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terça-feira, março 19, 2019

O Orgulho de Ser Pai

Há quem defenda que os dias disto e daquilo que valem muito pouco... que são meramente manobras de marketing e incentivo ao consumismo, etc. etc. etc. Eu acho que cada um tem direito a ver estes dias da perspetiva que melhor entender, mas eu pessoalmente gosto de ver o lado positivo da coisa, o copo meio cheio.

Este foi um Dia do Pai, como tantos outros Dias do Pai que já passaram. Nos outros dias, não deixo de ser pai nem de ter o meu pai, mas não é por isso que não posso aproveitar esta data para festejar de maneira um bocadinho diferente. De apreciar e de me entregar à indulgência de gozar o facto de ter um pai e de ter filhos (e ser consequentemente o pai deles). Foi isso que fiz.

O dia começou com um beijinho a cada um logo ao acordar (tal como começam e acabam todos os dias). A lembrança da praxe que vale pela alegria de quem a dá, sobretudo o mais velho que já vê as coisas à sua maneira. De seguida, e porque o mais pequeno é isso mesmo... pequeno, tinha na agenda participar numa atividade a dois na escola. Felizmente tive a oportunidade de participar, apesar do horário coincidente com o trabalho. A atividade consistia em ir observar todas as "obras de arte" que tinha preparado para mim, assim como uma canção dedicada à minha pessoa e cantada com uma vozinha nada menos que angelical. Quase uma hora e meia de brincadeira depois era tempo de ir trabalhar. A ameaça de uma lágrima vertida que consegui evitar com uma brincadeira qualquer no momento da despedida, e a promessa de que o Dia do Pai ainda teria continuação.


É impossível um dia correr mal depois de um começo destes. Afinal, quantas vezes temos a possibilidade de começar um dia de trabalho a brincar com os nossos filhos? Durante o dia tive a oportunidade de ligar ao meu próprio Pai, que tem sido e será uma referência para mim no que diz respeito ao desempenho desse papel (só posso esperar que os meus filhos sintam algum dia por mim a mesma admiração que eu sinto pelo meu). Um telefonema, um beijinho e a combinação do jantar "mais logo" para continuar a celebrar.

A chegada a casa e a calorosa e habitual receção dos pequenos, antes de seguir para o restaurante, onde se reuniria uma mesa cheia com uma família feliz. Era novamente tempo de celebração. Já no final do dia e depois das despedidas, tive a oportunidade de registar um "instantâneo" que me ficou gravado na mente e no coração, e que tenho a oportunidade de partilhar aqui. O registo de dois irmãos que partilham entre si o mesmo amor que é partilhado entre e com os pais. É impossível não ver.

sábado, fevereiro 13, 2016

Véspera de Valentim

Esta semana foi palco de várias conversas de café tendo como tema de fundo o dia dos namorados. Curiosamente, e regra geral, as pessoas com quem falei tiveram na sua grande maioria um discurso com uma tendência para menosprezar esta data. Ou porque achavam que a mesma estava muito envolta em princípios consumistas, ou porque a relação (amorosa) na qual estavam não precisava de este tipo de eventos ditos especiais, ou porque simplesmente se estavam nas tintas para isto (ou para a relação). Devo dizer que não me enquadro em nenhuma das categorias acima. Muito honestamente, acho que deviam existir mais datas como esta, especiais, que nos "obriguem" a sair dos carris da rotina diária e olhar para o lado, para ver quem está lá, connosco, muitas vezes a amparar-nos as quedas. Se é preciso uma desculpa como o dia de S. Valentim para fazer algo especial com as nossas caras-metade? Não. Mas a existir uma data destas, o mínimo que podemos fazer é (tentar) aproveitar! Quanto ao consumismo? No meu caso, a "prenda" foi uma reserva de uma noite a dois num local especial. Ou seja, foi uma experiência, e não um bem material... foi para os dois, e não apenas algo que se dá e está dado... no final, de consumismo vejo pouco. Quanto à outra pessoa... enfim, não me chegam os adjetivos para a poder caraterizar, ainda que mesmo assim possa tentar:

Amante, porque 13 anos e 2 filhos depois de nos conhecermos, conseguimos continuar a olhar um para o outro e a ver uma chama a arder.
Amiga, porque quando coisas boas ou coisas más me acontecem, é a primeira pessoa a quem as quero contar.
Brincalhona, porque se consegue rir de si própria, de mim e comigo, mesmo quando sou meio parvo ou parvo completo.
Companheira, porque marca a sua presença nos momentos bons e nos momentos maus, e porque sobretudo nos maus me ajuda a ver o lado bom da vida.
Divertida, porque é capaz de fazer brilhar um raio de sol pelo meios das nuvens cinzentas da minha ocasional má disposição.
Enfermeira, porque cuida de todos nós cá em casa.
Forte, porque apesar da sua fragilidade aparente, me consegue dar toda a estabilidade que eu não tenho.
Inteligente, porque consegue sempre dar o passo certo na direção certa, mesmo quando um desnorteado como eu a tenta arrastar para o caminho ao lado.
Linda, porque simplesmente o é e será, sempre.
Mãe, porque mesmo contra ventos e tempestades o é, e bem, não para um mas sim para dois.
Meiga, porque mesmo quando faço merda, consegue sempre olhar para mim com dó e fazer-me uma festa no cabelo.
Perfeita, porque para mim, o é e sempre será.
Professora, não só porque o é profissionalmente, mas por tudo o que me ensinou e continuará a ensinar.
Sincera, porque me diz sempre a verdade, mesmo quando esta dói.
Mulher, porque é a minha, e nunca quererei outra.

Só espero que quando esta mulher pensar em mim, consiga rever em mim alguma caraterística positiva também, e por isso, já serei um homem feliz.

Feliz dia dos namorados!

sexta-feira, julho 31, 2015

Guerra e Paz

Dada a minha vulnerabilidade ao tema, dou por mim a ler uma larga variedade de artigos de opinião e textos mais ou menos (na maioria das vezes, menos) científicos sobre a parentalidade. Estes textos e publicações dividem-se entre o sério e o trágico-cómico, na medida em que uns tentam assumir um tom didáctico e mais prático, enquanto outros tentam realçar os contornos cómicos de vidas por vezes dramáticas, de pais, em torno dos seus filhos. Na realidade penso que ambas as perspectivas são reais. Pelo menos no meu caso é o que sinto. Por isso não sei muito bem em que tom vai resultar esta minha tentativa de verbalização de sentimentos em torno do facto de... enfim... ser pai... de dois. Um deles, o primeiro, potencial filho único que acabou por não o ser, já não dá propriamente trabalho algum. Já deu. Os cinco anos passados dar-nos-iam (ao pai e à mãe) o relaxamento mais que merecido obtido através do regresso a situações da vida dita social, que o poderiam envolver mesmo nesta idade, sem qualquer espécie de transtorno para os pais onde novamente me incluo. Escrevo a última frase como mera hipótese, porque na realidade existe o segundo. O segundo, no topo do seu primeiro ano de vida, recheado de uma personalidade que nada tem a ver com o primeiro, teve o dom de nos retirar o nirvana quase alcançado, e lançar de novo no mundo das fraldas, da privação extrema de sono (como eu nunca achei ser possível um ser humano tolerar) e dos nervos em franja após a fase da ilusão em que “este se calhar vai ser diferente”. A realidade é que crianças são crianças. Seja em que fase da infância for. E estão cá porque nós assim o decidimos. Não concordo com a ideia de que somos 100% responsáveis pela sua personalidade, temperamento, feitio ou aquilo que for. Não podemos ver a evolução de um ser vivo à lupa de um microscópio, porque existe um infindável conjunto de elementos, factores e pequeníssimos acontecimentos que contribuem para a sua evolução, dos quais nem sequer nos apercebemos. A genética é um exemplo disso mesmo, quando a personalidade de um bebé é perceptível poucas horas depois de este nascer (experiência própria). Somos no entanto os principais responsáveis por gerir esses factores externos da melhor forma possível, com as ferramentas que temos ao nosso dispor. A questão é que a determinada altura damos por nós em guerra. Primeiro, guerreamos com os filhos, porque acabamos por ter a ideia peregrina que eles estão em guerra connosco, quando na realidade lutam por aprender a gerir os seus próprios sentimentos e emoções. Depois guerreamos entre nós, pais. O pai com a mãe porque isto... a mãe com o pai porque aquilo. Depois guerreamos com o nosso próprio ser. Porque eu não era assim... nunca fui... achei que nunca poderia ser... e agora sou. E não gosto. E não sei o que fazer para voltar a ser quem eu achava que era. Mas se calhar não era. E agora tenho de aprender a ser outra vez, mas de maneira diferente. Em todas estas fases que descrevo, e no meio de algo que sei que ainda não acabou e por isso não posso para já descrever, posso revelar um truque que para mim, e contra a minha própria natureza nervosa, tem vindo a funcionar: preocupar-me menos. Preocupar-me menos com o que pode acontecer, porque muito provavelmente não o poderei evitar. Deixar de sofrer por antecipação, ao pensar em todos os cenários possíveis e imaginários em que as coisas podem não correr bem, porque não sei de facto o que vai acontecer. Ou melhor, em que as coisas podem não acontecer como eu gostaria. E o segredo do meu truque está aqui mesmo. Se deixarmos de correr atrás das nossas expectativas de uma “vida normal”, percebemos que entretanto veio ter connosco uma “vida melhor”, porque na realidade são essas expectativas (na realidade muito pouco interessantes) que nos inibem de perceber que... estamos lá! São essas perspectivas egocêntricas de querer tanto fazer algo que pode até nem ser assim tão pertinente, que nos inibem de apreciar os etéreos momentos em que, em vez disso, acalmamos o choro de um bebé e ele encaixa a sua pequena cabecinha no nosso pescoço, por fim, em paz... que nos inibem de desmontar uma situação tendo a capacidade de provocar o riso e a gargalhada em vez de provocar o choro e a tristeza... que nos inibem de transformar a excitação infantil em cansaço natural e consequente paz e sossego, em vez de irritação e transtorno... que nos inibem de educar educada e educativamente em vez de simplesmente ralhar ou gritar... que nos inibem de perceber o que já temos, e que nem sequer estávamos à espera de alcançar. É difícil de perceber isto. Porque supostamente estamos em guerra. O problema é que nesta guerra, o nosso inimigo somos nós próprios. Eu pessoalmente, não sei se mais pela força do raciocínio e meditação, se do cansaço... já não quero lutar... prefiro a paz. E tenho duas pessoas em miniatura muito grandes, que com toda a certeza me vão ajudar a alcançá-la! Na realidade, já estão a ajudar, minuto a minuto. Pouco passa da meia noite e já tive de adormecer o mais novo duas vezes. Não faz mal... acabei de o deitar novamente e beijei-lhe a testa antes de o fazer. Boa noite a todos e, se por acaso e porque são férias os vossos filhos ainda não se deitaram, despeçam-se deles e digam-lhes o quanto os amam. Se já dormem, aconcheguem-lhes o lençol, dêem-lhes também um beijo na testa, e amanhã demonstrem-lhes de alguma forma o quanto os amam e o quanto eles são importantes. Afinal, se eles não estivessem cá nunca descobriríamos quem somos realmente e a nossa vida seria sem dúvida muito menos interessante.

domingo, junho 28, 2015

Fim-de-semana Offline

Foi mais ou menos o modo em que resolvi "operar" durante este fim-de-semana. Graças à minha cara metade tive(mos) direito a uma estadia por duas noites na magnífica Quinta dos Amarelos, na Aldeia do Meco. Após uma cansativa sexta-feira rumamos a sul, deixando a criançada em casa dos avós. Chegámos tarde, mas ainda fomos a tempo de ir ao Mequinhos petiscar umas "latinhas" acompanhadas com um verde bem fresco. No dia seguinte foi tempo de acordar e levantar nas calmas e ir até à Praia das Bicas. O dia estava fenomenal, mas o mar estava bravo e não dava para aproximar sequer da água. Depois de almoçar uns camarões gulosos e uma salada de polvo acompanhados por uma sangria de espumante com frutos silvestres, tudo muito bem servido no Gula do Meco (onde anteriormente era o Amo-te Meco), foi tempo de experimentar a Praia do Meco a ver se o mar dava umas tréguas por ali. Não era o caso. Acabámos por terminar o dia na piscina da quinta, o que considerando a caloraça que apanhámos anteriormente, foi o melhor final possível. A noite foi dividida pelo jantar no Acácio e uns copos no Mariadelina. O dia seguinte começou novamente nas calmas. A quinta tem algo de muito relaxante que quase é difícil de explicar. Até a vida dos cães que lá vivem mete inveja! A praia foi na Lagoa de Albufeira, que peca pela quantidade de gente, mas prima por se poder ir à água sem medo de ser levado por um agueiro. Antes de vir embora foi tempo de matar o desejo de comer sardinhas, e voltar a casa com os dedos a cheirar a peixe. O fim-de-semana ainda não acabou e já estou cheio de saudades. Offline? Sim. Neste fim-de-semana não houve espaço para olhar o telemóvel, para espreitar o e-mail ou para dar uma espreitadela no facebook. Os momentos, as conversas aconteceram sem distrações nem subterfúgios. Os locais visitados foram vistos e absorvidos. Não tirei uma única fotografia, mas também não vou precisar porque não me vou esquecer destes dois dias... 

segunda-feira, abril 01, 2013

Paradoxo da Vida

Por vezes acontecem situações na nossa vida que nos fazem pensar naquilo que andamos cá a fazer. Não falo de pensamentos existenciais ou filosóficos profundos, mas sim de objectivos práticos daquilo em que transformamos a nossa vida. Por vezes acontece pensarmos que andamos a fazer tudo errado. Hoje é um desses dias. Acho que falhei individualmente e que falhei colectivamente na perspectiva da sociedade em que me insiro. Não significa isto que esteja com uma perspectiva derrotista e depressiva da vida, mas simplesmente o meu cérebro reposicionou-se e está direccionado num sentido diferente daquele que estava há dois ou três dias atrás. O falhanço a que me refiro? Pensem no seguinte: passamos actualmente grande parte, ou reformulando, a maior parte da nossa vida a trabalhar (é certo que uns mais, e outros menos). Falando por mim, diria que dispenso algo como 70 a 80% do tempo que passo acordado a trabalhar, sendo que por vezes o meu cérebro arrasta alguns temas que deveriam ficar fechadinhos à chave nestes 80% para os outros 20%, o que só agrava a situação. O objectivo inicial das pessoas que como eu conduzem a sua vida neste sentido, é o de criar condições materiais que cumpram com aquilo que são os requisitos do que consideramos ser uma boa qualidade de vida. Isto passa por ter dinheiro para fazer várias coisas, para adquirir várias coisas ou para ter a segurança de poder subsistir a uma qualquer eventualidade ou acontecimento imprevisto. O engraçado é que este nosso esforço contribui na prática para o oposto. Isto é, ao ocupar 80% ou mais do nosso tempo com trabalho, e não podendo isto ser algo que simplesmente optemos por não fazer neste ou naquele dia, semana ou mês, está criada uma dependência cíclica em que trabalhamos mais e mais, deixando cada vez menos tempo para tudo o resto. Delegamos assim sistematicamente a responsabilidade de criar e educar os nossos filhos em estranhos, que serão pagos com o resultado desse nosso hercúleo esforço. Delegamos assim a responsabilidade de cuidar dos nossos pais ou avós noutros estranhos, que serão igualmente pagos com o resultado do mesmo esforço. E um dia chegará o momento em que nós próprios estaremos fadados ao mesmo destino, quando os nossos filhos seguirem as nossas pisadas e uma vez embrenhados nesta cultura e sociedade esclavagista moderna, fizerem exactamente o mesmo tipo de esforço hercúleo por nós... O triste no que acabo de descrever é que todos percebemos que as coisas são assim. Pais, filhos, netos... todos têm uma consciência resignada deste círculo vicioso sem aparente resultado ou solução à vista. Como não sou melhor nem pior que ninguém, incluo-me a mim próprio nesta sociedade, nesta cultura e neste círculo vicioso. Uma coisa sei no entanto: agora e aqui, tenho uma consciência muito clara disso. Agora e aqui, não sei o que fazer. Gostava que o agora e aqui fossem mais tarde, para eu ter mais tempo para pensar. Gostava de ter pensado nisto antes, porque achei que não pensar nisso faria magicamente com que isso não acontecesse... mas como acredito que as coisas podem ser diferentes, vou pensar nisso a partir de hoje. E se tenho já uma lista que comecei a escrever há alguns meses, com várias coisas que quero e vou fazer, esta passará a ser uma delas. Comecei este texto a falar de falhanço, mas algumas das mentes mais iluminadas que conheço actualmente, dizem em coro que os falhanços não existem, existem apenas resultados. E se o resultado das coisas que fazemos não é o que queremos, só temos de fazer coisas diferentes para obter resultados diferentes.

Sei que não me lêem, mas este texto deve ser interpretado como um beijo e um abraço muito especial para os meus queridos avós, que vivem o momento mais duro e difícil de todas as suas vidas, contando apenas um com o outro e com a ajuda possível que nós, filhos e netos, lhes podemos dar e que é infinitamente pequena comparada com aquilo que nos foi dado durante uma vida inteira. Deve ser igualmente interpretado como um beijo e um abraço (e, muito importante, NUNCA como uma crítica!) para os restantes filhos e netos, que tal como eu, do fundo do seu coração, estão realmente a dar o seu melhor... ainda que nos pareça infinitamente insuficiente.

Avô, avó... amo-vos muito.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Calor

Por vezes lembro-me de uma qualquer curva do seu corpo.
Sinto-me a latejar enquanto a imagem me percorre a mente,
e se aloja em qualquer parte de mim sem pedir por favor.

O misto de emoção e angústia faz-me sentir quase morto.
A força com que sinto este impulso torna-se frequente,
e o sentimento invade-me sem qualquer tipo de pudor.

Lembro-me da sua expressão e dos traços peculiares do seu rosto.
O fulgor transforma-se num calor constante, calmamente,
e lentamente a fúria se transforma apenas num ligeiro rubor.

O meu corpo reage enquanto o meu coração fica mais exposto.
A tensão dos músculos começa a diminuir subtilmente,
e a mais intensa das paixões dá lugar a um quente e calmo fervor.

Depois da tempestade a bonança surge como um oposto.
A percepção da realidade faz-me sentir o calor quente,
e o meu cérebro deixa-se envolver por uma paixão maior.

Marco