domingo, outubro 10, 2010

Qualidade de Ensino

Já muitas vezes foi abordado o tema da qualidade do ensino em Portugal, neste e noutros fóruns. Ainda assim conseguimos encontrar provas numa base diária da dita qualidade. Quando temos como opção de marketing a escolha de fomentar um erro, basicamente está tudo dito. Como o meu amigo PO se encarrega de lembrar amiúde, o meu inglês não é perfeito, ainda assim chega e sobra para achar piada e captar momentos destes. O que é que diz um jovem estudante quando resolve falar no idioma de Shakespeare? É simples: "my scool is cool"! Scool? Nas traseiras de um transporte escolar? Quem foi o génio publicitário? Podia sempre ser pior, como "mai se cule ize cule", ou algo do género. Já imagino o slogan para a matemática: "1+1=11" com a legenda por baixo a dizer "... é fazer as contas". Espectáculo...

terça-feira, setembro 21, 2010

Brincar às Catástrofes

Se há coisa que sempre me fez confusão nas empresas por onde passei, é a realização periódica de simulacros. Na actual, o último foi realizado apenas há alguns meses, e não foi excepção. Não pelo simulacro em si cujo objectivo até é louvável, mas pela forma como é habitualmente conduzido e levado a cabo. Começa pelo aviso antecipado da sua ocorrência, que condiciona de imediato qualquer resultado a obter do mesmo. Algumas pessoas chegam a planear a sua permanência (ou não) no local de trabalho de acordo com este aviso! Depois, tal como qualquer bom estudante faz, toca a impinar todos os procedimentos a levar a cabo na véspera da ocorrência, para garantir que o simulacro corre limpinho que nem um assobio. Naquele dia em especial, todos desligam os computadores, todos têm a secretária limpa, todos sabem de cor e salteado as saídas de emergência a que se devem ordeiramente dirigir em caso de catástrofe, etc. Durante a realização do dito, é ver que apesar de toda esta batotice institucionalizada, tudo corre mal. As saídas de emergência não são adequadas, as portas abrem para o lado errado, apenas uma pessoa pode deixar penduradas outras 200 nas escadas do prédio, etc. Isto não é factor impeditivo de produzir um relatório a dizer que cerca de 2 horas de simulacro foram afinal um grande sucesso de 20 minutos... Por fim existe a triste e ridícula acção formativa sobre, por exemplo, os vários tipos de extintor e respectivas aplicações. No caso do meu último simulacro, esta foi quase a verdadeira situação de emergência, já que junto à entrada do edifício onde a multidão aguardava que tudo voltasse ao normal, os bombeiros resolveram provocar vários tipos de incêndio e aplicar os vários tipos de extintor, enquanto as pessoas em redor asfixiavam também de várias formas possíveis. Eu optei por me afastar e sentar numa esplanada a beber um copo de forma pouco simulada, até que aquela catástrofe terminasse.

domingo, setembro 19, 2010

Paletes de Pontapés na Cabeça

Já por algumas vezes utilizei aqui a expressão "pontapés na cabeça", referindo-me aos viciados das borlas que se vão apanhando por aí ocasionalmente ("à borla, até pontapés na cabeça"). Mas desta feita a história não é sobre um viciado, mas sim um grupo de viciados, nos quais eu me incluo. Estes viciados (ainda que à força) seguiam alegremente a caminho de um almocito, quando foram abordados violentamente ao parar numa passadeira, por vários homens verdes... funcionários da Sumol. Estes homens verdes deviam também estar com vontade de ir almoçar, porque ao invés da tradicional borla unitária (neste caso cada um de nós deveria ter levado uma garrafita do novo sabor da referida marca), praticamente atiraram um "six pack" pelas janelas do carro a dentro, para cada um de nós. Resultado: uma palete de Sumol no banco de trás. Mas como sou um amador nisto dos "pontapés na cabeça", confesso que acabei por ceder a minha quota da palete e fiquei sem saber qual o paladar da nova bebida (de qualquer forma não era cerveja...). No entanto espero que esta moda das ofertas em paletes não pegue, senão qualquer dia tenho de montar umas barras de tejadilho ou começar a andar com um atrelado, para poder circular em Lisboa...

sexta-feira, setembro 17, 2010

Contrafacção Chega ao Circo

Se há coisa a que estamos já muito habituados, é a observar pequenas nuances nas marcas dos artigos de contrafacção. Quem nunca viu umas calças Linforn em vez de Uniform, ou uns ténis Nyke em vez de uns Nike, não está certamente atento aos pormenores. Se estas suaves nuances nas marcas de artigos são uma realidade no nosso quotidiano, o mesmo já se torna mais raro no que diz respeito a nomes de negócios ou empresas. Ainda assim, há motivos para que tal aconteça. Se o caro leitor puxar pela memória, certamente irá lembrar-se de um escândalo nos mídia, em que um circo em particular foi acusado de maltratar os seus animais. O circo em questão chamava-se Atlas, e este tipo de publicidade certamente surtiu o seu efeito. Nada mais fácil de resolver: muda-se o nome do circo! E há que dar a mão à palmatória... que mudança! De Altas passou para o fabuloso circo Walter Dias, "o maior espectáculo do mundo" (como aliás o bom aspecto do "trailer" da foto deixa antever). Mas o mais bonito nesta arte de disfarçar podres é o requinte de contrafacção que o estilo de letra aplicado a Walter Dias tem. Se pensarem na proximidade que as palavras Walter Dias têm de Walt Disney, este estilo de letra aplicado faz realmente todo o sentido! E viva a arte e engenho destes artistas!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Electrodomésticos Arraçados

Já tinha visto animais arraçados... cruzamentos de pastor alemão com serra da estrela, de labrador com rotweiller, etc. O que nunca tinha visto até há pouco tempo era cruzamento de electrodomésticos. Se o caro leitor pensa que enlouqueci de vez, aconselho a reparar atentamente nas fotos que anexo. O que é que obtemos quando cruzamos um televisor de marca Panasonic com outro de marca Samsung? Mais do que óbvio: um Panasung!!! Aqui acho que também teria ficado bem um Samsonic... Deparei-me com esta maravilha tecnológica no Odivelas Parque num dia que lá fui jantar, e de imediato pensei "olha-m'estes cromos a venderem electrodomésticos da chino-candonga!". Nada mais errado! Aparentemente esta marca anda por aí (ou pretende andar) muito a sério, e poucos dias depois deparo-me com uma carripana de assistência técnica de que marca? Panasung! E aí está... se duvidam desta nova potência tecnológica mundial, o melhor é mesmo darem o benefício da dúvida... um dia destes podem ter uma geringonça desta marca lá por casa!

quarta-feira, setembro 15, 2010

Bute Nessa ou Bora Lá?

Uma vez mais uma ausência, uma vez mais um regresso. Passadas algumas semanas intercaladas de férias, e depois de outras tantas para recuperar do regresso ao trabalho, falta retomar este hábito da escrita para a rotina voltar ao que era. Assim, nada como começar com uma retrospectiva sobre o volume de posts que por aqui tenho deixado. Como alguns podem já saber por posts de anos anteriores, uma das coisas que recebo já por tradição no meu aniversário, é uma versão em papel encadernada pelo meu pai, com todos os posts do ano que passou. Tal como podem verificar pela fotografia, o que inicialmente começou por algo capaz de fazer o Dan Brown parecer um menino, está rapidamente a aproximar-se do volume de um Borda D'Agua sem algumas folhas. Vou esforçar-me por contrariar esta tendência, e desde que um certo diabrete que cá por casa habita me vá deixando ter uma ou duas horitas de descanso durante a noite, tenho a certeza que vou conseguir cumprir. Por isso convido desde já todos os que me costumavam ler a passarem aqui pelo estaminé, para ver as parvoíces que tenciono por cá deixar! Como diz um amigo meu, beijinhos, abraços e muitos palhaços!

domingo, maio 30, 2010

O Vício da Fama

Desde pequeno que oiço uma máxima que cada vez mais considero ser verdade: "não interessa que se fale bem ou mal, o que interessa é que se fale". Pelo menos é assim que hoje em dia uma grande maioria das pessoas rege a sua vida. Há umas semanas atrás lembro-me de ter assistido a uma reportagem televisiva sobre uma pobre coitada professora de uma terra do "enterior desquecido e ostracizado" que teve de se despir para uma revista masculina, de forma a ganhar mais uns trocos (cerca de 800 euros) para sobreviver, já que o ordenado que auferia nem chegava aos 500 euros mensais. Em consequência desse acto tinha sido impedida de continuar a dar aulas (bandidos!). Mais recentemente cruzei-me com uma outra referência a esta pobre professora, numa revista com menos nudez que a Playboy, onde a sua história era contada com mais detalhe. Parece que a dita professora sempre teve uma obsessão com a fama, que neste momento já atingiu. Actualmente, atende o telefone a dizer que "se querem que fale, paguem"! É mais uma "relações públicas" de bares e eventos sociais. Além disso tinha já sido concorrente de um reality show onde - por amor, claro - tentava conquistar um suposto ricaço que afinal não o era e... que não conhecia. Felizmente agora esta professora poderá sair da miséria em que vivia, e os seus papás até poderão deixar de ter de lhe pagar as recargas de silicone e os cerca de 300 euros mensais que gasta só em manicure todos os meses (imaginem o que alguém que ganhe mais do que o ordenado mínimo poderia gastar). Resumindo e considerando, palavras ditas, escritas (inclusivé por mim) e mal empregadas, aplicando outras palavras um pouco mais cruas, trata-se de apenas mais uma gaja boa que mostrou as mamas e não só para arranjar forma de viver o resto da vida sem fazer nada que se aproveite (acho que o facto de deixar de dar aulas não será propriamente relevante). Pessoalmente, posso dizer me estou a borrifar para estes puritanismos todos, que aplaudo todas as mulheres que tenham atributos suficientes para aparecer na Playboy, e que ainda assim esta em particular não me levou a comprar a revista...

sexta-feira, maio 14, 2010

Intolerância de Ponto

Por regra não sou "invejoso" no que diz respeito a gozo de feriados, férias e afins. Sou até da opinião que - apesar de gostar muito de ter um diazinho de descanso, e gozar todos aqueles a que tenho direito - temos feriados a mais para aquilo que produzimos, enquanto país. Bater mesmo no fundo é ter um dia como o de ontem (13/5/2010), que entre outras coisas me permite inferir o seguinte:

a. somos um país em que 90% da população faz parte da (dis)função pública
b. se a (dis)função pública não "funcionar", não há trânsito em Lisboa, o que permite aos restantes 10% funcionar muito melhor
c. só a (dis)função pública é católica, em Portugal, sendo o sector privado genericamente considerado pagão
d. apesar do catolicismo da (dis)função pública, a tolerância de ponto é apenas usada por 1% no momento de ir ver o Papa, esse carismático líder espiritual que parece retirado de um documentário sobre os nazis
e. no futuro, todas as vindas a Portugal de líderes religiosos (islamitas, judaicos, budistas, etc.) serão alvo de tolerância de ponto para a (dis)função pública
f. aqueles que por não serem parte integrante da (dis)função pública - sendo portanto pagãos - devem ser castigados com o seu "não funcionamento" (ex.: serviços, escolas, etc.)

Apetecia-me dizer que aguardo a vinda de Belzebu a Portugal, para também ter direito ao meu dia da tolerância. Inclusivamente seria um daqueles que aguardaria a sua passagem numa das artérias principais da cidade, com um cartaz a dizer algo como "Viva a Besta!" enquanto vestia uma camisola do Benfica com o número 666 nas costas. Mas infelizmente o demo já por cá anda há muito tempo... só que ainda poucos deram por ele!

Nota do autor: poderão perguntar-se sobre os vários "(dis)" que antecedem a palavra "função" no texto acima, pelo que segue a explicação: tal como a disfunção eréctil consiste na incapacidade recorrente ou constante de manter uma erecção permitindo a actividade sexual, a disfunção pública é a incapacidade recorrente ou constante de manter os serviços públicos permitindo assim qualquer actividade a nível nacional.

quinta-feira, maio 06, 2010

G'anda Novidade...

Foi esta semana notícia na revista Sábado, e consequentemente noutros canais noticiosos, o insólito caso do "furto" do deputado do PS Açores, Ricardo Rodrigues. A ocorrência teve lugar (agora até parecia um agente da autoridade...) na sequência de uma entrevista levada a cabo pela própria Sábado, no momento em que o senhor sentiu os calos apertados, e "irreflectidamente" levantou-se e... gamou os gravadores dos jornalistas. Azar dos azares, deixou ficar a filmagem do sucedido. Neste momento as duas partes andam à "batatada" nos tribunais, sendo que uns apresentaram queixa por furto, e o outro tentou uma providência cautelar para impedir a divulgação do vídeo. Acho isto tudo muito bonito, sim senhor, mas... onde raio está a novidade? Parece que é a primeira vez que vemos um político a gamar!!! Está bem que este senhor, como político, não tem grande nível... gamar gravadores é um bocado "chunga"! Só faltava apanhá-lo um dia destes na Praça de Espanha a vender autorádios! Por isso, exmo. sr. deputado, aprenda mas é exercer tráfico de influências, aprenda o que é a corrupção de alto nível, e vá mas é gamar o dinheiro de todos nós com'ós outros, pá!

terça-feira, maio 04, 2010

e-Paranóia

Existe hoje em dia uma fixação tão grande com o serviço de correio electrónico, que duvido até que grande parte das empresas sobrevivesse sem esta ferramenta de trabalho. Em última instância não sobreviveria à insanidade dos seus funcionários, caso se vissem despojados do seu maior entretém. Praticamente tudo é motivo para enviar um e-mail, tanto a nível de lazer como a nível profissional. Sendo que a chungaria, anedotas e pedidos para doadores de sangue e medula, perfazem o grande bolo da informação trocada por esta via, outros há que a utilizam para comunicar a nível profissional... muitas vezes mal. Vejo diariamente pessoas que estão a meia dúzia de metros umas das outras, trocarem informação entre si por e-mail. Ao que parece, o e-mail serve também como uma espécie de prova forense de que se fez ou mandou fazer algo. Em última instância é a forma de apurar responsabilidades ("ah e tal... mas eu enviei-te um e-mail..."). Eu próprio vivo diariamente com esta (triste) realidade. Veja-se precisamente o meu caso: estive recentemente em casa, de licença, por um período de 4 semanas. Apesar dos telefonemas frequentes, evitei recorrer ao acesso remoto para resolver aquilo que fosse. O resultado prático disto foi o que se vê na imagem: em apenas 20 dias úteis, recebi um total de 848 e-mails (sim, viram bem, OITOCENTOS E QUARENTA E OITO), e posso-vos dizer que nenhum deles tinha anedotas ou chungaria. Isto quer dizer que durante esses 20 dias úteis, mesmo com o célebre "out of office" activo, recebi uma média de 42 e-mails por dia! Há que encarar estas coisas com a importância que merecem, como tal, na maioria dos casos optei por apagar as mensagens, de acordo com este meu princípio fundamental: se for muito importante, ligam ou voltam a enviar e-mail...