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domingo, setembro 15, 2019

Mais Uma Vindima

Cada vez que chega esta altura do ano, sinto-me sempre feliz pelo facto de ainda ter a oportunidade de participar numa vindima, assim como de partilhar esse momento e essa experiência com os meus filhos. Assim foi este ano. Lá se geriram as disponibilidades e definiu-se o fim-de-semana para o efeito. E correu lindamente, melhor que no ano anterior! Havia mais uva para apanhar... não foi necessário andar sempre a fugir de vespas, e até o tempo deu umas tréguas para se poder trabalhar sem calor a mais e, sobretudo, sem chuva.


Desta vez fiz questão de "afinar" eu próprio o aperto da esmagadeira, que no ano anterior nos deixou ficar mal, e que talvez por isso tenha resultado em ter o vinho tinto estragado a meio do ano...


O resultado bem visível do "aperto" que levaram... e chegou para quase encher duas dornas!


E como ainda sobrou algum tempo, resolvi colocar em prática um pouco de "exploração infantil"... ao fim ao cabo, o carro já não era aspirado há mais de um ano. Há limites.


Para o ano haverá mais, se tudo correr bem. Agora... venho o vinho!

domingo, setembro 24, 2017

Outras Vindimas

Duas semanas depois de ter andado a vindimar ali para os lados de Penamacor, este fim-de-semana foi novamente dedicado ao vinho, mas ligeiramente ao lado, próximo de Pampilhosa da Serra. Se as emoções que descrevi quando relatei a vindima passada tinham sido fortes, aqui revestem-se de um caráter especial por se tratar do local onde desde muito novo tive a oportunidade de viver este tipo de experiência e vivência, guardando muitas recordações especiais dos muitos anos de vindima ali passados. Foi ali que gravei na memória o cheiro da uva esmagada que pairava na rua, próximo de cada adega por onde se passava. Foi ali que aprendi a colher e carregar as uvas até às dornas onde seriam esmagadas. Foi ali que sucumbi com alegria perante o cansaço do final de um dia inteiro a carregar cabazes cheios às costas, a subir encostas íngremes por carreiros estreitos. Foi ali que observei o processo alquímico de ver o sumo de uva doce começar a transformar-se em vinho pelo processo de fermentação. Foi ali que bebi o sumo de uva acabado de esmagar pela primeira vez. Foi ali que vi o vinho ser cuidadosamente armazenado nas pipas de madeira que guardavam elas próprias a memória de vinhos antigos ali produzidos. Foi ali que bebi vinho pela primeira vez. Foi ali que engarrafei o vinho que seria mais tarde servido à mesa onde a família toda se reuniria, como que num ritual de celebração à volta de si próprios e do próprio vinho.  E este ano voltou a acontecer, com o devido distanciamento temporal, com as devidas diferenças, com novas presenças e novas ausências. Foi ali, que agora mesmo, me senti novamente feliz. Desejo do fundo do meu coração que este ritual se possa continuar a repetir e a transformar ao longo dos anos, e que um dia os meus filhos possam escrever (mas sobretudo sentir) algo como aquilo que agora relato aqui.

segunda-feira, setembro 11, 2017

Mais Uma Vindima

Tive mais uma vez o privilégio de, tal como tenho conseguido fazer quase todos os anos desde que me recordo, participar numa vindima. Cada vez aprecio mais o facto de o conseguir fazer, porque cada vez me parece mais próximo o momento em que posso deixar de o conseguir fazer. As vinhas vão desaparecendo... as pessoas vão deixando de as poder cuidar... e subitamente surge a perceção de que tudo pode terminar. Confesso que é um sonho meu um dia ter uma vinha minha - não precisa de ser de grande dimensão nem muito variada, bastam duas ou três castas... - para todos os anos poder reunir um grupo de familiares e amigos e fazer uns quantos litros de vinho. Todo o processo, convívio e por fim o resultado final, são ingredientes de uma receita que me continua sempre a fazer feliz. Pequenos pormenores como o cheiro da uva esmagada, a prova do vinho doce, o cansaço saudável no final de um dia de trabalho, contribuem para uma experiência ímpar e que deve ser valorizada. Para já não vale a pena preocupar-me muito com as oportunidades vindouras e se as mesmas se vão realizar ou não, mas sim registar mais uma lembrança e saborear os momentos vividos durante o último fim-de-semana. Espero que os mais pequenos também se recordem um dia destes momentos com o mesmo carinho com que eu me recordo daqueles que vivi, e com quem os vivi. Porque também é tempo de criar lembranças, além de as ter.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Vindimas 2016

Este fim-de-semana foi dedicado à vindima, uma tradição que tenho conseguido cumprir ao longo dos anos com alguma regularidade. Várias coisas me fazem desejar e ansiar por esta altura do ano. Em parte relacionadas com alguma nostalgia e boas memórias de quando muito cedo, ainda em pequenino, participava ou simplesmente assistia a toda a azáfama e alegria relacionada com este evento. Por outro lado, porque é algo que - ainda que fisicamente exigente - me deixa sempre descansado mentalmente. Foram dois dias onde nem o telemóvel deixei ligado. Foram dois dias em que só tinha de pensar onde colher cachos, onde os descarregar e para onde os espremer. Simples. Quer dizer, tirando a parte de andar a "pastorar" duas crianças irrequietas pelo meio, mas isso já faz parte. No final deste fim-de-semana, o sentimento do trabalho feito e do dever cumprido. Agora resta aguardar que o vinho (o tinto e o branco) fermente para se tirar das dornas e armazenar no devido lugar, à espera de ser sorvido com muito gosto, ao longo do ano. 

domingo, setembro 28, 2014

Até ao Lavar dos Cestos...

Este foi fim de semana de vindima. A vindima é que não foi exatamente aquilo que se esperava! São Pedro até deu umas abébias mas quando chegámos à vinha, os javalis tinham-se antecipado e deixaram-nos os cardaços... Ainda conseguimos apanhar qualquer coisa por aqui e por ali, mas nada que no final de contas dê mais que uns 200 litros de vinho. Ainda assim, mesmo quando as coisas não correm como esperado, é sempre um momento especial para mim poder participar neste ritual todos os anos. E a cada ano que passa, saboreio mais (e melhor) os pequenos detalhes. Ir na caixa aberta da Ludovina (nome carinhoso com o qual batizámos um veículo "híbrido" - metade UMM, metade L200) que nos transporta nestas andanças... Descarregar os cestos... Apanhar as uvas... Carregar os cestos cheios ao ombro encosta acima, em passo lento, enquanto os músculos acusam o esforço pouco habitual para quem passa o dia sentado... Esmagar as uvas para dentro da dorna... Ver o vinho a começar a fermentar passadas algumas horas... e no fim lavar a esmagadeira e os cestos, que ficam guardados até ao ano seguinte. O cheiro da uva esmagada que se faz sentir pela rua fica-me na memória durante dias, como se me puxasse de volta para aquele espaço... para aquele pequeno mundo em que tudo é tão simples e ao mesmo tempo tão enriquecedor. Ainda agora cheguei, e ainda ontem estava lá, a sentir in loco, tudo isto que acabei de descrever. Com as melhores pessoas do mundo à minha volta (tirando algumas que este ano tiveram falta e cuja falta se fez sentir) a partilhar estas experiências e este exercício de despertar os sentidos. Ainda agora cheguei, e já só queria poder estar lá novamente. Para o ano há mais.