Hoje foi tempo de visitar o meu anterior local de trabalho, em trabalho. A distância e o tempo são muitas vezes nossos amigos, e passado algum tempo desde a última vez que estive lá, hoje fiquei simplesmente contente por poder rever as pessoas que se tornaram minhas amigas ao longo de anos de convívio, além da realização das tarefas profissionais que lá me levaram. Se o meu caminho profissional me continuar a levar até lá ocasionalmente, acho que é esse sentimento que vou ter e isso faz-me de imediato sentir bem relativamente a qualquer cenário que se coloque. Os tempos passados ficaram lá para trás e os motivos que me levaram a sair também. Agora e assim, estou bem, e só gostava que as pessoas que lá ficaram se conseguissem sentir como eu... mas talvez a minha presença seja também benéfica nesse sentido! A aguardar cenas dos próximos capítulos.
sexta-feira, outubro 24, 2014
quinta-feira, outubro 23, 2014
Coexistência Pacífica
Devido às caraterísticas da minha atividade profissional, não tenho um local de trabalho fixo. Os vários projetos em que participo podem levar-me para locais dentro ou fora de Lisboa, mais ou menos longe da zona onde vivo. Neste momento um deles leva-me a percorrer cerca de 40 kms (para cada lado), tendo de entrar e sair de Lisboa para chegar ao destino, percorrendo algumas das vias mais complicadas em termos de trânsito. Já agora aproveito para referir que o meu emprego de sonho (ou quase) seria aquele em que eu pudesse ir de bicicleta para o trabalho. Voltando ao tema inicial, enquanto hoje percorria o IC19, deparei-me com 6 kms de trânsito parado por causa de um acidente. Felizmente o meu meio de transporte é uma moto, por isso o impacto destes imprevistos mais ou menos previsíveis é reduzido. Nesta ocasião percorri os kms de fila atrás de outro motociclista, que só me ocorre dizer necessitava de um curso de gestão de raiva... O homem esperneava, gritava, fazia gestos obscenos... Só estava a ver quando é que parava a moto e desatava ao pontapé a um carro qualquer. Ainda que a expressão de descontentamento fosse a mais condenável e errada, o motivo era aquele que enerva (normalmente em menor escala) a totalidade ou quase dos motociclistas: o desrespeito de quem não o é, na estrada. Quem anda de moto diariamente como eu, quando conduz um carro, revela-se um condutor mais atento. Não muda de faixa sem olhar pelo espelho retrovisor primeiro... assinala as manobras com pisca... facilita situações de passagem... não se deixa ficar parado no meio de cruzamentos... em resumo (e obviamente correndo os riscos de fazer generalizações que são injustas para alguns) os motociclistas são melhores condutores de automóveis do que os condutores de automóveis que não são motociclistas. É certo que passar com a moto no meio do trânsito parado não está previsto no código de estrada, mas ainda assim a possibilidade de o fazer é um fator determinante para optar por este meio de transporte. Da mesma forma, os condutores de automóveis que olham com desdém para os motociclistas que o fazem, e por vezes arriscadamente os tentam prejudicar até com intenção, nem sequer fazem ideia do nível de atenção e stress que isto representa para um motociclista. Eu falo por mim, que o faço conscientemente, e sei que é uma manobra arriscada... sei que se algo acontecer, sou sempre eu o responsável perante as regras do código de estrada... sei que se algo acontecer, quem se magoa sou eu... sei que se algo acontecer, ainda serei o alvo da fúria do condutor que está do outro lado da equação. A bem da coexistência de motos e carros na estrada deixo aqui o meu apelo à reflexão e à cooperação. O resultado será certamente muito melhor do que algumas situações a que assisto diariamente.
quarta-feira, outubro 22, 2014
Dançar
Hoje apetecia-me dançar... tenho saudades de dançar... não tenho qualquer tipo de formação especial nesta área, nem nenhum jeito natural em particular... simplesmente é algo que gosto, e não tenho a oportunidade de fazer a sério há bastante tempo (possivelmente há mais de um ano ou dois!). Quando digo dançar a sério, refiro-me a agarrar num par, bem agarrado... sem ser aquela dança de mão no bolso e copo na outra! Quando vejo alguém dançar começo instintivamente a dar ao pé... Há algum tempo atrás as circunstâncias em que o fazia podiam ser as mais variadas, desde uma saída noturna até uma festa de verão. Agora, as saídas noturnas são quase nulas e quando ocorrem, são com horário de Cinderela. As festas de verão também acabam mais cedo, concretamente quando é hora de contar a história para adormecer alguém. A bem dizer, sobra, portanto... nada. Espero ansiosamente pela altura em que possa dançar de novo. Atividades como dançar e cantar têm um efeito positivo catártico que não se assemelha a quase nada que possamos fazer para nos sentirmos bem. Como o meu talento para cantar é bastante mais reduzido que para dançar, restrinjo esta atividade ao duche matinal, à condução do carro (a solo) e à distração dos mais pequenos para bem da sua alimentação. Agora o dançar... enfim. Tenho saudades.
terça-feira, outubro 21, 2014
Que Tem em Comum um Telemóvel e o Ébola?
Durante o dia de hoje, uma escola do Porto foi palco de um dia no mínimo insólito. Tudo começou quando, durante uma aula, aconteceu aquilo que já não é novidade. Uma aluna estava entretida a brincar com o telemóvel, quando o mesmo lhe foi retirado pela professora. A aluna pediu o telemóvel de volta, a professora explicou que segundo as regras o telemóvel seria entregue na direção, e só aí poderia reclamá-lo. A aluna não gostou da resposta e ligou aos pais (cuidadosamente identificados nesta notícia do Público como "feirantes"), que se deslocaram de imediato à escola, não para repreender a filha mas sim para agredir fisicamente a professora, o que conseguiram. Entretanto foi chamada a polícia ao local. Até aqui, tudo no infeliz retrato já habitual do país em que vivemos. A parte mais insólita começa quando em simultâneo é dado um falso alarme pela parte de algum aluno, em como existia um caso de Ébola na escola. Os pais acorrem em massa ao local, e sentem as suas suspeitas confirmadas ao ver o aparato policial. Começa a loucura generalizada, impossível de acalmar mesmo com as explicações da polícia, que tentava sem sucesso conter a entrada dos pais em fúria no estabelecimento escolar. Resumindo os dois casos juntos, ocorre-me dizer que um povo intolerante, ignorante, desordeiro e medroso é suficiente para destruir o modelo de sociedade em que vivemos. Certamente este foi, no mínimo, um dia lamentável.
PS: a professora agredida decidiu não apresentar queixa contra os pais "feirantes".
PS: a professora agredida decidiu não apresentar queixa contra os pais "feirantes".
segunda-feira, outubro 20, 2014
Tempo - O Dia Chegou
Hoje foi o meu último dia de licença, em que tive oportunidade de estar com os meus filhos, para os meus filhos, na plenitude do tempo e do "estar". Por mais cansativo e fisicamente duro que tenha sido o último mês, não consigo deixar de sentir já uma ponta de saudade e nostalgia ao pensar que a partir de amanhã tudo será diferente. De qualquer forma há uma coisa que desejo manter e até melhorar a partir de agora, sobre a qual pensei (com alguma ajuda) e que se foi tornando mais evidente nas diversas ocasiões e momentos de partilha: é mais importante a qualidade do que a quantidade do tempo que passamos junto dos nossos filhos. Para quem tem habitualmente pouco tempo, torna-se mais natural gerir o pouco que se tem de forma mais eficiente. No entanto não tenho dúvidas que exista muita gente que tendo muito tempo para os filhos, não o aproveita da melhor forma possível. Já aqui falei várias vezes dos inimigos do costume, como a televisão e outras coisas mais que são fatores de distração destruidores. Por ter esta consciência não me sinto desanimado e vou continuar a dar o meu melhor na gestão de tempo que posso e quero fazer para que os meus filhos sejam o mais felizes possível (e já agora, eu também).
domingo, outubro 19, 2014
Olhos Nos Olhos
Não costumo habitualmente colocar aqui vídeos ou outro tipo de conteúdos além de algumas imagens e muitas palavras. No entanto, este vale a pena ser publicado e sobretudo visto. Nem de propósito, hoje fui jantar fora e já depois de estacionar o carro e estar prestes a entrar no restaurante, apercebi-me que não tinha o telemóvel comigo. A minha primeira reação foi voltar atrás e regressar ao carro para ir buscar este pedaço de tecnologia que nos acompanha a todos, e nos torna sempre disponíveis mas tão inalcançáveis em todos os momentos. Sempre disponíveis porque temos a possibilidade de falar com toda a gente através de chamadas telefónicas, sms, facebook, google hangout, skype, whatsapp, viber... Tão inalcançáveis porque deixamos de olhar para quem está à nossa frente... deixamos de ver o rosto da pessoa que fala connosco... deixamos de ouvir e passamos a esperar o momento de sermos nós a falar alguma coisa, apenas até chegar o próximo silêncio incómodo. Quantas pessoas se sentam à mesa da refeição com o telemóvel ou tablet ao lado do garfo e da faca, distanciando-se automaticamente do(a) companheiro(a) que está ao lado... do filho que está em frente... do amigo(a) que temos a sorte de ter connosco? Nesta noite, deixei o telemóvel no carro. Nesta noite jantei, conversei, sem olhar para o pequeno visor para ver se tinha mensagens, chamadas ou simplesmente as horas. Nesta noite saí e bebi um copo sem iluminar a mesa escura do bar com a luz do pequeno ecrã. Nesta noite fui e estive só para quem foi e estava comigo. Quero ser assim mais vezes. Quero ser assim com mais pessoas. Quero que as pessoas sejam assim comigo. Quero. E posso. Podemos todos. A mudança só depende de nós.
sábado, outubro 18, 2014
Tempo
Está a chegar ao fim um período importante da minha vida, em que estive sobretudo dedicado ao meu filho mais novo, Pedro. No início da próxima semana regressarei ao trabalho, depois de um mês inteiro em casa, em que tive a oportunidade de "desligar" o cérebro (quase) de assuntos profissionais e focar-me na minha vida pessoal e familiar. Foi um mês muito intenso e cansativo, em que passei a maior parte do tempo a cuidar dos meus, mas em que também tive algumas oportunidades para pensar em mim e na forma como encaro a vida a diferentes níveis. Apesar deste mês ter sido importante, penso que o equilíbrio do ritmo normal que se avizinha será também importante para enquadrar melhor ainda tudo aquilo em que refleti. Uma espécie de aplicação de resoluções de ano novo ainda que fora de época, e sobretudo focada em pequenas coisas capazes de fazerem uma grande diferença. É um percurso que ainda está a ser (e estará) percorrido, mas estou a conter a minha pressa para dar todos os passos ao ritmo certo. Não consigo no entanto deixar de sentir uma nostalgia e saudade antecipada pelo fato de deixar esta rotina, que em tantas ocasiões me deixou feliz, como noutras me deixou à beira da loucura e do cansaço extremo. Entretanto, é tempo de viver o presente, apreciar o fim-de-semana que aí vem e entrar com o pé direito na semana seguinte. Um bom fim-de-semana a todos!
quinta-feira, outubro 16, 2014
Escrever Um Livro
Recentemente decidi-me (com um pequeno impulso de um amigo) revisitar a ideia de escrever um livro. A ideia, essa já a tinha. Passei então a estruturar o livro em capítulos, com temas específicos que traduzem o enredo geral. Basicamente fiz numa folha A4 um esboço do que gostaria que fosse. Passo seguinte? Escrever a primeira página. Por estranho e incrível que pareça, esta tarefa revelou-se hercúlea, mesmo para quem como eu consegue (umas vezes com mais, outras com menos esforço) escrever num blogue numa base diária. Efetivamente, depois da investigação necessária para introduzir alguns detalhes e tornar a narrativa descritiva q.b., consegui colocar os dedos a mexer e escrever a primeira página, mas ficou nada mais nada menos que... horrível. Dei por mim a querer condensar uma quantidade de informação num pequeno conjunto de parágrafos, que simplesmente é ininteligível para a maioria dos seres humanos. A quantidade de informação "despejada" foi tanto que eu próprio me senti assoberbado quando li o que tinha escrito. Acho que isto é um resultado direto de (como frequentemente me acontece em diversas situações) querer chegar demasiado longe demasiado depressa). Sinto que vou ter que me controlar e repensar a minha escrita, tanto quanto à forma como quanto ao conteúdo. Ainda não sei bem como vou regressar a esta tarefa, porque depois de arrancar cheio de convicção e com alguma confiança excessiva em como a coisa iria correr bem, sinto que caí na realidade da forma mais dura ao perceber as minhas muitas fragilidades enquanto escritor "wannabe". Deixarei por aqui novidades em relação às "cenas dos próximos capítulos", isto se conseguir passar da primeira página... ;)
quarta-feira, outubro 15, 2014
Errar
É humano. Pelo menos é o que toda a gente diz. Errar é a melhor forma de aprender. Também é o que toda a gente diz. Será que é assim? E será que o sentimento resultante de cometermos erros é compensado pela aprendizagem que daí resulta? Qual o número razoável de erros que podemos cometer, ou qual o número de vezes que podemos repetir um erro? E as pessoas que afetamos direta ou indiretamente com esses mesmos erros? De que forma essas pessoas são compensadas pela nossa dita resultante aprendizagem? Se as pessoas forem vítimas dos nossos erros repetidamente, talvez a aprendizagem resultante termine uma recorrência que as afeta, mas ainda assim, imagino que preferissem nunca ter passado por essa mesma experiência. Pelo menos imagino que se alguém sofrer com um erro meu, esse sentimento possa perdurar no tempo enquanto eu, por outro lado, posso esquecer o acontecimento no dia ou semana seguinte... Há dias em que após refletir, vejo que errei... uns dias mais, outros menos... e penso sempre que gostaria de voltar atrás e apagar esse erro. Mais ainda do que lutar para evitar cometê-lo novamente. Quando tal acontece, o sentimento de frustração cresce e a consciência de que um erro se repetiu é demolidora. Este texto é praticamente ininteligível para quem não esteja dentro da minha mente, mas é mesmo assim que me sinto agora. Amanhã será um dia melhor.
terça-feira, outubro 14, 2014
Distração Versus Concentração
Hoje tive a oportunidade de ler alguns artigos distintos sobre a dificuldade que as pessoas hoje em dia têm em concentrar-se. Artigos bastante diferentes na forma e no conteúdo, mas que abordam este tema tão real nos dias de hoje. Escrevo este post na primeira pessoa, no que diz respeito a esta situação, já que sinto diariamente que não tenho o foco e a concentração que deveria ter, nas mais variadas áreas da minha vida, quer pessoal quer profissional. Quantos de nós conseguem prestar a devida atenção nos momentos certos, relativamente às pessoas e aos acontecimentos que deveriam ser o mais importante? Posso dar alguns exemplos de pequenas atitudes que tenho vindo mentalmente a trabalhar de forma a conseguir "melhorar-me" neste aspeto. Quando estou a conversar com alguém, em casa, num restaurante ou num café, evito colocar o telemóvel em cima da mesa. Quantos de nós não têm este hábito nos dias de hoje? Se o telemóvel tocar, mesmo que optemos por não o atender, já fomos vítimas de uma distração. Ah, já agora, o meu está sempre no silêncio. Quando estou em casa, com a família ou amigos, a televisão não passa mais nada a não ser canais de música. Quantas vezes as pessoas focam muito mais a sua atenção no que está a dar na televisão, do que nas pessoas com quem estão a almoçar ou jantar? E mesmo quando estamos a conversar com alguém, quantas vezes estamos realmente a ouvir em vez de estar simplesmente à espera da nossa vez para falar? Quando vou a conduzir, tento (neste caso particular com menos sucesso) evitar usar ou ter ao alcance o meu telemóvel. No pior cenário opto por usar um auricular ou mãos livres, mas é sempre uma distração. E afinal de contas, enquanto estamos a conduzir, o que é mais importante? Conduzir ou atender uma chamada? Ando também a tentar educar-me para só aceder a redes sociais em determinadas alturas (este também com menos sucesso), em vez de passar o dia a "espreitar" o que se passa. Na maior parte das vezes, não se passa absolutamente nada, mas perde-se à mesma tempo a ver lixo e informação completamente irrelevante. Estes são só alguns exemplos, mas de certeza que quem ler este texto se vai identificar e provavelmente lembrar de uns quantos outros que aqui deveriam estar. A mensagem é clara, devemos todos recuperar o foco que o excesso de informação com que somos bombardeados diariamente, nos fez perder. A dispersão é amiga da distração e consequentemente inimiga da concentração. E a concentração e foco são aquilo que nos permite chegar onde quer que queiramos chegar.
Etiquetas:
atenção,
concentração,
dispersão,
distração
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