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quinta-feira, julho 02, 2015

O Burro Sou Eu

De vez em quando gosto de me presentear a mim próprio a meio do dia, nem que seja com um simples almoço "chill out". Então lá vou a um lugar qualquer à minha escolha, simplesmente desfrutar da paisagem e da comida. Hoje foi um desses dias, e como um dos privilégios de trabalhar na zona de Alcântara é estar a poucos minutos a pé das docas (entre muitos outros locais que tenho aproveitado para visitar), foi este o destino escolhido. Enquanto esperava pela minha pizza Siracusa e beberricava a minha Stout, tive a oportunidade de assistir a uma cena circense de um par de velhotes que chegou naquele momento à doca. Objetivo: atracar uma pequena embarcação no cais. Algo que poderia ser simples, mas não o foi. Na primeira tentativa de aproximação (e não obstante os gritos do velhote nº2 que se encontrava na popa) o velhote nº1 embateu violentamente no cais tendo sido obrigado a reposicionar-se para tentar nova manobra. Na segunda vez, e já com menos velocidade, conseguiu não embater de novo contra o cais. Desta feita foi contra a embarcação que estava ao lado. Como se diz na gíria militar, era tempo de voltar à primeira forma, pelo que resolveu sair da doca e voltar a tentar. Embateu de novo contra um cais onde se encontrava outra embarcação. Nisto o velhote nº2 já tentava auxiliar da forma que podia, lutando desesperadamente para afastar a embarcação de todos os alvos a que o velhote nº1 fazia pontaria, com um varão metálico, sem sucesso. Finalmente e passados cerca de 15 minutos, lá conseguiram atracar no respetivo cais, não sem antes evitar um forte embate da proa do navio, onde ficou uma amolgadela para a posteridade. Dei por mim a rir-me daqueles dois senhores que tentavam desesperadamente atracar o Ricardo III (pomposo nome para tão pequena embarcação), acabando por rir mais de mim próprio, que nesta quinta-feira estava a desfrutar de breves momentos de descontração a meio de um dia de trabalho, enquanto que aqueles dois de quem instantes antes me ria chegavam provavelmente de uma bela pescaria, num dia maravilhoso, com um tom de pele que evidenciava tratar-se de algo que fazem frequentemente. Como dizia o Scolari... acho que o burro sou eu.

quarta-feira, junho 17, 2015

Almoço Descansado

Finalmente sinto que a comédia começa lentamente a regressar à minha vida. Depois de um período mais sério, pequenos eventos começam a surgir para animar o meu dia. Foi o que aconteceu hoje durante o almoço. Resolvi ir até ao restaurante do Museu Nacional de Arte Antiga. A comida de lá é fraquinha, sobrevalorizada e servida num tabuleiro. Tudo caraterísticas que me levariam a não ir lá, não fosse o cenário magnífico no qual nos podemos sentar a degustar uma refeição perfeitamente mediana. Tem uma esplanada com relvado e sombras frescas, com uma vista para o rio espetacular. Por isso, tal como dizia, lá fui eu. Servi-me do que queria, peguei no tabuleiro e escolhi a melhor mesa disponível para degustar a minha refeição. Entretanto apercebi-me que tinha trazido talheres de peixe, o que não encaixa com um prato de carne. Voltei ao interior do restaurante para trocar os talheres, tarefa que me deverá ter levado uns 10 segundos, até regressar ao exterior. O cenário que encontrei deixou-me literalmente de boca aberta e sem reação. Estavam cerca de 20 pombos a degladiar-se em cima do meu tabuleiro, que deixou de se ver, enquanto devoravam avidamente e em segundos a minha refeição! Restou-me, passados alguns instantes, afugentar os ratos voadores que tinham comido e defecado em cima do meu tabuleiro e voltar (novamente) ao interior do restaurante para uma segunda tentativa de adquirir uma refeição, não sem antes ouvir a senhora que estava na mesa ao lado de onde tudo aconteceu, a cerca de meio metro de distância, pedir-me desculpa por não ter afugentado os pombos porque “pensava que já tinha terminado” (o que não tendo eu sequer tido oportunidade de me sentar, seria algo difícil de fazer). Enquanto me servia (pela segunda vez) não consegui evitar rir de mim próprio e ao contar a história ao empregado, ele teve dó de mim e ofereceu-me a refeição! Enfim, um final feliz para uma cena digna do Mr. Bean!

segunda-feira, outubro 27, 2014

Hora de Almoçar!

A propósito de um artigo que li recentemente, que revela que os portugueses estão a voltar ao hábito de antigamente da "marmita" para levar o almoço para o trabalho, ocorre-me dizer que não tenho nada contra... e também nada a favor. Não me faz qualquer confusão que as pessoas optem por essa solução, sobretudo considerando os motivos pelos quais o fazem (que normalmente estão associados a fatores financeiros). Eu próprio, se me visse confrontado com limitações financeiras que me levassem a isso, também o faria. Mas fico contente por (ainda) não estar nessa posição. Não sou daquelas pessoas que vivem para comer, nem para fazer almoçaradas de 3 horas em pleno dia de trabalho. Mas gosto de aproveitar o período de almoço para desligar um pouco a mente dos assuntos profissionais e relaxar enquanto aprecio a refeição. Hoje por exemplo, foi um desses dias. Em vez de descer as escadas até à "mangedoura" mais próxima (nome carinhoso que um colega meu inventou para os aglomerados de restaurantes de "fast food" dos centros comerciais), saí de improviso e fui até à Marina do Parque das Nações, comer um frango grelhado com maça caramelizada e puré, acompanhado de um copo de vinho branco, enquanto observava os barcos no rio ali mesmo ao lado. Uma interrupção destas num dia de trabalho, pode parecer disruptiva para muitos, em termos de atividade. Para mim, é terapêutica. Como é óbvio não é algo que possa nem consiga fazer todos os dias, mas de vez em quando acho que tenho direito a presentear-me. Como dizem uns célebres pacotes de açucar... hoje foi o dia!