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terça-feira, junho 25, 2019

Longa se Torna a Espera

As férias estão quase aí, e como cá por casa já há muito que não se viaja em família, para fora, era tempo de renovação de passaportes para quase todos... Há já uns meses que começou a preocupação, assim que me apercebi das notícias que reportavam longas filas em tudo quanto era lado, quer para obter passaporte, quer para obter cartão do cidadão. Pior um pouco quando ao tentar fazer o agendamento via site do IRN, as datas mais próximas que me apareciam, mesmo para locais fora da grande Lisboa, eram de setembro ou outubro deste ano... O tempo parecia cada vez mais curto para tratar do assunto, então aproveitei então o feriado do Santo António para ir com o mai' velho até aquela que julgava ser uma conservatória menos movimentada, nessa linda terra de Arruda dos Vinhos. Não poderia estar mais errado. Quando chego ao local, ainda 1 hora antes da abertura, já estavam cerca de 100 pessoas espalhadas ao longo da rua, à espera.


Como a esperança é a última a morrer, lá me aguentei para ver se me safava de qualquer forma, já que tinha "reservado" o dia para tratar disto. Por fim, às 9h, abriu. Lentamente as pessoas foram entrando e tirando as respetivas senhas para os seus afazeres. Escusado será dizer que quando finalmente consegui meter o pé dentro da conservatória, já não havia senhas disponíveis para ninguém. Resolvi ainda tentar outra conservatória de uma zona eventualmente com menos afluência, e então dirigi-me a Sobral de Monte Agraço. Cenário idêntico. Entretanto já eram quase 10h, pelo que seria escusado ir onde quer que fosse. Meti a viola no saco e voltei para casa.

Felizmente, entretanto já se resolveu o problema. Envolveu ir a uma zona do interior do país onde se tratou de tudo em pouco mais de 15 minutos, sem necessidade de apanhar seca em filas de espera sem fim à vista. Não consigo ainda assim perceber esta afluência em contínuo há já largos meses para este tipo de processos, nem a falta de capacidade de tratar dos mesmos. Pessoalmente e por aquilo que ouvi de experiências semelhantes à minha, e do que assisti na primeira pessoa, prefiro fazer uma viagem de centenas de kms para chegar, ser atendido e voltar a casa, do que ter de acampar de madrugada em frente a uma conservatória para fazer uma bodega de um documento que me obrigam a renovar a cada 5 anos, e pelo qual tenho de pagar uma exorbitância.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Remar, Remar...

Por mais que goste dos vários trabalhos que já tive e por onde passei, algo sempre me incomodou: o factor burocracia. Parece sempre que em qualquer local de trabalho, existem os que trabalham e os que atrapalham. Para algumas pessoas, simplificar é o mais natural, enquanto outras não conseguem passar 2 minutos sem ligar o "complicómetro". Basicamente e como diz o meu amigo PO, se pensarmos numa equipa de remadores, dá ideia que uns remam na direcção correcta e em sincronia, enquanto que outros remam na direcção oposta. Podiam apenas estar sossegadinhos para pelo menos não incomodar quem rema, mas não... remar ao contrário é mais forte que eles! Sinceramente, e continuando a analogia, só me apetece aviar esta rapaziada toda com um remo na cabeça! Infelizmente tal não é possível, e temos de aprender a coabitar com a malta da burocracia, da gordurinha extra, do complicómetro. E o mais triste é que muitos deles se sentem felizes quanto mais conseguem atrapalhar os outros, porque na cabeça destas pessoas, efectivamente nada é simples, e tudo carece de uma profunda (e de preferência prolongada) análise, daquelas que facilmente podem levar a que nada se faça e nada aconteça. Infelizmente hoje em dia o meu maior desafio diário em termos profissionais não é levar a cabo a tarefa A ou concluir com sucesso o projecto B, mas sim conseguir ultrapassar os obstáculos que os burocratas do trabalho inventam, tentando levar a bom porto alguma coisa daquilo que me proponho fazer. A diferença é que quando ultrapassamos um obstáculo real graças ao nosso esforço, sentimos uma grande realização profissional, enquanto que quando ultrapassamos um obstáculo burocrático dos que referi, para além de pensarmos que a seguir só poderá vir outro igual ou pior, sentimos apenas um vazio e uma grande frustração. E com este desabafo me fico.