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quarta-feira, setembro 06, 2017

Férias de Verão - Episódio III

Chegou a altura de relatar o terceiro e - quiçá - o mais invulgar episódio do meu período de férias: o dia em que atropelei um palhaço. E digo palhaço não no sentido pejorativo ou figurado, mas sim um palhaço a sério, na verdadeira aceção da palavra. Daqueles palhaços que andam com um nariz falso e roupas largas. Mais especificamente um artista de rua dos que andam pelos cruzamentos da cidade a fazer malabares. O episódio em questão teve lugar pela hora do almoço, quando regressava ao escritório depois de ir buscar uma encomenda. No cruzamento da Av. Marechal Spínola com a Av. Gago Coutinho, após o sinal mudar para verde, arranquei, e alguns metros antes do semáforo e cruzamento, o artista resolve atravessar as 5 faixas de rodagem a correr pelo meio dos carros, tendo sido eu o feliz contemplado com o embate.

Pela primeira vez na vida tive a indescritível perceção de que tinha acabado de ser responsável pela morte de alguém. Não tenho palavras para descrever essa sensação, tal como não tenho palavras para descrever a alegria que senti quando a pessoa se levantou pelo próprio pé sem indícios de grandes mazelas, apesar do aparato do embate e dos danos visíveis no meu carro. Apercebendo-se da asneira que tinha feito (e apesar de lhe doer mais a ele do que a mim) começou logo por me pedir desculpa e parecia hiperativo, pelo que tive de lhe pedir que se sentasse quieto enquanto chamava o 112. Pela segunda vez nestas férias ligava para o número de emergência médica, desta feita pedindo uma ambulância e a presença da polícia. O homem apresentava alguns arranhões nos braços e um hematoma começava a formar-se na perna, mas de resto parecia estar bem.

Entretanto e não bastando já ter um palhaço em cena, começa o circo a montar-se: chega um auto-tanque com meia dúzia de bombeiros de gabardina e capacete. Questiono o porquê da sua presença, já que tinha solicitado uma ambulância. Disseram-me tratar-se do procedimento comum neste tipo de acidentes. Logo de seguida chega um motociclista do INEM, ao qual fiz a mesma pergunta. Indicou-me que era quem estava mais próximo, e que a ambulância devia estar a chegar. Logo depois chega finalmente a ambulância, de imediato seguida pela PSP. O palhaço parecia em pânico e, no seu português com sotaque italiano, só dizia que nada daquilo era necessário e que todas aquelas pessoas deviam ter casos mais importantes a responder. Enquanto o palhaço era encaminhado para o interior da ambulância para observação, respondi às questões colocadas pela polícia, preenchi o formulário com a minha descrição do acidente e soprei o balão. Apesar de não ser claramente responsável pelo sucedido, o polícia deu-me logo a entender que teria dificuldades em ser ressarcido pelos danos, já que os peões não têm seguro. Teria de tratar diretamente com a pessoa ou, em caso de necessidade, abrir um processo judicial para o efeito. Esta parte será matéria para uma segunda parte deste episódio, já que conversações estão ainda a decorrer. Posso dizer que o palhaço não necessitou ser hospitalizado, estando bem de saúde. Eu já tenho o carro reparado (ativei a cobertura de danos próprios para não ter de pagar os 1.800 euros de reparação) e estou muito grato por tudo ter corrido pelo melhor e terminado apenas como (mais uma) história caricata para contar.

PS: hoje já me consigo rir de alguns pormenores da situação, tais como o facto de durante todo o tempo em que este episódio decorreu, o nariz de palhaço daquele jovem italiano artista de rua nunca lhe ter caído ou saído do seu rosto.

quinta-feira, setembro 17, 2015

5 Meses Depois...

Finalmente! Quase 5 meses depois... 140 dias passados desde o meu acidente de mota... recebi a resposta da seguradora congénere. Depois de um processo que foi no mínimo doloroso, desde a situação da fuga do condutor, até à intervenção da polícia (e posterior prestação de declarações), do INEM, passando pela confusão quanto à propriedade da viatura envolvida (nada de surpreendente dada a "ciganice" da mesma), considerando as duas apólices (uma não considerada como válida, a outra feita no dia do acidente, uma hora antes, a mais de 50 kms do local)... Enfim, uma confusão das mais capazes que para meu espanto (que já andava a preparar os papelinhos para remeter o caso ao FGA) acabou por se resolver a meu favor! Imagino que a seguradora tenha feito tudo por tudo para se esquivar à responsabilidade (sobretudo dados os indícios de fraude na celebração da respetiva apólice), mas felizmente e desta feita, consegui "blindar" o meu caso o suficiente para que não pudessem fugir com o rabo à seringa. Uma vez mais, no entanto, comprovo que ter um acidente de moto é 50 vezes mais complicado em termos de resolução do processo de sinistro (por muita razão que o motociclista tenha) que se de um carro se tratasse. Este estigma e desconfiança é no mínimo injusto, até pelas condições distintas que são oferecidas a qualquer motard em termos de apólice. Mas isso são outros quinhentos. Para já só posso estar feliz por uma notícia boa que já não esperava ter. Desta vez, a coisa correu a meu favor!

segunda-feira, janeiro 05, 2015

O Outro Lado

Na sequência do meu post anterior, e apesar de não concordar com o que a minha seguradora me indicou que deveria fazer, estabeleci contato diretamente com a seguradora do terceiro envolvido no sinistro. O atendimento telefónico (apesar de eu não ser cliente) foi trinta vezes melhor que o da Logo. Não foram colocadas quaisquer questões quanto à atribuição de responsabilidade e pediram-me apenas que fornecesse uma cópia do relatório de peritagem (que estava na posse da Logo, e que tive de contatar novamente a pedir que o partilhassem - o que, vá lá, fizeram). No dia útil seguinte (hoje) liguei novamente para saber se faltava alguma informação ou documentação, quando me responderam que já tinham remetido correspondência para a minha morada com a autorização necessária para o posterior pagamento da reparação, que será tratada diretamente entre a referida seguradora e a oficina. E assim se coloca um futuro ex-cliente Logo, a recomendar a seguradora concorrente Fidelidade.

domingo, janeiro 04, 2015

(In)Seguro

Lamentavelmente, dois meses após ter sofrido um acidente de moto (fui abalroado por um carro no IC17, na sequência do qual felizmente apenas ocorreram danos materiais) continuo sem ter a minha moto de volta. Não por indisponibilidade minha ou da oficina para proceder à reparação, não por dúvidas quanto à responsabilidade do acidente, apenas por aquilo que posso descrever como incompetência e má fé da companhia de seguros Logo (a minha, e não do terceiro envolvido). Depois de prestar várias vezes depoimento sobre o acidente, depois de insistir por e-mail e telefone quanto à urgência do apuramento de responsabilidades para aprovação da reparação (condicional), depois de várias reclamações minhas... a companhia entendeu que, por eu ter referido que me desloco na moto no percurso casa/trabalho, a mesma é usada para fins profissionais, o que significa que foram prestadas "declarações inexatas" na celebração da apólice, não sendo portanto a mesma válida. Terei usado o termo "fins profissionais" numa das minhas reclamações (ainda que nos vários depoimentos prestados tenha também escrito que a minha profissão é a de consultor - e não estafeta!) e usaram isso como arma de arremesso, sem tão pouco me contatarem previamente para confirmação. Como tal, excluem-se de qualquer responsabilidade na resolução do processo de sinistro, deixando-me com a "batata quente" na mão perante a outra companhia. Parabéns, Logo, pelo excelente comportamento perante um cliente de há vários anos, com várias apólices (automóveis, motos, casa...) e que sempre cumpriu com as suas obrigações. Só para avisar que isto não fica assim!