Recebi recentemente uma SMS proveniente de uma agência imobiliária, que dizia algo como "aproveite a crise para comprar imóveis muito mais baratos e ter uma prestação muito mais baixa". Pensei de imediato se o génio da publicidade que inventou esta campanha nunca teria ouvido dizer que é feio gozar com a desgraça alheia! Comecei logo a imaginar um vasto horizonte de possibilidades no que diz respeito a este tipo de publicidade (que correndo o risco de inventar um termo, apelidaria de "publicidade necrófaga"): "aproveite o endividamento nacional e compre jóias da família ao preço da uva mijona", ou "pneus semi-novos ao preço da chuva, recuperados de acidentes de viação mortais", ou "azulejos baratos, recuperados das derrocadas de prédios que ocorrerem durante as cheias". Piadas aparte, o que é um facto é que em tempos de crise muita gente enriquece, e hoje em dia parece que cada vez mais há espertos com esta noção. Pior: muitas das coisas que acontecem hoje em dia, que apelidamos de forma simplista como resultado da "crise", não passam de manobras desses espertos para ganhar dinheiro... muito dinheiro. Esta relação entra a ambição... perdão, ganância e a suposta "crise" é do tipo pescadinha de rabo na boca. Parece-me que é mais a ambição do que a crise, mas a crise é que nos vai afectar/afectando a todos. Oxalá esta imobiliária não venha a vender todo o seu património "muito mais barato" para amenizar um possível final menos feliz...
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segunda-feira, janeiro 26, 2009
Publicidade Necrófaga
Recebi recentemente uma SMS proveniente de uma agência imobiliária, que dizia algo como "aproveite a crise para comprar imóveis muito mais baratos e ter uma prestação muito mais baixa". Pensei de imediato se o génio da publicidade que inventou esta campanha nunca teria ouvido dizer que é feio gozar com a desgraça alheia! Comecei logo a imaginar um vasto horizonte de possibilidades no que diz respeito a este tipo de publicidade (que correndo o risco de inventar um termo, apelidaria de "publicidade necrófaga"): "aproveite o endividamento nacional e compre jóias da família ao preço da uva mijona", ou "pneus semi-novos ao preço da chuva, recuperados de acidentes de viação mortais", ou "azulejos baratos, recuperados das derrocadas de prédios que ocorrerem durante as cheias". Piadas aparte, o que é um facto é que em tempos de crise muita gente enriquece, e hoje em dia parece que cada vez mais há espertos com esta noção. Pior: muitas das coisas que acontecem hoje em dia, que apelidamos de forma simplista como resultado da "crise", não passam de manobras desses espertos para ganhar dinheiro... muito dinheiro. Esta relação entra a ambição... perdão, ganância e a suposta "crise" é do tipo pescadinha de rabo na boca. Parece-me que é mais a ambição do que a crise, mas a crise é que nos vai afectar/afectando a todos. Oxalá esta imobiliária não venha a vender todo o seu património "muito mais barato" para amenizar um possível final menos feliz...
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