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quarta-feira, outubro 03, 2018

O Dia dos Test Rides

Às vezes é preciso partir um dedo da mão para deixar de sentir uma dor no pé. Que é como quem diz, às vezes é preciso ter um gostinho do que é bera para apreciar o que é porreiro. Hoje foi uma noite seguida de um dia assim. A noite foi passada (mais uma vez) praticamente em claro. O mai' novo acordou a primeira vez às 1h30, sendo que quando acordou novamente às 2h30, despertou-me de vez. Talvez em virtude da falta de sono acumulada, uma dor de cabeça/enxaqueca/virose/o raio que me parta instalou-se para não me abandonar mais. Pior, não tinha a minha poção mágica para esta maleita (leia-se Brufen) pelo que tive mesmo que gramar com ela, em crescendo, até ao pico que me levou a "chamar o gregório" já de manhã. Depois de muito vasculhar lá apareceu um Brufen solitário algures que engoli de imediato, e que lentamente começou a fazer efeito, permitindo-me funcionar e levar a cabo a rotina matinal dos miúdos. Ainda me ri com eles: o mais novo resolveu levar uns óculos falsos enormes que o faziam parecer uma caricatura do Harry Potter, e o mais velho sofreu a infelicidade de levar com uma cagadela de pássaro em cima, que felizmente apenas lhe acertou no braço e deu para limpar facilmente. O dia melhorou. Tinha de passar pela oficina para mudança de pneus e a coisa correu melhor que o previsto. Depois de gabar uma BMW R Nine T Scrambler novinha em folha que lá estava, o meu mecânico disse-me para não ficar à espera e para a levar como mota de cortesia!


Foi o brinquedo do dia! No trabalho, em vez de chegar atrasado como previsto inicialmente, cheguei a horas, e o dia correu bem, em modo "light" como é ideal para quem passa uma noite em claro, e até consegui ir trocando umas lérias com alguns amigos acerca de mais uma viagem de mota que se avizinha. Um único compromisso na agenda durante a tarde e depois o regresso a casa, sem obrigações nem compromissos. Passando em caminho pela oficina, eis que a minha mota ainda não estava pronta (uma banhoca de cortesia que bem precisava). Não tem problema! Diz o mecânico: "vai para casa e agora levas esta BMW F750GS novinha para experimentares outra".


Escusado será dizer que fiz um "atalho" para curtir um bocadinho o segundo "test ride" do dia. Finalmente fui buscar o que era meu e dei por encerradas as divagações motociclisticas.


Em suma, depois da tempestade (por mais pequena ou maior que seja) vem sempre a bonança... ou então fui só eu que decidi ver o copo meio cheio em vez de meio vazio!

sexta-feira, setembro 07, 2018

Velho e Gasto, Mas...

Esta quarta-feira senti-me velho mas feliz por isso. Explico o porquê. Fui assistir a um concerto dos 30 Seconds to Mars (a segunda vez que o faço) e constatei as diferenças dos tempos relativamente à forma como decorrem os concertos em geral, como decorrem as atuações e até como as pessoas agem. O concerto foi bom, mas ficou aquém do último a que tinha assistido. A performance foi boa mas não muito mais do que isso. Ainda assim valeu a pena assistir, até mesmo naquele momento em que o Jared Leto chamou ao palco o célebre cantor português "Diego Pestana" (também conhecido por Diogo Piçarra). A produção foi também mediana, quando comparada com o anterior, muito mais "explosivo" visualmente. No início do concerto, e ainda relacionado com a produção, comentávamos que a magia dos espectáculos a que se assistia num estádio, à noite, algumas vezes debaixo de chuva, se perde completamente num ambiente assético e controlado como o de uma Altice Arena. Igualmente assético é o final do concerto, em que já não se dá sequer oportunidade para que um encore aconteça. Última música tocada, sai tudo do palco, acendem-se as luzes, e a malta dispersa de imediato. Até aqueles que estão na plateia, colados ao palco. Mas aquilo que me enervou, mas enervou mesmo solenemente neste concerto, foi a "maltinha" que estava no setor do balcão onde me encontrava. Antes do concerto começar tinha aquilo que parecia umas groupies à minha frente, que pensei fossem partir a loiça toda mal fossem tocados os primeiros acordes, mas que... nem se levantaram durante todo o concerto! Como é possível, um concerto em que todo um setor (infelizmente o meu) assistiu sentado (exceto dois ET's dos quais este vosso orgulhosamente fazia parte) como se estivessem no cinema! Efetivamente até pipocas e panquecas e fatias de piza se venderam, por isso começa a não ser muito diferente... Fiquei francamente desiludido por, no meio daquelas dezenas de pessoas e sendo talvez eu um dos mais velhos, ter sido também dos poucos que se levantaram e curtiram a coisa como deve ser. Enfim, valeu isso mesmo e aproveitar, assim como aproveitei a abertura, com uma banda para mim desconhecida mas que foi uma agradável surpresa (Xande). E a noite ainda acabou em beleza quando, para deixar o "rebanho" desopilar dali para fora, fomos beber um copo ao casino onde havia também música ao vivo. Resumindo, estou velho, mas acho que ainda me sei divertir.

quinta-feira, junho 07, 2018

A Minha Primeira Experiência em Offroad!

Depois de uma tentativa falhada aqui há uns meses atrás, no sentido de ter uma primeira experiência com motas de enduro/offroad, consegui finalmente encontrar uma alternativa adequada. Não existe grande oferta em Portugal (na realidade acho que existem apenas duas escolas), pelo que era a minha última oportunidade. Por isso foi com entusiasmo que recebi a confirmação de uma data na qual poderia levar a cabo essa mesma experiência, mesmo implicando ter de me levantar bem cedinho para fazer 150 kms até Santiago do Cacém.

Chegado à Quinta de São João, em Escatelares, fiquei logo entusiasmado e tive a certeza que iria passar um dia bem passado. A quinta é magnífica, e as casas antigas brasonadas espalhadas pelo meio da natureza acolhem-nos de imediato como que dando as boas vindas. Como era cedo, parei à porta do Offroad Camp da Yamaha (ORCY) e pude observar toda aquela envolvente, enquanto aguardava a abertura das portas.


Mesmo em frente à escola fica a pista onde passaria grande parte do dia, a aprender, treinar novas técnicas e a evoluir neste estilo de condução, sempre a curtir imenso!


Passados poucos minutos fui recebido com um sorriso acolhedor, pelo Pedro Barradas, antigo piloto e responsável pelo Offroad Camp. Curiosamente, sobrinho do Nuno Barradas da escola de condução da Honda, onde fiz o curso de condução defensiva há uns anos. De imediato fez-me uma visita guiada pela escola, mostrando a área onde guarda e faz manutenção às motas, passando por alguns alojamentos que utiliza para os curso de duração mais prolongada e estágios de verão.


Tudo tem um aspeto rigorosamente impecável. Desde as motas e estado em que se encontram, até às instalações (apesar de ainda estar em obras de expansão que vão ajudar a criar um lugar ainda mais espetacular para a prática da modalidade).

Chegaram os restantes (2) companheiros, já que outros (2) desistiram, e o pequeno mas coeso grupo ficou formado. Pessoal cinco estrelas, sendo que o mais "crescido" tinha uma postura calma e estava ali claramente para aprender, já tendo participado em cursos anteriores mas não tendo qualquer outra experiência de mota. O mais jovem (14 aninhos apenas) já era "batido" em offroad, e ajudaria a tornar o meu dia mais "interessante" (e eu o dele). Rapidamente nos equipámos e dirigimos à pista para começar o treino.


Depois de umas horas a aprender e a curtir, a barriga já começava a dar horas. Como tal dirigimo-nos de novo à escola onde estacionámos as motas e descontraímos um bocado antes de almoçar.


É fácil descontrair por ali... a vida no campo assim o permite. Até os cães são relaxados!


A namorada do Pedro (infelizmente não me recordo do nome, mas também corre de mota, tendo sido vice-campeã nacional em 2017!) já tinha a mesa posta para o nosso almoço. Esperava-nos uma tábua de queijos e pão alentejano entre outros, como entrada para uma travessa de lasanha deliciosa.


Terminámos o reabastecimento energético com uma cheesecake igualmente saborosa, e depois do café rapidamente nos levantámos cheios de vontade de pegar nas motas de novo!


Após o almoço fizemos o primeiro passeio do dia, pela quinta e zona circundante, onde tivemos o nosso primeiro contacto com alguns obstáculos e pisos interessantes que nos animaram para o resto da tarde. Regressados à pista, começamos a aplicar as técnicas aprendidas durante o período da manhã, a fazer melhorias de tempos e a começar algumas "picardias" saudáveis. O jovem do grupo era claramente o melhor e com mais experiência, mas ainda assim consegui ter alguns momentos divertidos com ele, que ajudaram a tornar tudo mais interessante. Algumas "quase quedas" eminentes mas felizmente fui o único a não sentir o chão durante o dia (o que não é habitual neste tipo de desporto...).


No final da tarde, novo passeio desta vez mais alargado, com muita emoção graças a valas, zonas de areia, subidas e descidas que mais pareciam paredes, zonas em que praticamente ficávamos submersos no mato, pedra, terra solta, terra barrenta e até alguns ribeiros... é sem dúvida um local fenomenal para a prática da modalidade e para aprender imenso, com muita diversão à mistura.

Assim terminou o dia. Voltámos à escola para lanchar, e de seguida, mais uma empreitada de 150 kms para o regresso a casa. Foi um dia bem passado. Ainda que sendo uma brincadeira "cara", é sem dúvida algo que gostaria de repetir no futuro. Até porque uma alma lavada não tem preço!