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segunda-feira, junho 04, 2012

Nacionalismo Desconfortável

É com algum desconforto que observo os períodos que antecedem uma competição europeia ou mundial de futebol, que conte com a participação da equipa portuguesa. Não porque seja contra o desporto ou futebol. Gosto bastante, vejo e vibro como qualquer pessoa. No entanto quando o desporto e aquilo que este de bom tem extravasa e é exacerbado ao nível do heroísmo nacional, colocando desportistas/jogadores ao nível de um conquistador ou herói de guerra (felizmente ainda só na perspectiva de alguns), começo a sentir alguma urticária. Penso que tal factor se deve ao desânimo e desalento que acompanha grande parte das pessoas hoje em dia. Incapazes de fazer algo para combater esse sentimento, e sobretudo combater os motivos que levam ao mesmo, refugiam-se na esperança que alguém o faça por elas. A busca da salvação nos resultados de uma competição desportiva é algo... como hei-de dizer... estúpido. Uma competição desportiva é isso mesmo, uma competição desportiva. E ainda que possamos sentir algum orgulho por ter uma representação do nosso país com visibilidade internacional (mesmo que ao contrário dos ditos desportistas sejamos apenas uns barrigudos sentados no sofá a mamar uma jola), não podemos no entanto achar que somos melhores ou piores em virtude disso mesmo. Desejo toda a sorte do mundo na competição que espera os nossos melhores atletas (de acordo com o critério do Paulo Bento), apesar dos fracos resultados preliminares que a antecederam. Desejo ainda mais que as pessoas em geral ganhem juízo e dêem o adequado valor àquilo que faz parte da sua vida, seja o gosto pelo futebol, o seu emprego ou a sua vida familiar. Como diz um amigo meu... o que é preciso é saudinha!

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Vou Emigrar!

Está decidido! Depois de ler a edição online do Sol, hoje, fiquei convencido que o meu destino é emigrar para a Suiça. Aparentemente quando este país atravessa problemas relativos a diferenças a nível salarial, no seio da sua sociedade, as decisões a tomar são estranhamente simples. Se em Portugal alguma iniciativa fosse levada a cabo para reduzir o abismo que existe entre as classes baixa e alta, todos os possíveis entraves seriam apresentados, colocados, e todos nós teríamos de ficar conformados com o facto de nada acontecer. Na Suiça, houve um primeiro pensamento de reduzir os salários da classe alta como possível aproximação. Claramente uma ideia parva, no seguimento do qual surgiu uma boa: aumentar o salário mínimo! Como tal, e rendido a esta explicação, decidi avançar e emigrar para a Suiça, mesmo que tenha de viver remediadamente com um salário mínimo de... 3.300,00 euros! É nestas alturas que o nosso país (apesar de todas as coisas boas que tem) e sobretudo os nossos dirigentes, assumem mais ou menos a forma de um grande monte de merda!

segunda-feira, abril 11, 2011

A Nobreza do Animal

Correndo o risco de me tornar o autor de um blogue maioritariamente reaccionário, não consigo evitar escrever sobre alguns temas que, ainda podendo não ser o ponto chave da actualidade, ecoam na minha cabeça de forma diferente. Hoje foi o caso da candidatura de Fernando Nobre (ex-candidato "apartidário" à presidência da República) à presidência da Assembleia da República... pelo PSD! Ao contrário dos ainda muitos apoiantes que o senhor teve aqui há uns meses, sempre achei que a sua linha de discurso tinha o seu quê de senilidade ali pelo meio, e como nunca gostei muito de caducos no poder, achei que devia aplicar o meu voto de forma mais útil. O nível de atrofia cerebral do senhor ficou provado recentemente quando resolveu avançar com esta nova candidatura, conseguindo assim saltar em pouco tempo de um extremo para o outro em termos de ideologia política (e - espero eu - perder toda a credibilidade que poderia ainda ter). Sinceramente, o senhor já não tem propriamente idade para "boy", por isso o melhor é ir procurar um "job" para outro lado. A importância deste senhor para a vida activa política nacional é basicamente zero, mas ainda assim importa referi-lo como exemplo de uma classe social que pensa em primeiro lugar no seu umbigo e em segundo lugar eventualmente no buraco que tem no cu. Só muito depois da sua própria fisiologia anal poderá eventualmente esta classe contemplar o país cujos interesses tem obrigação de defender em primeiro lugar. O mesmo se aplica à estratégia que todos os próximos futuros líderes do PS estão a aplicar neste momento, esperando que estrategicamente um engenheiro que nunca o foi possa ser eleito secretário geral de um partido que vai perder as eleições, para só depois, mediante a sua derrota, aparecerem da penumbra e terem assim hipóteses de serem considerados o próximo delfim. Regra geral não costumo praguejar, mas puta que os pariu a todos e mais os seus estratagemas que proliferam em época de crise mais do que nunca, e que só visam chupar até ao tutano aquilo que por muito se esprema já não geme nada... nós!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Uma Questão de Prioridades

Durante o escasso tempo que posso nesta fase da minha vida dedicar a ver televisão, grande parte acaba por se centrar nos noticiários. Nesse curto período de tempo que dedico a manter-me minimamente informado sobre o que se passa no mundo, recentemente cerca de 90% diz sempre respeito a um único assunto, considerado o tema mais relevante em discussão pela classe política nacional: o direito à adopção por casais gay. Sem desmerecimento para os casais, gays ou não gays, para todos os que querem adoptar, e para os que necessitam ser adoptados, algo cheira mal quando, no início de um ano que sucedeu um 2009 de crise, que se antevê também de crise e para a qual não existem medidas de combate estabelecidas, este é "O" tema do momento. O próprio PR não hesitou em fazer o ponto de situação mais negro de sempre relativamente à situação geral do país, e nem assim o PM se coibiu de fazer o discurso oposto. O mais triste é que tanto o governo como a oposição estão de acordo que a adopção é o tema mais importante a debater (talvez devido à inaptidão de ambos para governar). Considerando também que em Portugal, quem manda, são os "lobbys" e que o maior "lobby" é o gay, faz também sentido que este seja um tema em cima da mesa. Só não percebo porque tem que ser dado tempo de antena a este debate. Não percebo porque não pode ser questionado, quem debate, sobre outros temas. Não percebo porque é que ninguém vê que, por exemplo, o sector da banca se muniu de meios, durante o ano anterior, para fazer ainda mais estragos à economia do que os que já tivemos oportunidade de ver. Resumindo, estou com o PR no alinhamento que dá aos temas que deveriam estar em discussão, com uma visão realista (nem pessimista nem optimista) do estado... a que chegámos.