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quinta-feira, outubro 11, 2018

O Regresso da Chuva e Outras Merdas

Como acontece todos os anos, o primeiro dia de chuva após um verão prolongado é sempre para mim motivo de stress. Assim que saio de casa e constato que está de chuva, antecipo logo as coisas que vão correr mal de certeza e as que podem potencialmente correr mal. Primeiro, e como circulo de mota todos os dias, tudo o que é porcaria acumulada na estrada vem ao de cima envolto numa espuma branca composta por lixo, óleo, combustível e água, que são uma mistura explosiva para quem anda de duas rodas. Depois, o facto de quem anda de carro só perceber que quando está a chover é preciso adaptar a condução, quando o mesmo se atravessa numa curva ou numa travagem mal calculada. Assim o digam os "artistas" por quem passei hoje, incluindo um que teve a destreza de capotar na entrada do parque de estacionamento do meu local de trabalho (com direito a polícia e cobertura televisiva), fazendo com que eu e dezenas de pessoas tivessem de ir dar a volta ao "bilhar grande" para entrar por outro lado.


É também nestes dias em que tenho de mudar o equipamento de verão para inverno, o que me faz sentir um verdadeiro "ícone da moda". Assim foi assim, ao vestir o meu "escafandro" composto por casaco "touring" impermeável, calças impermeáveis e sobrebotas. A acrescentar que com a mudança de casaco deixei o cartão de acesso do escritório no bolso do outro, logo, mais 15 minutos para fazer "checkin" junto do segurança. Não há melhor forma de começar o dia deprimido... balanço da deslocação casa-trabalho de hoje: atraso de meia hora a chegar ao trabalho. Viva a chuvinha!

quarta-feira, maio 22, 2013

Mau Tempo, Bons Resultados

Já diz o ditado que Deus escreve direito por linhas tortas, e que quando se fecha uma porta muitas vezes abre-se uma janela. Acho que qualquer uma das máximas anteriores se aplica ao volátil clima que temos vivido nos últimos tempos. Isto porque apesar de o balanço global de estar a chover em pleno mês de Maio ser obviamente mau, para não dizer uma grande merda, há pequenas coisas boas que resultam daí e que devem ser apreciadas pelos mais optimistas. Num destes exercícios de optimismo, acabei por me sentir grato, porque havia já algo que me incomodava há vários dias, cujo fim se deu graças a uma bela de uma chuvada. Refiro-me a uma "novela" com vários episódios, em que um vizinho brincalhão qualquer resolveu fazer do meu carro o seu livro em branco, para escrever a sua história. Novela é um nome exagerado, porque na realidade tudo se passou em três dias, o que corresponde no máximo a uma mini série. Aqui fica o relato:

1º Episódio:
O vizinho brincalhão dirige-se à viatura deste vosso incauto amigo, partindo de imediato para a agressão verbal: "Porco!". Ora se o carro poderia não estar nos seus melhores dias no que diz respeito ao resplendor da sua pintura metalizada, o properietário reserva-se o direito de ainda assim tomar banho, e não ser portanto enquadrável na classa da família animal dos bacorinhos, o que revela uma falta de rigor e até trabalho de investigação, na escrita do autor.

2º Episódio:
Não satisfeito com a agressão verbal inicial ("Porco!"), o autor revela-se agora egocêntrico e intolerante, redigindo uma segunda missiva onde claramente reclama das suas condições de trabalho: "Tenho os dedos sujos!". Não seria no entanto de esperar que o alvo da agressão inicial (eu) se importasse com quaisquer condições de trabalho, ou falta delas, para um autor tão pouco profissional e que de dia para dia revela uma faceta pessoal que muito deixa a desejar.

3º Episódio:
Nesta sua terceira e última missiva, o autor revela já alguma ansiedade, devido à falta de retorno quanto à escrita anterior: "Vê a parte de trás do carro!", suplica ele na superfície do capô, numa última tentativa desesperada de obter qualquer tipo de reacção da parte do proprietário da viatura, alvo de tamanha chacota e falta de respeito (eu). Mantive-me sereno e tentei antecipar se a próxima missiva seria na lateral esquerda ou direita, já que começava a faltar espaço livre para textos adicionais.

4º Episódio:
Numa reviravolta inesperada, choveu. Terminou assim uma mini série que se estava a transformar num filme de terror para mim, que já dificilmente suportava o suspense quanto ao que me esperaria no meu próprio automóvel, no dia seguinte. Estava até a pensar desfazer-me da viatura, tendo observado com algum interesse uma outra publicação literária (sim, eu sei que o meu carro parece a Bertrand...) que entretanto me foi deixada no limpa pára brisas, sugerindo fazer negócio com alguém que desconfio (não sei bem explicar porquê) ser de raça cigana...

Obrigado São Pedro!

domingo, fevereiro 01, 2009

Dias de Chuva

Se por um lado a chuva tem o efeito maléfico de nos impedir muitas vezes de fazer o que planeamos (sobretudo para o nosso tempo livre), por outro lado tem o dom de nos remeter outras tantas vezes para o conforto de um lar e para o descanso de estar simplesmente sentado a ver, ler ou escrever algo enquanto digerimos calmamente uma refeição e ouvimos o som da intempérie lá fora. Depois de uma noite longa de chuva, sucedeu-se hoje um dia de idênticas características. Por isso cá estou eu, sentado em casa, a escrever algo neste preciso momento. E curiosamente não me incomoda muito a ideia de me manter assim até o dia acabar e ser sucedido por outra noite que se prevê semelhante à anterior. É claro que este ano tenho tido a felicidade de não ser presenteado com um lago na casa (há pessoas que têm uma casa no lago, mas eu gosto mais de ser ao contrário), e julgo que isso favorece este meu optimismo anti natura. Ainda assim o cansaço acumulado dos últimos meses e o pouco tempo de descanso favorecem ainda mais este meu sentimento. Parece que se comprova o ditado que diz que "elas não matam, mas moem". Assim sendo, vou "vegetar" mais um pouco enquanto os alertas lá foram vão mudando de cor entre o amarelo e o laranja. Enquanto não cair uma árvore em cima do meu carro, certamente estará tudo bem.