Três dias após o meu regresso, só penso no quanto me sentia bem na Índia. Se por um lado estou feliz por estar de volta, no seio da minha família e amigos, as dificuldades e problemas com que me deparava no meu dia-a-dia de trabalho em Pune eram situações práticas e - mal ou bem - resolúveis. Por cá, tudo está pior do que eu deixei. A insatisfação generalizada e a moral em baixo das pessoas com quem trabalho... a contínua falta de liderança, caminho, sentido e estratégia que cada vez se torna mais óbvia... a chefia baseada no grito e na falta de respeito... tudo parece agora ampliado e demasiado negativo para que possa ser minimamente tolerável (pelo menos por muito mais tempo). Sinto que a qualquer momento sou capaz de explodir e descarregar a acumulação da insatisfação e descontentamento que há em mim. Já pensei para comigo escrever uma carta a quem mais contribui para esta minha insatisfação. Algo pensado, com tempo, onde poderia expor e detalhar exactamente o que considero errado, e tentar até talvez (muito provavelmente em vão) sugerir caminhos alternativos. Depois, um dia, quando o descontentamento e instatisfação se tornarem de tal forma insuportáveis, daria a conhecer essa carta como um desabafo final antes de dar o derradeiro passo em direcção ao abismo. Seria certamente um sentimento, no mínimo, libertador. Mas por enquanto, e durante o tempo que a minha "mariquice" durar, por cá continuarei a aturar malucos, contando pelo meio com umas recargas de boa disposição dos amigos e colegas que apesar de tudo fazem o meu dia parecer menos difícil, e com a expectativa diária do regresso a casa para ver quem mais conta no meio disto tudo. Desculpem lá qualquer coisinha, mas hoje precisava mesmo de desabafar em qualquer lado... calhou ser aqui, e convosco (julgavam que era só ler coisas giras, não?). Abraço a todos!
