segunda-feira, agosto 31, 2015

Lisboa é Linda!

Gosto de Lisboa. Posso ter empregos mais ou menos de acordo com as minhas expectativas, que me dêem mais ou menos realização pessoal, mas gosto de trabalhar em Lisboa. É certo que o meu sonho seria poder fazer algo que me permitisse sair de entre quatro paredes e poder usufruir de um cenário mais próximo da natureza, mas em contexto citadino duvido que haja melhor lugar para se estar, do que uma cidade brindada com a envolvência de um rio como o Tejo, e de uma paisagem que nunca é a mesma de cada vez que lançamos um novo olhar. Olhando para trás ao longo do meu caminho profissional, comecei pela Rua da Junqueira, com direito a vista para o rio. Algum tempo mais tarde, passei para o Terreiro do Paço, também com vista para o rio e o privilégio da proximidade do Chiado e outras zonas circundantes. Mais tarde acabei por me afastar do rio e passar algum tempo na zona do Campo Pequeno, que também tinha o seu encanto. Depois passei a minha única "fase negra" quando fui "exilado" para um edifício integrante na maior superfície comercial de Lisboa (até hoje nunca mais fui capaz de frequentar o Colombro como conseguia fazer anteriormente). Acabei por sair dali para o Saldanha, onde me libertei da claustrofobia consumista. Mais recentemente reaproximei-me do rio, estando agora junto à 24 de Julho. Sinceramente, do novo "estaminé" o local é das poucas coisas que me agradam (apesar de ficar bastante longe de onde moro). Mas também admito que a localização vale bastante. Num dia da passada semana fui almoçar, e no regresso parei, olhei e respirei (no Largo das Necessidades). E vi uma paisagem que acredito muitas pessoas pagariam para ter direito a ver. Como pensei na altura, escrevo agora... Lisboa é linda!

sexta-feira, agosto 21, 2015

Muscat

Na sequência de ter abraçado uma nova experiência profissional em maio, e depois de alguma expectativa e relutância relativamente à possibilidade de ter de fazer várias deslocações para fora do país em contexto profissional, finalmente aconteceu. Confesso que nesta fase da minha vida é algo que não me interessa muito. Há alguns anos atrás a perspectiva de viajar e conhecer vários países, seria espectacular, mas hoje em dia o meu maior desejo é ter tempo para poder estar com os meus filhos e absorver todos os minutos em que tenho o privilégio de estar na companhia da minha família. Digamos que estou mais caseiro... Ainda assim, valores "mais ou menos" altos se levantaram e lá fui eu na minha primeira viagem, ate Omã. Entre viagens e estadia foram 4 dias muito cansativos. Dada a minha incapacidade de dormir em quaisquer meios de transporte, as muitas horas de avião foram penosas para mim. Uma viagem de ida com 3 vôos entre Genebra, Dubai e Muscat, com chegada às 05h00 para passar o dia inteiro no cliente, deixou poucas energias para a noite. Ainda assim consegui sair para jantar no Trader's Vic, um restaurante com um ambiente fantástico e que, não tendo o seu expoente máximo em Muscat (segundo sei o melhor é o do Barein), foi bastante agradável. Duas moças de aparência agradável à vista cantaram mesmo ao meu lado, e animaram o jantar. Mas como o peso das muitas horas acordado se fazia sentir, fui dali direitinho para o hotel fazer um grande óó... No segundo dia também passado inteiramente no cliente, apesar do jet lag o ânimo já era outro. Por isso, no final deu para passar pela praia a caminho do hotel e molhar os pezinhos naquela espécie de sopa que é o mar por aquelas bandas. Sinceramente nunca vi uma coisa assim. Os 40 e muitos graus que se fazem sentir durante o dia, ou até mesmo as temperaturas mínimas de 30 que se fazem sentir à noite, não podem ter como alternativa um banho de mar, já que aquele "caldinho" é tudo menos refrescante. A proporção de mais ou menos 50 homens na praia, para cada mulher presente (e de burka) também proporciona um cenário no mínimo invulgar. Após a praia parámos no Sport's Bar, um dos raros locais onde se servem bebidas alcoólicas, para beber uma mais que desejada cerveja bem fresca, antes de ir ao hotel tomar (mais um) banho e seguir para o restaurante para degustar um derradeiro jantar. O local seleccionado foi o Kargeen, onde finalmente tivemos a oportunidade de provar comida tradicional - ainda que eu não seja propriamente fã de borrego. Foi tudo muito bem servido (ainda que sem direito a álcool a acompanhar) e a conversa esticou-se pela noite fora, falando sobretudo sobre o choque cultural que em tão curta estadia ainda assim se faz sentir. Desde as vestes tradicionais que a grande maioria dos locais usa, até aos aspectos religiosos, passando por outros hábitos e costumes, tudo tem um sabor especial. Duas crianças que repentinamente se ajoelham à nossa frente no aeroporto para rezar, enquanto esperamos pelo nosso voo... homens que lavam os pés em lavabos públicos antes das suas rezas... Regras de indumentária e protocolo a que as mulheres estão sujeitas... As particularidades de viver num sultanato e a relação que o povo tem com o seu (amado) líder... A riqueza disponível pelo facto de se estar num país "sentado" sob petróleo... Tudo assume um estranho carácter exótico e parece especial. Não seria capaz de viver ali. Aquilo que numa curta estadia parece exótico e raro, rapidamente se transformaria em sentimento de privação numa estadia mais prolongada. No final da noite e dado o avançar da hora, o regresso ao hotel serviu apenas para mais um banho e para fazer o checkout, já que o voo de regresso saiu às 04h00. Um atraso na partida e outro na chegada ao Dubai, fizeram com que tivesse de percorrer o aeroporto em modo Usain Bolt, para não perder o voo de ligação para Lisboa. Uma vez em casa passei a tarde a marcar golos de cabeça até finalmente me deitar com o confortável sentimento de estar finalmente de volta, junto dos meus. Next stop? Em princípio, Turquia, mas o futuro o dirá...

sexta-feira, julho 31, 2015

Guerra e Paz

Dada a minha vulnerabilidade ao tema, dou por mim a ler uma larga variedade de artigos de opinião e textos mais ou menos (na maioria das vezes, menos) científicos sobre a parentalidade. Estes textos e publicações dividem-se entre o sério e o trágico-cómico, na medida em que uns tentam assumir um tom didáctico e mais prático, enquanto outros tentam realçar os contornos cómicos de vidas por vezes dramáticas, de pais, em torno dos seus filhos. Na realidade penso que ambas as perspectivas são reais. Pelo menos no meu caso é o que sinto. Por isso não sei muito bem em que tom vai resultar esta minha tentativa de verbalização de sentimentos em torno do facto de... enfim... ser pai... de dois. Um deles, o primeiro, potencial filho único que acabou por não o ser, já não dá propriamente trabalho algum. Já deu. Os cinco anos passados dar-nos-iam (ao pai e à mãe) o relaxamento mais que merecido obtido através do regresso a situações da vida dita social, que o poderiam envolver mesmo nesta idade, sem qualquer espécie de transtorno para os pais onde novamente me incluo. Escrevo a última frase como mera hipótese, porque na realidade existe o segundo. O segundo, no topo do seu primeiro ano de vida, recheado de uma personalidade que nada tem a ver com o primeiro, teve o dom de nos retirar o nirvana quase alcançado, e lançar de novo no mundo das fraldas, da privação extrema de sono (como eu nunca achei ser possível um ser humano tolerar) e dos nervos em franja após a fase da ilusão em que “este se calhar vai ser diferente”. A realidade é que crianças são crianças. Seja em que fase da infância for. E estão cá porque nós assim o decidimos. Não concordo com a ideia de que somos 100% responsáveis pela sua personalidade, temperamento, feitio ou aquilo que for. Não podemos ver a evolução de um ser vivo à lupa de um microscópio, porque existe um infindável conjunto de elementos, factores e pequeníssimos acontecimentos que contribuem para a sua evolução, dos quais nem sequer nos apercebemos. A genética é um exemplo disso mesmo, quando a personalidade de um bebé é perceptível poucas horas depois de este nascer (experiência própria). Somos no entanto os principais responsáveis por gerir esses factores externos da melhor forma possível, com as ferramentas que temos ao nosso dispor. A questão é que a determinada altura damos por nós em guerra. Primeiro, guerreamos com os filhos, porque acabamos por ter a ideia peregrina que eles estão em guerra connosco, quando na realidade lutam por aprender a gerir os seus próprios sentimentos e emoções. Depois guerreamos entre nós, pais. O pai com a mãe porque isto... a mãe com o pai porque aquilo. Depois guerreamos com o nosso próprio ser. Porque eu não era assim... nunca fui... achei que nunca poderia ser... e agora sou. E não gosto. E não sei o que fazer para voltar a ser quem eu achava que era. Mas se calhar não era. E agora tenho de aprender a ser outra vez, mas de maneira diferente. Em todas estas fases que descrevo, e no meio de algo que sei que ainda não acabou e por isso não posso para já descrever, posso revelar um truque que para mim, e contra a minha própria natureza nervosa, tem vindo a funcionar: preocupar-me menos. Preocupar-me menos com o que pode acontecer, porque muito provavelmente não o poderei evitar. Deixar de sofrer por antecipação, ao pensar em todos os cenários possíveis e imaginários em que as coisas podem não correr bem, porque não sei de facto o que vai acontecer. Ou melhor, em que as coisas podem não acontecer como eu gostaria. E o segredo do meu truque está aqui mesmo. Se deixarmos de correr atrás das nossas expectativas de uma “vida normal”, percebemos que entretanto veio ter connosco uma “vida melhor”, porque na realidade são essas expectativas (na realidade muito pouco interessantes) que nos inibem de perceber que... estamos lá! São essas perspectivas egocêntricas de querer tanto fazer algo que pode até nem ser assim tão pertinente, que nos inibem de apreciar os etéreos momentos em que, em vez disso, acalmamos o choro de um bebé e ele encaixa a sua pequena cabecinha no nosso pescoço, por fim, em paz... que nos inibem de desmontar uma situação tendo a capacidade de provocar o riso e a gargalhada em vez de provocar o choro e a tristeza... que nos inibem de transformar a excitação infantil em cansaço natural e consequente paz e sossego, em vez de irritação e transtorno... que nos inibem de educar educada e educativamente em vez de simplesmente ralhar ou gritar... que nos inibem de perceber o que já temos, e que nem sequer estávamos à espera de alcançar. É difícil de perceber isto. Porque supostamente estamos em guerra. O problema é que nesta guerra, o nosso inimigo somos nós próprios. Eu pessoalmente, não sei se mais pela força do raciocínio e meditação, se do cansaço... já não quero lutar... prefiro a paz. E tenho duas pessoas em miniatura muito grandes, que com toda a certeza me vão ajudar a alcançá-la! Na realidade, já estão a ajudar, minuto a minuto. Pouco passa da meia noite e já tive de adormecer o mais novo duas vezes. Não faz mal... acabei de o deitar novamente e beijei-lhe a testa antes de o fazer. Boa noite a todos e, se por acaso e porque são férias os vossos filhos ainda não se deitaram, despeçam-se deles e digam-lhes o quanto os amam. Se já dormem, aconcheguem-lhes o lençol, dêem-lhes também um beijo na testa, e amanhã demonstrem-lhes de alguma forma o quanto os amam e o quanto eles são importantes. Afinal, se eles não estivessem cá nunca descobriríamos quem somos realmente e a nossa vida seria sem dúvida muito menos interessante.

quinta-feira, julho 09, 2015

Nove do Sete

Hoje a pessoa com quem escolhi passar o resto da minha vida faz anos. Era meu hábito escrever algo especial neste dia especial, para lhe oferecer, num postal. Mas se a memória não me atraiçoa, nos últimos dois ou três aniversários por um motivo ou outro (leia-se desculpa ou outra) acabei por não o fazer. Acho que é uma tradição a retomar por todos os motivos possíveis. Por isso, desta vez para além de escrever algo, faço-o de forma a que este texto seja partilhado com quem me lê (ou pelo menos a quem interessar).

A ti, Sofia, digo-te que o que me move a escrever-te hoje, para além do teu aniversário, é o reconhecimento daquilo que significas para mim. Sempre que tento estruturar na minha cabeça uma forma possível de o descrever acabo por ter pensamentos desorganizados, tal é a quantidade de coisas que tenho para te dizer. Por isso vou dar o meu melhor mas desculpa se por vezes a coisa não ficar muito clara.

És… o meu refúgio. És a pessoa que sei que está sempre à minha espera, para me colocar a mão no ombro, para me abraçar, para me dar um beijo e dizer que vai correr tudo bem, quando as coisas correm menos bem. És a pessoa que vê o melhor caminho que devo seguir quando surge o nevoeiro. És a pessoa que confia em mim para percorrer esse caminho, por vezes mais do que eu próprio. És a pessoa que percorre o caminho comigo, mesmo quando faço a escolha errada.

És… a minha heroína. És a pessoa que eu mais admiro, por tudo aquilo que consegue fazer, sempre sem vacilar. Não amíude falta-me a paciência quando tu a consegues manter. Falta-me a força quando tu consegues ser forte. Falta-me o discernimento quando tu consegues ser racional. És mãe, és mulher, és profissional, e em tudo és boa a sê-lo. E nunca deixas de o ser.

És… o meu ânimo. És alguém com com brinco. Aprendeste a deixar-me brincar contigo, mesmo quando as brincadeiras não eram ou não são do teu agrado. Ris-te comigo e isso faz-me rir. Gosto de rir, mas gosto muito mais de me rir contigo. Aprendemos a rir um do outro e de nós próprios, em conjunto. E os nossos meninos também já aprenderam e também vão fazer parte desta risada geral pela vida fora, que é o melhor remédio para a felicidade.

És… a minha inspiração. Quando por vezes me esqueço daquilo que me motiva e me move a fazer determinadas coisas, penso em ti. Penso em nós e naquilo que até hoje construímos juntos. Lembro-me que esses são os derradeiros objetivos que temos e penso que as razões para fazer tudo aquilo que faço são essas mesmas. Quando uma manhã ou uma tarde ou uma hora ou um minuto não correm como gostaria, lembro-me que no final do dia estarei contigo, e sei que essas horas ou minutos vão correr como quero que corram. E sei que não tenho de me preocupar com isso, porque simplesmente vai acontecer, aconteça o que acontecer.

És... a minha musa. Mesmo em fases da vida como a atual, em que a criatividade e a inspiração não me sobejam, consigo encontrar os resquícios de tudo isso que há em mim, escondidos em ti. Quando te procuro dentro de mim, encontro-te e encontro-me a mim também. Lembro-me daquilo que sou e volto a ser capaz de fazer aquilo que gosto de fazer. E a criatividade e a imaginação voltam a funcionar. E sou capaz de trautear uma música… sou capaz de visualizar uma das paisagens que visitámos… sou capaz de rever momentos específicos na minha cabeça, como aquele em que te conheci… sou capaz de escrever como faço agora, neste momento.

És… a minha mulher. Passados 12 anos desde que nos conhecemos, continuo a olhar para ti e simplesmente a desejar-te. Continuo a perder-me no teu rosto, no teu olhar e nos pormenores do teu corpo. Faço-o divertida e silenciosamente quando não reparas. Interrogo-me se farás o mesmo comigo. Fico feliz quando finalmente nos encontramos. Fazes inexplicavelmente com que nenhuma outra mulher seja relevante porque sinceramente só me apetece estar contigo.

És… tudo para mim.

Parabéns. Tenciono escrever-te mais, e antes do próximo nove do sete. Um beijo.

quinta-feira, julho 02, 2015

O Burro Sou Eu

De vez em quando gosto de me presentear a mim próprio a meio do dia, nem que seja com um simples almoço "chill out". Então lá vou a um lugar qualquer à minha escolha, simplesmente desfrutar da paisagem e da comida. Hoje foi um desses dias, e como um dos privilégios de trabalhar na zona de Alcântara é estar a poucos minutos a pé das docas (entre muitos outros locais que tenho aproveitado para visitar), foi este o destino escolhido. Enquanto esperava pela minha pizza Siracusa e beberricava a minha Stout, tive a oportunidade de assistir a uma cena circense de um par de velhotes que chegou naquele momento à doca. Objetivo: atracar uma pequena embarcação no cais. Algo que poderia ser simples, mas não o foi. Na primeira tentativa de aproximação (e não obstante os gritos do velhote nº2 que se encontrava na popa) o velhote nº1 embateu violentamente no cais tendo sido obrigado a reposicionar-se para tentar nova manobra. Na segunda vez, e já com menos velocidade, conseguiu não embater de novo contra o cais. Desta feita foi contra a embarcação que estava ao lado. Como se diz na gíria militar, era tempo de voltar à primeira forma, pelo que resolveu sair da doca e voltar a tentar. Embateu de novo contra um cais onde se encontrava outra embarcação. Nisto o velhote nº2 já tentava auxiliar da forma que podia, lutando desesperadamente para afastar a embarcação de todos os alvos a que o velhote nº1 fazia pontaria, com um varão metálico, sem sucesso. Finalmente e passados cerca de 15 minutos, lá conseguiram atracar no respetivo cais, não sem antes evitar um forte embate da proa do navio, onde ficou uma amolgadela para a posteridade. Dei por mim a rir-me daqueles dois senhores que tentavam desesperadamente atracar o Ricardo III (pomposo nome para tão pequena embarcação), acabando por rir mais de mim próprio, que nesta quinta-feira estava a desfrutar de breves momentos de descontração a meio de um dia de trabalho, enquanto que aqueles dois de quem instantes antes me ria chegavam provavelmente de uma bela pescaria, num dia maravilhoso, com um tom de pele que evidenciava tratar-se de algo que fazem frequentemente. Como dizia o Scolari... acho que o burro sou eu.

domingo, junho 28, 2015

Fim-de-semana Offline

Foi mais ou menos o modo em que resolvi "operar" durante este fim-de-semana. Graças à minha cara metade tive(mos) direito a uma estadia por duas noites na magnífica Quinta dos Amarelos, na Aldeia do Meco. Após uma cansativa sexta-feira rumamos a sul, deixando a criançada em casa dos avós. Chegámos tarde, mas ainda fomos a tempo de ir ao Mequinhos petiscar umas "latinhas" acompanhadas com um verde bem fresco. No dia seguinte foi tempo de acordar e levantar nas calmas e ir até à Praia das Bicas. O dia estava fenomenal, mas o mar estava bravo e não dava para aproximar sequer da água. Depois de almoçar uns camarões gulosos e uma salada de polvo acompanhados por uma sangria de espumante com frutos silvestres, tudo muito bem servido no Gula do Meco (onde anteriormente era o Amo-te Meco), foi tempo de experimentar a Praia do Meco a ver se o mar dava umas tréguas por ali. Não era o caso. Acabámos por terminar o dia na piscina da quinta, o que considerando a caloraça que apanhámos anteriormente, foi o melhor final possível. A noite foi dividida pelo jantar no Acácio e uns copos no Mariadelina. O dia seguinte começou novamente nas calmas. A quinta tem algo de muito relaxante que quase é difícil de explicar. Até a vida dos cães que lá vivem mete inveja! A praia foi na Lagoa de Albufeira, que peca pela quantidade de gente, mas prima por se poder ir à água sem medo de ser levado por um agueiro. Antes de vir embora foi tempo de matar o desejo de comer sardinhas, e voltar a casa com os dedos a cheirar a peixe. O fim-de-semana ainda não acabou e já estou cheio de saudades. Offline? Sim. Neste fim-de-semana não houve espaço para olhar o telemóvel, para espreitar o e-mail ou para dar uma espreitadela no facebook. Os momentos, as conversas aconteceram sem distrações nem subterfúgios. Os locais visitados foram vistos e absorvidos. Não tirei uma única fotografia, mas também não vou precisar porque não me vou esquecer destes dois dias... 

sexta-feira, junho 19, 2015

Conversas Coincidentes

Por vezes parece que os astros escutam as nossas conversas, para depois se alinharem de forma estranha e congeminarem sobre aquilo de que falamos. Foi sem dúvida o caso quando ontem estive a falar com um colega meu sobre o controlo do combustível na motos, e sobre as vezes em que, ao andar de moto, já tinha ficado sem combustível. A conversa acabou, da minha parte com a afirmação de que “com esta moto ainda nunca me aconteceu”. Pois é, mas como diriam os pacotes de açúcar Nicola, “Um dia fico sem combustível… Hoje é o dia!”. E foi. Resta contextualizar que tinha ido buscar a mota de manhã à oficina e que, após o acidente da qual esteve em “recuperação” durante quase 2 meses, a bóia do depósito terá ficado presa. Então saí do trabalho descansadinho quando de repente a luz da reserva acende e a mota pára logo de seguida (ainda que indicasse uma autonomia para mais 40 kms). Valeu o meu senhor pai que foi em meu auxílio com 4 litros de gasolina que me permitiram sair dali. Mas só quando atestei é que o raio do indicador do combustível/autonomia finalmente mexeu… agora é controlar este depósito a ver se ele (ou os atros, não sei bem) não me prega outra partida igual.

quinta-feira, junho 18, 2015

Up and Running!

Finalmente... passados dois meses... a minha menina está novamente de pé. Próximo objetivo: acabar com a média de 1 acidente em cada 2 anos.

quarta-feira, junho 17, 2015

Almoço Descansado

Finalmente sinto que a comédia começa lentamente a regressar à minha vida. Depois de um período mais sério, pequenos eventos começam a surgir para animar o meu dia. Foi o que aconteceu hoje durante o almoço. Resolvi ir até ao restaurante do Museu Nacional de Arte Antiga. A comida de lá é fraquinha, sobrevalorizada e servida num tabuleiro. Tudo caraterísticas que me levariam a não ir lá, não fosse o cenário magnífico no qual nos podemos sentar a degustar uma refeição perfeitamente mediana. Tem uma esplanada com relvado e sombras frescas, com uma vista para o rio espetacular. Por isso, tal como dizia, lá fui eu. Servi-me do que queria, peguei no tabuleiro e escolhi a melhor mesa disponível para degustar a minha refeição. Entretanto apercebi-me que tinha trazido talheres de peixe, o que não encaixa com um prato de carne. Voltei ao interior do restaurante para trocar os talheres, tarefa que me deverá ter levado uns 10 segundos, até regressar ao exterior. O cenário que encontrei deixou-me literalmente de boca aberta e sem reação. Estavam cerca de 20 pombos a degladiar-se em cima do meu tabuleiro, que deixou de se ver, enquanto devoravam avidamente e em segundos a minha refeição! Restou-me, passados alguns instantes, afugentar os ratos voadores que tinham comido e defecado em cima do meu tabuleiro e voltar (novamente) ao interior do restaurante para uma segunda tentativa de adquirir uma refeição, não sem antes ouvir a senhora que estava na mesa ao lado de onde tudo aconteceu, a cerca de meio metro de distância, pedir-me desculpa por não ter afugentado os pombos porque “pensava que já tinha terminado” (o que não tendo eu sequer tido oportunidade de me sentar, seria algo difícil de fazer). Enquanto me servia (pela segunda vez) não consegui evitar rir de mim próprio e ao contar a história ao empregado, ele teve dó de mim e ofereceu-me a refeição! Enfim, um final feliz para uma cena digna do Mr. Bean!

quarta-feira, junho 03, 2015

Escrita em Dia

Cinco meses depois desde o meu último post, com alguma dificuldade ganhei ânimo suficiente para escrever de novo. Muita coisa aconteceu desde então, e sobretudo os dois últimos meses não foram muito fáceis de gerir psicologicamente. Posso começar por relatar que mudei de emprego. No entanto, em vez de fazer o que tinha dito a mim próprio que iria fazer, que era arranjar algo que me permitisse ter mais tempo livre para estar com os miúdos e fazer coisas por mim e para mim, arranjei mais sarna para me coçar. Nos dias que correm é impensável para mim sair antes das 19h30, e considerando que levo pelo menos uma hora no trajeto, raramente chego a casa antes das 20h30/21h00. Além disso avizinha-se a probabilidade de viajar para países como o Azerbaijão e Angola... Portanto, um tiro certeiro em termos financeiros, mas um tiro ao lado em termos de qualidade de vida. Isto para não falar na ginástica mental que tenho feito para ultrapassar o mês que antecedeu a minha mudança, no que diz respeito às opiniões negativas das pessoas com quem falava sobre esta minha mudança. Quando se ouve 9 em cada 10 pessoas dizer-nos que estamos a fazer asneira, quer se queira quer não, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. O resultado foi que em vez de começar a nova etapa com o espírito em alta, comecei de pé atrás, o que não ajudou em nada. Mais ou menos ultrapassado este choque térmico inicial, outros fatores houve que contribuiram para o meu invulgarmente fraco estado de espírito. Há cerca de um mês estive envolvido em mais um acidente de mota (apenas 6 meses após o anterior), com um carro cheio de ciganos que não parou num cruzamento, e depois de me fazer "ir ao tapete" se colocou em fuga. Se alguém vir um Fiat Punto cinzento de matrícula 11-65-IM, podem atirar-lhe uma pedra da calçada e digam que vão da minha parte. Tenho matrícula, tenho testemunhas, tenho auto da polícia, tenho tudo... o outro carro é que aparentemente não terá seguro válido. Considerando uma reparação orçamentada em 4.600,00 eur. é mais uma dor de cabeça para resolver sem fim à vista. Como se não bastasse, no dia que se seguiu ao acidente de mota, logo pela fresquinha, tive um acidente de carro com uma jovem estudante que resolveu enfiar o seu Mercedes na traseira da minha carrinha. Nada de muito grave, e esse ainda assim resolveu-se com relativa facilidade. Aliás, é das poucas coisas que resolvi nos últimos tempos. Para terminar e não me alongar mais no choradinho, hoje fui ao médico porque desde o acidente de mota fiquei com dores no ombro esquerdo. O diagnóstico é uma "rotura da coifa dos rotadores", que é como quem diz "ombro lixado" e que me vai obrigar a fazer fisioterapia... Resta-me dar por feliz pela família e pelos amigos que tenho que têm sido fundamentais nos últimos tempos para a minha sanidade mental. É bem certo que as coisas podem sempre ser piores, por isso e apesar do meu tom negativo, o meu espírito já está um pouco mais animado que há um mês atrás. O que me leva à promessa de deixar de me queixar de uma vez por todas e seguir em frente, jogando com as cartas que me foram distribuídas. Até breve!