segunda-feira, outubro 10, 2011

O Toque de Midas

E se um dia um estranho lhe oferecer um paquímetro debaixo do capô... isso é MIDAS! Aquilo que inicialmente era uma simples mudança de óleo (coisa para demorar meia hora), foi o entretenimento de uma manha inteira para um mecânico da MIDAS. Quando após aguardar o contacto que nunca mais chegava me decidi ir ter à oficina para buscar o meu carrito, deparo-me com o pobre animal despojado das 4 rodas (e eu tinha quase a certeza que o tinha deixado intacto para mudar o óleo). Pergunta parva: "ó amigo, porque é que desmontaram as rodas do carro?". Resposta idiota: "porque fazemos sempre um diagnóstico para orçamentar a manutenção". Murmurar entre dentes: "mas eu queria mudar o óleo...". Resultado final, um orçamento de cerca de 500 euros, porque as pastilhas estavam no ir e os pneus tinham ido muito tempo... ou seja, um orçamento que foi direitinho para o lixo. Mas apesar de tudo não me posso queixar, porque os senhores da Midas são uns queridos e inclusivamente oferecem brindes aos clientes. No meu caso, na tarde do mesmo dia olhei de relance para a frente do carro e pareceu-me ter o capô empenado. Quando abri o capô descobri o motivo: um paquímetro daqueles usados no alinhamento de direcção entalado no apoio lateral do capô! Podia-se dar o caso de nesse mesmo dia ainda ter a oportunidade de procurar os meus dentinhos no meio dos destroços do carro, logo após o instrumento cair no motor em funcionamento, mas felizmente não foi o caso. Mais tarde recebi a seguinte SMS da Midas: "A MIDAS agradece a sua preferência! Para qualquer esclarecimento adicional sobre a sua visita, não hesite em contactar-nos". Estou a pensar enviar para um mail a perguntar se querem o paquímetro de volta. Talvez façam um desconto no orçamento de 500 euros...

sábado, outubro 08, 2011

A Evolução Mecânica

E tudo começou mais ou menos assim, mas em azul (duas vezes):


Alguns anos mais tarde, chegou a vez de regressar às duas rodas, assim:


Depois do regresso, ficou a vontade de algo mais, então tratei disto:


Experimentei isto:


E isto:


Mas acabei por comprar isto:


Como diz um amigo meu, moto escreve-se com H...

terça-feira, setembro 06, 2011

Legacy

Passado muito tempo do seu lançamento, finalmente vi Tron Legacy. E sinto que tenho de ver outra vez (possivelmente em HD)! O filme todo é espectacular, e nem a versão "digital" do Jeff Bridges da década de 80 soa a falso, mas sim a um quase intencional. O conceito da sequela foi muito bem esgalhado, os efeitos especiais e a fotografia são simplesmente fenomenais e a banda sonora é magnífica (Daft Punk rules)! Estava a precisar de ver um filme destes para mudar o meu estado de espírito (ainda que tenha sido interrompido cerca de 3 vezes com as insónias de um puto reguila), como tal, recomendo vivamente. Ah, e para quem não viu o primeiro, sugiro respeitinho e toca a escavar no baú do cinema à procura do VHS. Se tivesse que descrever este filme em duas palavras, seriam algo como: "nostalgia futurista".

domingo, setembro 04, 2011

3 Meses

Passaram 3 meses desde a última vez que escrevi. Se esta frase se assemelha ao início de discurso de um alcoólico numa reunião dos AA, esta comparação não está muito distante da verdade. E a verdade é que muita coisa se tem passado, e o somatório do tempo livre e da boa disposição não tem sido dos mais capazes. Coisas complicadas têm acontecido, misturadas com outras boas, como habitual receita de vida da maioria das pessoas, das quais não sou diferente. Ainda assim tenho feito um exercício pessoal em termos do estado de espírito com que alcanço o final de cada dia, e a coisa tem corrido mais ou menos. Quem sabe volte a ter a frequência e assiduidade de outrora por aqui, já que tal como os AA, também sofro de ressaca se passar muito tempo sem escrever. Mas ao contrário de quem tem uma recaída por um copo de qualquer coisa forte, o regresso à escrita é um prazer sem pecado. E sabe muito melhor do que passar um serão sentado em frente à televisão por achar que estou demasiado cansado para fazer o que quer que seja. Apesar de as férias deste ano (que já gozei) terem sido excelentes, não foram propriamente o protótipo acabado do "descanso", já que tal foi coisa que não tive. Dita a logística dos tempos actuais que assim seja, mas tenho esperança que o futuro se encarregue de repor alguma normalidade. Mas como já chega de lamurias, venho assim (mais uma vez) assinalar o meu regresso à escrita. Fiquei traumatizado quando, no meu aniversário, ao receber a tradicional versão impressa do último ano de posts, em vez do habitual "livro" recebi uma espécie de fascículo de banda desenhada... Está na hora de voltar às grandes publicações, novamente!

sexta-feira, maio 13, 2011

Pentelhos Encravados

Hoje tivemos mais um exemplo do nobreza da classe política em Portugal. Mais um atrasado mental mascarado de personalidade relevante para a sociedade política nacional, que conseguiu ter uma saída brilhante em plena entrevista televisiva, mostrando que nem sequer tem nem o discernimento necessário para distinguir o que pode e deve ser dito em público, daquilo que brota involuntariamente da boca para fora durante uma conversa de café, sem se pensar muito no assunto. Desta feita foi a vez de Eduardo Catroga, que sem se saber muito bem como nem porquê, a determinada altura assumiu um papel de relevo para a economia do país. E o que é que uma figura de destaque como esta tem a dizer em época de crise - vá-se lá perceber porquê - financeira? "Está na altura de deixar de discutir PENTELHOS!". Brilhante... e brejeirice aparte, uma afirmação sem dúvida muito atempada (acho que ainda não estamos na bancarrota). Se há pessoas que gostam muitas vezes de assistir a esta característica habitualmente adjectivada de "popularismo", eu gostaria de poder ver em algum político a capacidade de se focar com seriedade no que é realmente importante, fazendo-o da forma correcta, sem recorrer a truques e artifícios para desviar a atenção dos problemas, com as palavras mal escolhidas que se atiram tão facilmente como se armas de arremesso fossem. Acreditem que os suficientemente letrados ou não analfabetos como eu percebem na mesma, se não incluírem nas "merdas" que "cagam" da boca para fora como se de "diarreia" a escorrer do "cú" se tratasse, palavras como "pentelhos", "colhões" ou "conas". O princípio é mais ou menos o das conversas das crianças: tudo o que tem asneirada pelo meio, tem mais piada, com a atenuante que normalmente as asneiradas são um pouco mais suaves... e os políticos já não conseguem ter piada. Por isso mesmo, até nem estranho, mas consigo ainda assim continuar a ficar desiludido, porque nem a maior e mais grave crise dos últimos tempos, que supostamente todos nós atravessamos consegue colocar um laivo de seriedade naqueles que mais sérios deveriam ser... ou estar. Alguém que nos livre destes "pentelhos encravados"!

segunda-feira, maio 02, 2011

Mortos Mas Pouco

Quando Hitler morreu, não foi possível obter uma única prova concreta e inequívoca de que tal tinha acontecido. Supostamente ter-se-á suicidado... duas vezes! Por envenenamento e arma de fogo (não fosse o veneno estar fora de validade). Outras teorias ditam que terá ficado soterrado nos escombros resultantes da explosão que teve lugar no seu bunker. Passados tantos anos acompanhados de ausência de provas concretas, há quem acredite até hoje que tenha sobrevivido e passado o resto dos anos da sua vida escondido confortavelmente em algum lado. Mais recentemente Saddam Hussein, procurado durante anos, terá sido executado por enforcamento uma vez encontrado. Uma vez mais, em pleno século XXI no pico de uma era tecnológica, as provas que ficaram do sucedido foram umas filmagens pixelizadas de um telemóvel merdoso utilizado como câmara de filmar na solene ocasião. E nem depois disso uma fotografia ou qualquer outra prova concreta e inequívoca de que o velho tinha esticado o pernil. Hoje, supostamente, morreu Bin Laden. Aparentemente a localização do homem mais procurado pelos EUA era conhecida desde Agosto do ano anterior, mas hoje é que dava jeito bombardear o estaminé (certamente devia estar céu limpo ou algo do género). E uma vez mais, no ano de 2011, com toda a tecnologia disponível, com todos os meios de informação ávidos de provas do sucedido, o que sai para a net é uma fotomontagem de uma imagem com 2 anos misturada com partes do rosto do Osama. E para ajudar à festa, o funeral do homem é no mar, em local indeterminado, contra todas as regras sagradas do Islão. E depois os EUA vêm logo a correr muito dizer que fizeram análises de ADN que mostram 100% de compatibilidade com a família! Não sou muito de teorias da conspiração, mas porra! Alguém que faça o favor de ir rapar os ossos destes animais só para termos a certeza que está tudo a fazer tijolo! Ou pelo menos ofereçam umas máquinas fotográficas descartáveis aos carrascos e militares! Cá para mim esta rapaziada está numa casinha nos alpes suíços, com o avozinho Adolfo a servir um cházinho de ervas em chávena de ouro ao Hussein e ao Bin...

segunda-feira, abril 25, 2011

Um Lello Foleiro no 25 de Abril

"Este presidente é mesmo foleiro. Nem sequer convidou os deputados para a cerimónia do 25 Abril". Foram estas as palavras de José Lello, dirigente nacional do PS, deputado e presidente da administração da Assembleia da República, na sua página pessoal do Facebook. É triste pensar que a data cuja comemoração deu origem a um infeliz comentário deste Lello, foi a mesma que permitiu que este Lello o fizesse, passados 37 anos. Na minha opinião pessoal, o evento até teve convidados a mais. Ainda assim foi com prazer que vi esses convidados saírem do palácio de Belém uma vez terminados os discursos, poupando-nos a pagar uma grande almoçarada a alguns desperdícios de oxigénio que por lá circulavam. Gostei em geral dos discursos do actual e anteriores PR, e acho louvável a mensagem que pessoas como o Jorge Sampaio tentam fazer passar no sentido de levar as pessoas a tomarem o seu destino nas próprias mãos, a terem um maior envolvimento na vida política do país e a não ficarem confortavelmente sentados a ver televisão sempre que o momento é o certo. Espero que em Junho as pessoas se levantem e não assistam às eleições como se fossem apenas mais um aborrecimento nacional que impede a televisão de passar programas mais interessantes. Espero que em Junho as pessoas façam valer um direito que tanto custou a ganhar e que agora é desperdiçado de forma banal e despreocupada. Espero que com este direito que nos assiste a todos, consigamos num futuro próximo ter uma classe política isenta de Lellos que chamam foleiro ao representante máximo de uma nação, ao representante de todos nós, e que se calhar não é o "foleiro" no meio disto tudo. Ainda que a liberdade nos permita dizer tudo, a consciência e o respeito devem ter um papel relevante no que efectivamente dizemos. Espero sinceramente que o Sr. Lello perceba a diferença entre palavras proferidas por um suposto líder político e a letra de uma das suas músicas d' Os Titãs.

terça-feira, abril 12, 2011

Alvo em Movimento

Nas últimas semanas e após um Inverno que conseguiu ultrapassar as expectativas de qualquer um, finalmente o bom... err... razoável tempo parece ter chegado. Para quem se desloca em duas rodas para o trabalho (ainda que sem pedais envolvidos no processo) é uma boa notícia. No entanto, a má notícia é que a malta que se desloca em quatro também ganha mais liberdade. E a liberdade a que me refiro, tem a ver com abrir a janela do carro... sendo que abrir a janela do carro, ocasionalmente, pode ter um motivo... sendo que esse motivo ocasional pode muito bem ser mandar uma escarradela borda fora! Ora sabendo que a malta das duas rodas (leia-se neste caso eu) tem a tendência para ignorar toda e qualquer existência de trânsito condicionado, sendo forçada a utilizar as alternativas possíveis (faixa contrária/berma), estamos perante uma situação pura de alvos em movimento. Se muitas vezes em situações de perigo as pessoas vêm passar a vida à sua frente, na situação de perigo que vivi ainda esta semana, não vi nada mais do que uma "verdinha" a passar a poucos centímetros da viseira do meu capacete. Tenho impressão que se tivesse casca, era um ovo, e dos bem cozidos! Capaz de me lascar a pintura! Nunca consegui perceber o que motiva este tipo de função corporal, nem o que leva alguém a um acto tão elegante como cuspir no meio da rua, o que só contribuiu para a minha irritação. Neste caso, o "agressor" pediu imensa desculpa, o que de alguma forma colocou um travão à biqueirada que se dirigia à porta da sua viatura, mas o trauma causado pela imagem da libertação de muco voadora produzida pela dita aventesma, esse já ninguém mo tira...

segunda-feira, abril 11, 2011

A Nobreza do Animal

Correndo o risco de me tornar o autor de um blogue maioritariamente reaccionário, não consigo evitar escrever sobre alguns temas que, ainda podendo não ser o ponto chave da actualidade, ecoam na minha cabeça de forma diferente. Hoje foi o caso da candidatura de Fernando Nobre (ex-candidato "apartidário" à presidência da República) à presidência da Assembleia da República... pelo PSD! Ao contrário dos ainda muitos apoiantes que o senhor teve aqui há uns meses, sempre achei que a sua linha de discurso tinha o seu quê de senilidade ali pelo meio, e como nunca gostei muito de caducos no poder, achei que devia aplicar o meu voto de forma mais útil. O nível de atrofia cerebral do senhor ficou provado recentemente quando resolveu avançar com esta nova candidatura, conseguindo assim saltar em pouco tempo de um extremo para o outro em termos de ideologia política (e - espero eu - perder toda a credibilidade que poderia ainda ter). Sinceramente, o senhor já não tem propriamente idade para "boy", por isso o melhor é ir procurar um "job" para outro lado. A importância deste senhor para a vida activa política nacional é basicamente zero, mas ainda assim importa referi-lo como exemplo de uma classe social que pensa em primeiro lugar no seu umbigo e em segundo lugar eventualmente no buraco que tem no cu. Só muito depois da sua própria fisiologia anal poderá eventualmente esta classe contemplar o país cujos interesses tem obrigação de defender em primeiro lugar. O mesmo se aplica à estratégia que todos os próximos futuros líderes do PS estão a aplicar neste momento, esperando que estrategicamente um engenheiro que nunca o foi possa ser eleito secretário geral de um partido que vai perder as eleições, para só depois, mediante a sua derrota, aparecerem da penumbra e terem assim hipóteses de serem considerados o próximo delfim. Regra geral não costumo praguejar, mas puta que os pariu a todos e mais os seus estratagemas que proliferam em época de crise mais do que nunca, e que só visam chupar até ao tutano aquilo que por muito se esprema já não geme nada... nós!

domingo, abril 03, 2011

Deixar de Sonhar

Li hoje uma notícia bastante deprimente, em que era reportada a forma como vivem actualmente os gregos e irlandeses, após a intervenção do FMI. Desemprego em taxas recorde, reduções de ordenados em 30% e mais, tristeza generalizada, pessimismo, fim dos sonhos... Nada ficou resolvido com a dita intervenção, muito pelo contrário, e entretanto as pessoas fazem aquilo que podem para sobreviver, sujeitando-se a praticamente tudo o que for necessário. É algo que me preocupa, porque infelizmente penso que não temos forma de escapar ao mesmo destino. Um dos irlandeses entrevistados referiu até que neste momento Portugal evidencia todos os sintomas dos países que já tiveram esta intervenção: juros máximos, cortes nos ratings, queda do governo e a negação sucessiva sobre a necessidade de ajuda externa. Há uns tempos ouvi uma frase que não me sai da cabeça: "os nossos filhos não vão ter a mesma qualidade de vida que nós tivemos". Esta frase custa a ouvir e a digerir, sobretudo quando a cada dia que passa se transforma numa inevitabilidade. Custa lembrar que há algumas décadas atrás éramos pobres, mas pelo menos estávamos preparados para isso - o que não acontece agora. Não bastando o pessimismo e desconforto da leitura da referida notícia, fiquei completamente deprimido quando comecei a ler os comentários da mesma. Qual não é o meu espanto quando, das várias dezenas de mensagens que leitores deixaram em resposta a esta notícia, nenhuma era sobre a mesma, e todas eram sobre o jogo do Benfica-Porto e dos actos de vandalismo e violência em seu redor. Que povo é este que, face às dificuldades e preocupações que deveriam existir em relação ao futuro do país, se degladia por desporto!? Que país é este em que uma pessoa é capaz de praticamente matar outra por diferenças clubísticas ou divergências no trânsito, mas que tem as mais elevadas taxas de abstenção quando há eleições, e não faz mais do que chamar nomes ao primeiro ministro de um governo igual a tantos outros que o antecederam!? Se há algumas décadas atrás fomos pobres, hoje em dia somos muito mais... pobres de espírito. Aliás, retiro o que disse. Acho que não somos pobres. Somos miseráveis!