terça-feira, novembro 17, 2009

O Rádio do Mandarim

Durante estes dias em que 99% do meu tempo é ocupado a mudar fraldas e a minimizar o estrago que as cólicas fazem a uma indefesa criatura com menos de 4 quilos, ocupei os restantes 1% com uma actividade que tinha pendente: montar um autorádio com DVD que comprei há uns 2 meses. Esta aventura dividiu-se em vários capítulos, desde o primeiro que é comprar algo do género pela Internet. Passados uns dias, levantei o aparelho numa loja de vão de escada ali para os lados de Sacavém, para chegar a casa e verificar que não dá para ligar com as ligações disponíveis (lá me lixaram o brinquedo novo). Começou assim o episódio seguinte de descobrir que adaptadores é necessário adquirir, para que tudo funcione. Uma vez descoberta uma loja que tratava do assunto, e feitas duas encomendas (uma falhada e outra que foi um grande sucesso), lá avancei para o passo seguinte: descobrir como obter imagem num rádio com leitor DVD. Pelos vistos alguém acha útil só poder ter imagem num rádio leitor de DVD com o travão de mão puxado... No manual, para ultrapassar esta "característica", dizia para ligar o fio rosa ao preto (o que não funcionou). Como tal resolvi inventar, e antes que o aparelho queimasse, descobri que funcionava ligando o fio laranja ao vermelho. Conclusão: quem escreveu o manual era daltónico. Posto isto, lá começou a maravilha tecnológica de origem chinesa a funcionar, e inclusivamente, quando está a reproduzir áudio simples, mostra um wallpaper com uma frase que diz tudo: "the joy is that creat a pute hapiness". Quando descobrir o que quer dizer "creat" e "pute", tenho a certeza que tudo fará sentido. De qualquer forma, devo dizer que o inglês dos chineses é muito melhor que o meu mandarim, e os rádios então, são espectaculares!

sábado, novembro 07, 2009

Adeus, Gigante...

Com a euforia e turbilhão de emoções e preocupações inerentes a uma nova forma de ser e estar na vida, relacionada com outra vida, adiei durante algum tempo o meu adeus ao meu gigante. Este gigante que era o meu avô, nos últimos dias em que esteve comigo, sempre manifestou - ainda que com dificuldade - o seu grande desejo de ainda poder conhecer o seu bisneto. Apesar da sua luta ficou a alguns dias de concretizar esse mesmo desejo, já que resolveu partir no passado dia 30 de Outubro. Se hoje não pude assistir ao adeus de alguns, não me esqueci no entanto que passaram 7 dias após a sua partida. Não me esqueci que tenho menos um gigante na minha vida. Não me esqueci do seu desejo forte que ficou por cumprir. É nestas alturas que queremos acreditar que existe algo mais em nós do que uma amálgama de células, e que podemos persistir no tempo para além da vida. Acredito que seja verdade, porque apesar de ter partido eu ainda penso nele (e isso é persistir no tempo). Quando olho e agarro no meu filho, penso no quanto ele gostaria de o ter visto e de ter identificado parecenças. Penso no orgulho que sentiria do seu bisneto e da promessa que há em toda a vida que começa. Por isso mesmo, tenciono hoje abraçar o meu filho, dar-lhe um beijo na testa e dizer "este é do teu bisavô", porque sei que este seu desejo também persiste no tempo. Estes dias da minha vida são a prova que a vida se renova, por muito dolorosa que esta renovação possa ser. Despeço-me assim num misto de "adeus" e de "olá".

sexta-feira, novembro 06, 2009

Cheguei!!!

Olá a todos! Como o meu pai diz que não quer transformar o blog dele num "baby blog", daqueles onde se começa a escrever sobre o número de vezes que um bebé tem cólicas durante o dia, ou sobre o número de fraldas que se gasta, tomei a liberdade de "hackar" este estaminé e dar-me a conhecer ao mundo. Por isso aqui fica o meu grande olá a todos: sou o Alexandre (o pequeno), cheguei no dia 4 de Novembro pelas 19h, peso cerca de 3,5 quilos e meço 49 centímetros. Conto vir para casa ainda hoje, porque já estou farto de estar na maternidade com todos aqueles chorões, e estou também muito ansioso para começar a dar trabalho aos meus papás durante muitos e longos anos (eles dizem que não se importam, mas eu acho que eles não sabem bem naquilo que se meteram...). Para já não tenho muito mais a escrever, mas prometo ir dando novidades!

quinta-feira, outubro 15, 2009

Está Quase...

Em 2010 já tenho direito!

segunda-feira, outubro 05, 2009

Vencer Pelo Cansaço

Não querendo transformar este modesto estaminé numa algaraviada política, mas não resisto a fazer mais um post, desta feita visando a União Europeia. O tema, mais concretamente: a votação do Tratado de Lisboa. A questão que foco: se o tratado tem que ser aceite por todos os membros da união, a votação há-de repetir-se as vezes que forem necessárias até ganhar o "sim". E basicamente foi isto que aconteceu recentemente na Irlanda, após quase 2 anos do início desta "novela". É uma boa forma de enquadrar a democracia dos dias de hoje, uma vez que as classes políticas acabam por vencer muitas vezes pelo cansaço. Basta ver que andamos todos cansados dos temas políticos, mesmo os que mais directamente nos afectam a nível nacional. De qualquer forma e voltando ao tema principal, parece-me que ao fim deste tempo todo continuamos quase todos sem saber muito bem a que diz respeito o dito tratado. Eu pessoalmente dei-me ao trabalho de, aqui há uns tempos, ir ler a versão resumida que está disponível no portal da união europeia, e fiquei admirado com o quão vago pode ser um tratado coberto desta importância. Resumidamente e para não massacrar o estimado leitor, a versão sintetizada aborda pontos como:

1. Uma Europa mais democrática e transparente

2. Uma Europa mais eficiente

3. Uma Europa de direitos, valores, liberdade, solidariedade e segurança

4. A Europa enquanto actor na cena mundial


Ocorre-me dizer que qualquer destes pontos depende em primeira linha de todo e qualquer cidadão europeu, e só depois de governos ou representantes políticos, o que considerando que a grande maioria das pessoas desconhece o teor do tratado, constitui um paradoxo. Instituir num papel que vamos todos ser mais democráticos, eficientes, solidários, etc. parece-me mais um poema do Manuel Alegre do que um plano político concreto para atingir algum objectivo. Quanto à Europa na cena mundial, arriscaria dizer que enquanto as grandes potências estiverem geograficamente localizadas por outras bandas, teremos apenas direito a um papel secundário, ou até mesmo de figurante.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Eleições e Confusões

Foi sem grande surpresa que, apesar de ter votado no domingo passado (como diria o Santana Lopes) com "sacrifício pessoal", recebi mais tarde o resultado das eleições. A única coisa que me ocorre dizer em relação a esse resultado e às reacções que vi e ouvi a nível nacional é que o nosso Fidel da Madeira cada vez parece menos "burgesso" em relação à concorrência (... e mais não digo). Posto isto e considerando que cada um tem aquilo que merece, deu-se início à novela seguinte. Confesso que sempre esperei que, com o grau interventivo que o nosso PR tem, após adiar as suas declarações para o período pós-eleitoral, adiasse novamente para o período pós-autárquicas, e por aí fora sucessivamente até toda a gente se esquecer do assunto. Ao invés, optou mesmo por falar e, verdade seja dita, da forma mais desastrosa possível (fez-me lembrar a figura de um elefante numa loja de cristais). Resumindo e concluíndo, parece que o nosso PR, por uma questão de idoneidade, prefere que o povo eleja um partido para o governo, no qual ele próprio não confia, e com o qual pretende levar a cabo uma guerra declarada, logo no início da legislatura. Parece-me bem, e tal como diz no seu discurso, parece-me que defende o "superior interesse dos portugueses". Tirando esta informação, em termos úteis, a única coisa que aprendi com este discurso foi que o gabinete da presidência não sabe utilizar o e-mail, por isso aproveito para deixar aqui uma recomendação a toda a malta do "staff" do Aníbal.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Os Meus Gigantes...

Desde pequeno incluí na minha vida uma série de pessoas naquilo que chamo a minha lista pessoal de gigantes. Essas pessoas, por um qualquer motivo, assumiram um papel de destaque... um papel de relevo que aliado ao facto de as conhecer desde criança me levaram a observá-las como gigantes, como seres com mais de 3 metros de altura... maiores que eu... maiores que o mundo. O problema de crescermos é que inevitavelmente vemos chegar o dia em que estes gigantes de repente já não parecem tão altos... em que estes gigantes parecem até vulneráveis... em que deixam de ter a capacidade de estar lá para nós, de nos proteger, e ao contrário parecem carecer eles próprios de alguma protecção. Para além de ser duro vivermos ou sobrevivermos a esta experiência, o mais difícil é que este momento chega sempre, mas nunca estamos preparados para ele. Um acaso qualquer faz com que olhemos para aquela pessoa e subitamente apercebemo-nos que algo está diferente, algo mudou... e não conseguimos evitar uma profunda tristeza, muitas vezes difícil até de disfarçar. E não conseguimos superar a impotência de pensar que nada há a fazer, e que este é apenas mais um inevitável resultado da natural lei da vida. Pois bem... raios partam a lei da natureza e da vida, e se por um lado pode ser uma merda morrer saudável, por outro é sempre expectável e justo podermos manter a nossa dignidade até ao fim. Espero sinceramente e com todo o meu coração que tanto o gigante que me leva hoje a escrever, como todos os meus outros gigantes, tenham a oportunidade de chegar ao fim com a dignidade que merecem, assim como espero ter essa mesma hipótese. Se o texto parece confuso para alguns desculpem, mas não me apetece ser mais explícito...

sexta-feira, setembro 11, 2009

Índice de Boosidade

Na sequência dos dois últimos posts de um gajo amigo, coloquei-me a pensar nas relações entre homens e mulheres. Não é assunto que me faça escrever por aqui muitas vezes, porque acaba invariavelmente por (por vezes desmerecidamente) receber mais atenção que todos os outros, por motivos mais ou menos óbvios. Tudo o que está relacionado com sexo(s) atrai de igual forma homens e mulheres, nem que seja para uma acesa discussão. Poderá ser este o caso, mas ainda assim o tema que pretendo abordar tem a ver com o que atrai os homens para as mulheres. Como o tal gajo muito bem disse, as primeiras impressões são muitas vezes... tudo. Aprendi isso desde bem cedo, quando ainda na escolinha inventei com uns amigos meus o conceito de "índice de boosidade", medida pela qual se avaliava o quão boa era uma mulher. Passados alguns anos deixei de utilizar esse termos pois claramente percebi que não me levava a lado nenhum esse tipo de manifestações "zé-zé-camarinheiras", mas ainda assim o conceito persiste até hoje. Atire a primeira pedra o maior hipócrita macho que diga que a primeira coisa que o atrai numa mulher é algo relacionado com o seu intelecto! As coisas da psique são importantes sim senhor, mas acabam por vir por arrasto. São importantes porque fazem a diferença entre uma queca e uma relação. São importantes porque fazem algo durar uma noite ou uma vida, se for o caso. Então porque é que existe claramente (por exemplo, em alguns homens) uma necessidade abichanada de dizer que a atracção inicial pelas mulheres é a sua generosidade ou inteligência, em vez de um peito generoso, umas pernas torneadas no topo de uns bons saltos altos ou até mesmo um traseiro impinado q.b.? Se passado um ano ou dois esse mesmo homem estiver com essa bonita, bela, escultural e/ou voluptuosa mulher (e mesmo que não seja terá certamente algo que o atraiu fisicamente), só é sinal que a inteligência, humor e amor também estavam incluídos no mesmo pacote, com uma embalagem bem catita! E isso só pode ser elogioso para ambos: ele porque soube escolher, ela porque fez jus ao que tão bem publicitava! E agora que venha a mulher que diga que... "com as mulheres é diferente"!

terça-feira, setembro 08, 2009

O Frankenstein Político

Na sequência dos vários debates e aparições públicas dos principais dirigentes partidários, é natural ouvir as pessoas indicarem as suas preferências e os seus pequenos (ou grandes) ódios de estimação. É o que tem acontecido ultimamente, com um pormenor interessante: regra geral, nenhum dos actuais líderes satisfaz praticamente nenhum membro do eleitorado. Parece-me assim que se impõe uma solução prática com uma pequena ajuda da ciência (ou da ficção científica, se preferirem). Nasce assim da minha mente (sem no entanto revelar as minhas preferências pois o voto é secreto)... o Frankenstein Político! O FP (chamemos-lhe assim para abreviar - "político" é cá um palavrão...) poderia ter as melhores características de cada político da actualidade. A minha sugestão seria algo como um mix das seguintes características ou "traços de personalidade":

1. o FP seria uma versão do Jerónimo de Sousa, enquanto modesto funcionário responsável por gerir uma vasta rede de roulotes sediadas à porta de cada empreendimento fabril, para que não faltem bifanas e música popular de fundo aos operários que subsistem apenas com o ordenado mínimo nacional;

2. o FP seria uma versão da Ferreira Leite, enquanto técnico oficial de contas com um penteado estranho, fornecendo a toda a população nacional o serviço precioso de preenchimento das declarações do IVA e do IRS, só sendo por isso necessário encarar-lhe a fronha uma ou duas vezes por ano;

3. o FP seria uma versão do Paulo Portas, enquanto enfermeiro ao domicílio
excessivamente bem vestido, para mudar as fraldas a todos os velhinhos de Portugal (nota: nas horas vagas faria voluntariado, indo até ao mercado mais próximo comprar peixe a troco de várias beijocas às peixeiras);
4. o FP seria uma versão do Francisco Louça, enquanto traficante/consumidor de drogas leves como haxixe (e "look-alike" do John Lennon), em eterna digressão pelo país na sua carrinha "pão-de-forma" amarela com pinturas florais e espanta-espíritos no seu interior.

5. o FP seria uma versão de José Sócrates, enquanto desportista frustrado e eterno alvo em movimento, fornecendo o divertimento a toda a população da prática de tiro ao alvo com armas de "paintball" e "airsoft", enquanto faz "jogging" pelas principais autoestradas em obras do país (um tiro certeiro na testa, em plena portagem ou tabuleiro da ponte, vale um ponto extra).

Peço desculpa aos restantes líderes partidários que, por força das circunstâncias, da falta de cobertura e protagonismo pela comunicação social ou por ignorância minha, não tiveram lugar nesta mescla humana. Mas não desanimem, pois podem sempre vir a ser uma parte importante do nosso Frankenstein Político... nem que seja o colhão esquerdo! Sempre dá para coçar...

Caro (e)leitor, do que está à espera? Não hesite... deixe já aqui o seu voto!

terça-feira, setembro 01, 2009

E se um Carro Assobia...

... isso chama-se Seat Leon. Não sei se foi da viagem a 200 km/h até ao Algarve, mas depois dos cerca de 300 kms concluídos, o carro ganhou um assobio novo. Agora, de cada vez que toco no acelerador, parece que vem uma ambulância colada a mim. Depois de ir até à Seat para ver o assunto, aconselharam-me a marcar uma data para analisar melhor o problema. Lá agendei a coisa que durou um dia inteiro de calor abrasador e transportes públicos. Ao final do dia eis senão quando sou contactado pela oficina a reportar que o carro não tinha problema nenhum, e que o prognóstico inicial de um tubo de admissão de ar mal apertado no sistema do turbo estava incorrecto. Uma vez que não se passava nada, podia ir levantar o carro, "e já agora o diagnóstico são 40 euros". Peguei em mim e na minha azia e dirigi-me à oficina, onde fui recebido com um "o meu colega já lhe explicou o diagnóstico"? Respondi que ele já me tinha explicado, mas que eu é que não tinha a capacidade de compreensão suficiente para perceber que "nada se passava" com um carro que quando acelera parece uma ambulância. Depois de aberta a discussão, e de me responderem que mesmo que o período de garantia não tivesse terminado no mês imediatamente anterior ao da avaria, nunca reparariam o carro porque a Seat "não repara barulhos", acho que a minha azia crescente os fez reduzir o belo do diagnóstico para 20 e não 40 euros, a ver se a coisa ficava por ali. Não quis bater mais no ceguinho (que neste caso devia ser eu) e fui-me embora, assobiando alegremente com a minha nova sirene até casa. Se alguém precisar de chegar depressa a algum lado, não hesitem, já sabem o meu contacto.