Não se deveria então e em primeiro lugar despedir esse mesmo responsável, por vários motivos justificáveis como gestão danosa, falha de planeamento de capacidade, má política de sustentabilidade da organização, etc. etc. etc.? Quanto custa despedir essa pessoa só, e comparativamente quantas pessoas podem manter o seu posto de trabalho apenas com a poupança desse corte cirúrgico? Quantas pessoas podem manter o seu posto de trabalho com a poupança do automóvel, do computador, do telemóvel, das viagens, das estadias, das refeições e de tudo o resto que se economizaria com esse mesmo corte cirúrgico. Além disso, este corte justificado tem o apanágio de não ser tão "matemático" no sentido em que as pessoas não são números, mas sim... pessoas. E não se pode dizer que se vai cortar em "números" de forma cega sem ferir ainda mais a sustentabilidade da organização. Eu sei que este meu raciocínio pode ser apelidado de muita coisa, desde irreal, utópico, impossível, ingénuo e até um pouco comunista... mas garantidamente parece-me infinitamente mais justo!

Aproveito aqui para expressar a minha amizade e solidariedade a todos os camaradas e colegas que estão ou estarão em breve numa situação delicada como a que descrevo. Desejo-vos a todos tanta força como aquela que quero ter para mim próprio se e quando me vir na mesma situação.

terça-feira, maio 22, 2012

Indecisão

Presunto ibérico...


... ou bifes?


segunda-feira, maio 07, 2012

Segunda-Feira...

A pedido de algumas famílias:

Tantos anos a marrar, e lá consegui trabalho,
Suga-m'a energia toda, é um emprego do car*l#o.
Quando chega o fim do mês, só penso em receber,
Durante os outros dias, sinto que me estão a f*d#r.
Investi em formação, passei noites sem dormir,
Este meu triste empenho, até faz os outros rir.
A semana vem ai, segunda vai começar,
Dá-me um nó na barriga, tenho de ir mas é c*g#r.

Segunda-feira... bahhhh.
Acabou-se a brincadeira... bahhhh.
Olh'o pró pijama no chão...
Voltar para o emprego?
Não, não, não, não,
Já, já, já...

Bahhhhhhhhhhh...