Se há coisa que nunca fiz na vida foi julgar alguém pelo seu nível de literacia. Posso até dizer que algumas das pessoas mais inteligentes que conheço praticamente não sabem ler nem escrever. Ainda assim se há coisa que me faz confusão, é a malta que sistematicamente escreve com erros ortográficos. No meio profissional em que me situo, uma das principais ferramentas de trabalho é o bom do email. E estranhamente, o email de alguma forma potencia o analfabeto que há em nós, sendo extremamente mais fácil escrevermos com erros quando queremos enviar uma mensagem. Talvez pelo desejo de celeridade em escrever a missiva, ou por sentirmos que é um meio mais "familiar" ou "pessoal" de comunicar do que na realidade é. O que sei é que um dia não passa sem que receba umas "bardas" valentes na minha caixa de correio. Tudo isto ganha uma maior dimensão quando as ditas missivas são escritas em inglês. É aqui que se distingue o trigo do joio... é aqui que as pessoas honestas, sérias e inteligentes, assumem as dificuldades se as têm, e todas as outras tentam brilhar sem saber como. E é desta forma que rapaziada muitas vezes hierarquicamente acima da nossa posição nos brinda com as melhores pérolas que possamos imaginar, tais como:
Pérola 1: this is not "science rock" (alusivamente ao que deveria denominar-se por "rocket science", com o sentido de minimizar a importância do que se comenta)
Pérola 2: as I tall you before (em que se troca o significado de "como disse anteriormente" por algo semelhante a "como eu alto anteriormente")
Pérola 3: company confidencial (em que é clara a diversidade cultural, juntando em parte da assinatura automática de email uma referência clara à cultura britânica com "company", e outra à cultura portuguesa "confidencial" em vez de "confidential")
Pérola 4: we have already some actions on rolling (aqui o conceito de "ongoing" é reforçado por "on rolling", em que para além de indicar que algo se encontra a decorrer, mostra que vai sobre rodas)
Pérola 5: the codig is not good (em que se pretende referir a falta de qualidade do código, que obviamente em inglês se diz "codig")
Pérola 6: this will work in landscape and portland (sendo que neste caso há algo que vai funcionar bem em formato landscape/paisagem, mas também funcionará igualmente bem na bonita cidade de Portland)
Pérola 7: I am very preocupated (eu no lugar deste orador também ficaria muito "preocupated")
Vou continuar a fazer recolhas para o meu "best off" pessoal (ou será "best on"?)...
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terça-feira, janeiro 31, 2012
terça-feira, maio 04, 2010
e-Paranóia
Existe hoje em dia uma fixação tão grande com o serviço de correio electrónico, que duvido até que grande parte das empresas sobrevivesse sem esta ferramenta de trabalho. Em última instância não sobreviveria à insanidade dos seus funcionários, caso se vissem despojados do seu maior entretém. Praticamente tudo é motivo para enviar um e-mail, tanto a nível de lazer como a nível profissional. Sendo que a chungaria, anedotas e pedidos para doadores de sangue e medula, perfazem o grande bolo da informação trocada por esta via, outros há que a utilizam para comunicar a nível profissional... muitas vezes mal. Vejo diariamente pessoas que estão a meia dúzia de metros umas das outras, trocarem informação entre si por e-mail. Ao que parece, o e-mail serve também como uma espécie de prova forense de que se fez ou mandou fazer algo. Em última instância é a forma de apurar responsabilidades ("ah e tal... mas eu enviei-te um e-mail..."). Eu próprio vivo diariamente com esta (triste) realidade. Veja-se precisamente o meu caso: estive recentemente em casa, de licença, por um período de 4 semanas. Apesar dos telefonemas frequentes, evitei recorrer ao acesso remoto para resolver aquilo que fosse. O resultado prático disto foi o que se vê na imagem: em apenas 20 dias úteis, recebi um total de 848 e-mails (sim, viram bem, OITOCENTOS E QUARENTA E OITO), e posso-vos dizer que nenhum deles tinha anedotas ou chungaria. Isto quer dizer que durante esses 20 dias úteis, mesmo com o célebre "out of office" activo, recebi uma média de 42 e-mails por dia! Há que encarar estas coisas com a importância que merecem, como tal, na maioria dos casos optei por apagar as mensagens, de acordo com este meu princípio fundamental: se for muito importante, ligam ou voltam a enviar e-mail...
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