domingo, setembro 28, 2014

Até ao Lavar dos Cestos...

Este foi fim de semana de vindima. A vindima é que não foi exatamente aquilo que se esperava! São Pedro até deu umas abébias mas quando chegámos à vinha, os javalis tinham-se antecipado e deixaram-nos os cardaços... Ainda conseguimos apanhar qualquer coisa por aqui e por ali, mas nada que no final de contas dê mais que uns 200 litros de vinho. Ainda assim, mesmo quando as coisas não correm como esperado, é sempre um momento especial para mim poder participar neste ritual todos os anos. E a cada ano que passa, saboreio mais (e melhor) os pequenos detalhes. Ir na caixa aberta da Ludovina (nome carinhoso com o qual batizámos um veículo "híbrido" - metade UMM, metade L200) que nos transporta nestas andanças... Descarregar os cestos... Apanhar as uvas... Carregar os cestos cheios ao ombro encosta acima, em passo lento, enquanto os músculos acusam o esforço pouco habitual para quem passa o dia sentado... Esmagar as uvas para dentro da dorna... Ver o vinho a começar a fermentar passadas algumas horas... e no fim lavar a esmagadeira e os cestos, que ficam guardados até ao ano seguinte. O cheiro da uva esmagada que se faz sentir pela rua fica-me na memória durante dias, como se me puxasse de volta para aquele espaço... para aquele pequeno mundo em que tudo é tão simples e ao mesmo tempo tão enriquecedor. Ainda agora cheguei, e ainda ontem estava lá, a sentir in loco, tudo isto que acabei de descrever. Com as melhores pessoas do mundo à minha volta (tirando algumas que este ano tiveram falta e cuja falta se fez sentir) a partilhar estas experiências e este exercício de despertar os sentidos. Ainda agora cheguei, e já só queria poder estar lá novamente. Para o ano há mais.

sábado, setembro 27, 2014

5 Meses Depois...

O Pedro é uma realidade. Está aqui. Veio modificar radicalmente a vida de outras tantas pessoas. Começando por mim, pela mãe e pelo irmão que apenas com 4 anos tanto gosta dele. 5 meses depois, aqui está ele, já com a sua forma de ser e estar... com a sua personalidade. Como é possível alguém com 5 meses ter uma personalidade tão marcada e forte? Não tem sido sempre fácil, como também não foi com o irmão. Mas tenho a certeza que o esforço dos momentos mais difíceis será igualmente compensador. 5 meses depois, depois da mãe, chegou a minha vez de estar com ele. E quando digo estar, digo ESTAR a 100%. Sem meios tempos nem distrações. Um mês inteiro completamente dedicado a este pequeno ser que tem um impacto tão grande e de tão variadas formas naquilo que é a nossa vida. Confesso-me rendido a ele, e acho que é a melhor forma de estar. Não tentar fazer outras coisas que requeiram a minha atenção, outras que não tomar conta dele. Umas vezes é mais difícil, mas outras é magnífico. Quando sai um sorriso ou uma gargalhada, o sentimento equivale a ver um dia radioso de sol abrir no meio de uma tempestade. E quanto mais sorrisos, olhares, toques se vão desenvolvendo e desenrolando a partir do seu pequeno corpo, em relação a nós, mais radiosos ainda se tornam os dias que temos o privilégio de passar com ele. Agora que chegou o Outono, espero ver começar o meu verão, nas próximas semanas. E sei também que é mais certa esta minha previsão do que as que o IPMA falha numa base diária...

sexta-feira, setembro 26, 2014

Terceiro Passo de Um Caminho Mais Longo

Depois do primeiro passo de um caminho mais longo ter sido dado em Julho de 2012, e na sequência do segundo passo já em Março de 2014, eis que chega a altura de começar a delinear o terceiro para não ter o mesmo intervalo que os anteriores. Da primeira vez foram 3 dias de viagem de moto pela zona centro do país. Alguns locais que já conhecia, outros nem por isso. Uma viagem excelente, para a história, feita em boa companhia com alguém que teve a oportunidade de conhecer uma parte de um país que já é o seu, apesar de não ter nascido cá. Da segunda vez foram também 3 dias, dedicados à zona norte. Desta feita a viagem já foi mais preenchida com locais que não conhecia assim tão bem. Apesar de ter partido nesta segunda aventura sozinho, foi uma vez mais uma experiência indescritível, repleta de locais, pessoas, paisagens, sabores, aromas e muito mais, que nunca esquecerei. Sempre que me lembro destas duas viagens, o meu punho começa a sentir comichão e vontade de acelerar, para me levar rumo ao desconhecido em cima de duas rodas. O cansaço físico do corpo cai facilmente no esquecimento, logo após a conclusão de cada viagem, por isso ficam só as memórias boas e a vontade de repetir. Está na altura de começar a pensar nisso. Melhor, está na altura de fazer algo em relação a isso. E o primeiro passo, deste terceiro passo (peço desculpa pela redundância) é definir uma data. E nada melhor do que celebrar um ano desde a última viagem, quando se faz a seguinte, por isso fica desde já marcada para os dias 14, 15 e 16 de Março de 2015. Destino: sul do país. Mais detalhes (que já tenho) serão revelados por aqui brevemente.

segunda-feira, setembro 08, 2014

O Maluco dos Eletrodomésticos

Desde que em 2009 mudei de casa, tenho um mono na garagem que é o meu frigorífico antigo. Como a casa tinha um encastrado, para lá ficou a ganhar pó. Pior, já que devido a ter sido transportado na posição incorreta, perdeu o gás e precisa de recarga (orçamento aproximado de 150 "aéreos"). Como disse, mono.

Depois de recentemente ver um anúncio afixado junto a uma caixa multibanco qualquer, de um tipo de dizia comprar e vender todo o tipo de eletrodomésticos, avariados ou não, vi ali uma solução fácil para o meu problema.
O primeiro passo foi ligar para o número indicado. O resultado foi que ninguém atendeu.
No entanto, passados alguns instantes, recebo uma SMS que deu início ao que posso chamar de conversa parva, e que por isso mesmo passo aqui a transcrever:

Maluco dos Eletrodomésticos: Boa tarde. Ligou para mim? Não posso atender. Era para comprar?? Ou vender?? E o quê?? Mande mensagem... Em que cidade vive? Obrigado.

Eu: Boa tarde. Vender. Frigorífico Electrolux a precisar de recarga de gás. Póvoa. Cumprimentos. Marco

Maluco dos Eletrodomésticos: Frigoríficos avariados, não.

(intervalo de 10 minutos sem troca de mensagens, já que a partir daqui me abstive de responder)

Maluco dos Eletrodomésticos: Vendo eletrodomésticos e compro, bons ou avariados. Guarde o meu número e pode dar a outros. Obrigado. Rui Daniel.

Eu: Avariados... menos frigoríficos!

Maluco dos Eletrodomésticos: Sim. Depende. O que tem?

Eu: Precisa de recarga de gás devido a ter sido transportado deitado durante mudança.

Maluco dos Eletrodomésticos: Não.

Optei por deixar a conversa ficar por aqui, porque fiquei com receio de entrar num ciclo infinito... Mas acredito que o meu interlocutor tinha surdez, amnésia, esquizofrenia e SMS à borla.

domingo, julho 06, 2014

Big Brother is Watching

Na sequência de alguns artigos que li sobre aspetos sociológicos e psicológicos relativos a redes sociais e à forma como conduzem experiências com os seus utilizadores, mais concretamente no caso do Facebook em que o estado de espírito dos utilizadores foi "manipulado" numa experiência com 700 mil pessoas (sem o conhecimento ou consentimento das próprias), resolvi na última semana fazer o exercício de autocontrole de não aceder à dita rede. Foi muito menos difícil do que pensei, mas verifiquei um pormenor interessante: o Facebook não quer que as pessoas façam o que eu faço. Dito assim parece algo óbvio, já que o Facebook não quer perder os seus utilizadores, fonte de rendimento através da visualização de publicidade, para a organização. Mas a forma como o faz é, no mínimo, agressiva. Posso dizer que, apesar de ter todas as notificações desabilitadas, passados dois dias comecei a receber e-mails a dizer que "muito tinha acontecido desde a última vez que tinha acedido"... depois este tipo de notificação por e-mail, intensificou-se, começando a receber estas mensagens de 8 em 8 horas, indicando que tinha X pedidos de amizade... Y convites para eventos... Z notificações de publicações... basicamente, um massacre! Resolvi portando deixar para o fim-de-semana o ato de colocar a leitura em dia, e repetir esta ausência da dita rede com mais frequência e por períodos maiores, para ver o que acontece a seguir. Se a trama se adensar, a inativação de conta (pela segunda vez) avizinha-se como uma possibilidade.

quarta-feira, julho 02, 2014

Semana de Trabalho

Hoje é dia de regressar à escrita. O computador está como eu (com a bateria a uns 10%), mas deve chegar para escrever meia dúzia de linhas. O tema de hoje surgiu-me ao ler um artigo do SOL, em que um reformado do sistema de nacional britânico defende que a semana deveria passar de 5 para 4 dias de trabalho. Ora está bom de ver que por estas bandas a coisa está mais a modos de passar de 5 para 6 ou 7 dias de trabalho, como no "tempo da outra senhora". Se o tema deste artigo parece um bocado ridículo de tão próximo que é com os desabafos típicos de um português a tomar café numa segunda-feira de manhã, o conteúdo faz todo o sentido. A justificação é que cada vez mais se trabalha mais, com menos direito a intervalos. As pessoas comem uma refeição rápida de pé num café, ou uma sandes na secretária do trabalho... os casais com filhos trabalham de forma agressiva tentando desesperadamente ter o tempo que nunca chega para acompanharem devidamente os filhos... em suma falta tempo para tudo o que é realmente importante. Ora quem me lê por aqui já viu esta mesma afirmação numas quantas publicações anteriores, pelo que escusado será dizer que concordo plenamente com o amigo "bife". E falando um pouco mais a sério, o resultado final deste estilo de vida é bastante grave, e inclui doenças como o stress, a obesidade e a hipertensão. Para piorar o quadro, resta referir que quem não vive nesta azáfama vive habitualmente no extremo oposto: o desemprego - ainda pior! Enfim, depois de ler estas linhas reforço o meu estado de espírito e o esforço consciente - esperançosamente no futuro subconsciente - de gerir o meu tempo da melhor forma. São vários os exercícios mentais que tenho feito, e por vezes deixar algumas coisas de lado, ou mesmo para trás, não é tão mau como à partida pode parecer. Sobra mais para outras coisas, o que afinal é aquilo que se pretende!

terça-feira, junho 17, 2014

Tempo de Qualidade...

Sem palavras.

domingo, junho 15, 2014

2 Semanas

O tempo que estarei em casa a contar de hoje. Tempo que me é concedido para PODER estar com os meus. Tempo que tenciono aproveitar ao máximo, por eles e por mim. Espero também poder descansar e "reposicionar" a minha mente onde quero que ela esteja. Nos últimos tempos tem andado a deambular, por isso está na hora de voltar ao seu lugar. Grandes objetivos: poder estar com a criançada, mais do que é habitual. Pequenos (mas também grandes) outros objetivos, reservados para uma porção do tempo que me é concedido, para além da criançada: ler e escrever, meditar um pouco e desintoxicar o corpo com algum exercício. Não sei se vou conseguir ter a resistência e força de vontade para acomodar isto tudo em duas semanas, mas pelo menos acho que vale a pena tentar. Entretanto, vou escrevendo por aqui a dar conta do meu estado de espírito, ao longo dos próximos dias. Agora, vou abandonar o teclado. Hora de caracolada com uns amigos. Sem dúvida, uma boa forma de começar este "período de mudança"!

quinta-feira, junho 12, 2014

Insónia

Não consigo dormir. Não sei dizer porquê, mas não consigo dormir. Sistematicamente, quase todas as noites, depois de todos adormecerem, vagueio pela casa sozinho, intercalando entre breves zappings televisivos no sofá e curtas leituras sentado à mesa. A mente trabalha de forma desgovernada, e o resultado nada tem de produtivo. Há bem pouco tempo atrás conseguia fazer render estes momentos, com resultados produtivos. Conseguia gerir uma forma de meditação que me era útil para rever o dia anterior e preparar o dia seguinte. Agora deixei de conseguir fazer isso, e sinto que o meu cérebro se limita a subsistir. Porquê? Este tempo é realmente útil, se aproveitado, já que não se está a dormir. E repare-se que dormir seria uma utilidade muito mais interessante, já que se pode entrar num ciclo vicioso: se o corpo não deixar, a mente não trabalha devidamente, e para o corpo deixar é preciso descansar e... dormir. O que consigo fazer neste estado é realmente muito limitado. Em algumas semanas vi duas ou três temporadas que me faltavam da única série televisiva que sigo, mas não fui capaz de terminar dois livros que tenho a poucas páginas do final. Perco-me a ler coisas sem interesse em periódicos online ou no facebook, mas não consigo dedicar tempo a auto aprendizagem para matérias profissionais importantes, que necessito. Tenho uma linha de raciocínio desregrada que geralmente se mantém depois ao longo do dia. Tenho de quebrar o ciclo... alguma ideia? Dispensam-se propostas que envolvam químicos, mas agradecia conselhos de quem tenha superado com eficácia situações semelhantes, já que ao longo dos anos percebi ter tendência para cair nestes ciclos...

quarta-feira, junho 11, 2014

Mais Uma Ausência Justificada...

O formigueiro na ponta dos dedos trouxe-me aqui outra vez. Passado cerca de um mês e meio da minha mais recente mudança radical de vida, em que passei a ser pai de irmãos em vez de pai de filho único, aqui estou eu de novo a escrever. E o curioso é que o faço precisamente numa altura em que tudo parece estar a meu favor, menos o tempo. Não falo do tempo que todos se queixam, o das condições climáticas, mas sim o tempo que passa, não volta, e parece sempre curto. Gostava de ter mais tempo para fazer tanta coisa que gosto com quem gosto, e acabo por constatar o óbvio: não consigo. Por melhor que tente gerir o meu tempo e disponibilidade, nunca sinto que seja suficiente. Fica sempre algo, ou pior, alguém, para trás. Vou lutando para que assim não seja, mas o melhor que sinto alcançar é um equilíbrio frágil entre o que quero fazer e consigo fazer.

Aquilo de que me queixo não é um vago desejo de querer mais tempo para fazer "cenas", mas sim uma concreta vontade que tenho de passar mais tempo com os meus antigos, porque a cada dia que passa a noção de que um dia cada um deles deixará de cá estar angustia-me. Uma concreta vontade de passar mais tempo com os meus filhos, porque sei que é essa experiência que em última instância é determinante para que eu possa contribuir para que sejam quem quiserem ser, e que isso seja serem pessoas boas e boas pessoas. Uma concreta vontade de estar com quem amo, porque se o amor não é suficientemente motivador para que isso aconteça, então o que será? A verdade é que o dia-a-dia das pessoas da sociedade em que me insiro, é uma realidade "fazer A para chegar a B", ainda que não se desgoste de "fazer A" (como felizmente é o meu caso). O problema é que normalmente se gosta mais do "chegar a B".

Ocasionalmente cruzo-me com as palavras escritas ou ditas de alguém que realizou o que considero um verdadeiro "sonho". Alguém que tem no seu caminho o seu próprio destino. Alguém para quem "fazer A" equivale a "chegar a B", sem termos nem condições. Gostava de ser uma dessas pessoas. Para já, contento-me com os meus momentos de "chegar a B". Contento-me com as brincadeiras e boa disposição do Alex, com os sorrisos inesperados do Pedro, com a cumplicidade constante da Sofia, com o amor incondicional que sinto da/pela minha família e com os poucos e bons amigos que tenho a sorte de ter. Mas todos os dias continuo a puxar pela cabeça para descobrir como raio poderei alcançar o meu Nirvana... alguém me pode ajudar?