segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Técnicas de Engate - Parte I

Atrevo-me a começar este post por um título que antecipa algo mais, porque são várias as vezes que apanho conversas de café/restaurante ao meu lado, que claramente são das mais puras técnicas de engate. Próximos episódios se adivinham, portanto. De qualquer forma ontem aconteceu-me precisamente isto. Um casalinho de "amigos", até já algo "entradotes" em termos de idade, com a mais pura conversa de engate. No entanto confesso que nem todas as técnicas a que assisto se coadunam com o que eu faria na mesma situação. Este era um desses casos em que claramente a técnica aplicada não seria uma boa aposta. Desta feita passava concretamente por (a senhora) descrever o seu antigo par ao mais íntimo pormenor, da forma mais escabrosa possível. A falta de nobreza do animal era inversamente proporcional à humildade da senhora e ao espírito de sacrifício com que se dedicou (supostamente) à relação. Como se o facto de alguém se deixar espezinhar, possa ser auguro de algo bom para outra relação a caminho. Basicamente é como se a senhora (que obviamente não pensava nisto por esta perspectiva) quisesse dar entender que pela sua capacidade sofredora e habilidade para ser maltratada fosse uma espécie de marketing a dizer "eu sou uma boa aposta para relações futuras". Provavelmente é... para gajos que gostem de arrear nas mulheres, por exemplo. Por seu lado o homem ia cumprindo a sua função, fazendo de bom ouvinte, provavelmente enquanto pensava quando é que estaria ultrapassada a fase do exorcismo para poderem passar à fase do galanteio, já independente de escárnio e maldizer de terceiros. Parece-me a mim que funciona melhor elogiar alguém do que denegrir outrém, mas isto é só a minha humilde opinião.

domingo, fevereiro 10, 2008

Encruzilhadas

Uma das coisas que gosto é de começar um dia sem o planear. É de sair de casa sem saber exactamente o que vai acontecer ou aquilo que vou fazer. Hoje foi um dia desses. Ou melhor, pensei em algo que acabei por desistir de fazer, e consequentemente... passei um dia ainda melhor. O fugir de uma multidão que nos espreita numa esquina, pode levar-nos a locais muito mais interessantes e igualmente mais esquecidos pela maioria das pessoas. Acho que a vida é isso mesmo, uma série de encruzilhadas que nos vão aparecendo pela frente, que nos podem levar a descobrir o melhor e o pior. Pobres daqueles que no entanto optam por não escolher nenhum dos caminhos e muitas vezes preferem voltar para trás. Vale mais "esbardalhar-me" contra um muro num beco sem saída, do que ficar por saber o que ali iria encontrar.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Ninguém se Faz

Uma das frases que sempre retive, daquelas que as nossas avós nos dizem quando somos pequenos, foi a para mim célebre "ninguém se faz". O contexto é o de que, quando se critica alguém pela sua aparência física, tal é incorrecto pois essa mesma aparência não terá sido escolhida pelo/a próprio/a (pudera!!!). De qualquer forma, julgo ser justo dizer que hoje em dia, a minha avó não poderia estar mais errada. Pelo facto de alguém nascer com um trombil de meter medo ao susto, ou de ter um rabo que parece um saco de levar pancada, actualmente tudo pode mudar. No entanto alguns casos existem em que, quem muda, até nem estava tão mal quanto isso. A esta altura já toda a gente sabe (pelo menos os gajos) que estou a falar da Luciana Abreu, ex-Floribela, actual Floriboazona. A menina andou durante os últimos tempos a fazer um "tuning" corporal e entre as várias mudanças colocou um par novo de airbags frontais, uma pintura nova à base de louro platinado e um tom dourado-solário na pele. O resultado obtido foi digno de reportagem fotográfica na FHM com forte probabilidade de aumento exponencial de vendas da actual edição. Até a Produções Fictícias já fez o seu trabalho de casa relativamente ao assunto! Eu pessoalmente devo dizer que quanto ao aspecto visual, "ah e tal, sim senhor". O que é esquisito é pensar naquele papel da coitadinha que sempre foi apanágio desta figura pública, e que agora claramente se perde para sempre. Com que lata é que uma jeitosa destas, pode pedir o que quer que seja às "fadinhas"? Com que legitimidade pode tentar sequer representar desgostos de amor quando ela própria deve levar resmas de gajos ao suicídio? Enfim, conforta-me pensar que atrás daquela produção toda, existe uma personalidade que pelo que consta não interessa a ninguém. Por isso ao primeiro "estou um pouco confusa" que escutasse, com aquele sotaque característico, o mais certo era desatar a fugir. Mas que esteticamente a coisa resultou... resultou, caraças!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

1001 Formas de Bater no Ceguinho

Saíu hoje no Público a notícia de que Sócrates, na sua fase "pré-governo-suposto-engenheiro-técnico", assinou projectos que alegadamente não seriam da sua autoria. Obviamente que este confirma que os projectos são efectivamente todos da sua autoria (provavelmente mentindo com quantos dentes tem na boca). Foi feita uma investigação (algum jornalista mais desocupado...) em que se verificou que a letra nos projectos assinados pelo PM era na realidade de um colega de curso, que por ser funcionário da autarquia não podia assinar os mesmos. E foi assim exposta uma situação... absolutamente curriqueira do nosso país. As chamadas "assinaturas de favor" são uma realidade e toda gente sabe disso. No entanto esta notícia surgiu como um grande escândalo, classificando a situação como uma fraude legal (sim, eu sei que é). A mim isto parece-me tudo muito bonito e ao mesmo tempo muito desinteressante, sendo que se o que se pretende é "bater no ceguinho" (sem qualquer tipo de simpatia para com o senhor em questão), consigo imaginar pelo menos uma dúzia de formas e de temas muito mais importantes para o fazer. Depois da treta do "engenheiro técnico", só faltava mesmo o capítulo da "assinatura de favor". Qual será o próximo escândalo: "Sócrates vê TV Cabo à borla"? Não sei o que raio se ensina na escola aos jornalistas deste país, mas certamente não os ensinam a escrever Notícias com "N" maiúsculo.

Geração dos Duros

Ouvi hoje na Comercial que foram retirados vários produtos que se encontravam à venda nas farmácias, para combate do célebre piolho. Quem não se lembra das infestações ocasionais que aconteciam na escolinha? Ah... a nostalgia desses momentos em que só de ver alguém com "bicho" dava vontade de coçar. O motivo para a retirada destes produtos do mercado baseia-se na composição dos mesmos, nomeadamente na inclusão de produtos eventualmente cancerígenos. Entre o rol dos medicamentos encontrava-se nada mais nada menos que o mítico... Quitoso ("... elimina-os totalmente"). Sinceramente, não consigo imaginar como foi possível para a minha geração e anteriores sobreviver até aos dias de hoje. Com tantas coisas potencialmente perigosas pelas quais passávamos, só posso chegar à conclusão que sou um sobrevivente... um dos fortes... um dos duros! Andei de carro sem cinto de segurança obrigatório, não tive "ovinhos" (nem outro tipo de parafernália que só cabe em monovolumes) para me fazer transportar, andei na rua sem o acompanhamento de adultos, brinquei com bombinhas de carnaval, tive brinquedos feitos de metal e alguns deles até - imaginem - sem selo de aprovação da UE (até porque não havia UE sequer para homologar o que quer que fosse). Mas o importante é que sobrevivi, e graças a isso não fiquei nenhuma florzinha de estufa. Se tiver um dia descendentes, espero não ser daqueles pais paranóicos que não deixam os filhos fazer nada com medo que lhes aconteça alguma coisa. Efectivamente o risco existe, mas também é um facto que muitas vezes existe onde menos se espera, e não em coisas ou situações mais óbvias. Mas esta é só a minha opinião.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Onde é Que Vou Deixar Isto?

Em pouco mais de duas semanas tive necessidade de vir em alguns dias de carro para o trabalho. Para quem não tem estacionamento reservado e trabalha em Lisboa, tal facto pode ser um problema. Lá tive de ir comprar "raspadinhas" da EMEL para me desenrascar. No entanto e apesar dos meus esforços, não consegui escapar à perseguição dos ex-feijões verde, agora feijões frade (alusão às cores dos uniformes do pessoal da EMEL). Num primeiro episódio, e no final de uma manhã inteira de estacionamento pago, por apenas um quarto de hora, ao chegar ao carro para deixar lá mais uns papelitos, encontrei uma das referidas abéculas a deixar-me o envelope da praxe. Provei-lhe que ía fazer novo pagamento mas de nada adiantou, respondendo: "agora já não precisa de pagar". Imaginei a cabeça do espécime a ser consecutivamente comprimida pela porta do meu carro... Como ainda não tinha "cadastro emeliano" a coisa ficou-se por 5 euros (o que sai mais barato que um dia de estacionamento). Num segundo episódio, no final de um dia inteiro de estacionamento pago, chego ao carro e o mesmo está bloqueado. Ao que parece a parte traseira da viatura estava numa zona de cargas e descargas, de nada valendo nestes casos o pagamento de parquímetro. Como vi uma carrinha com bloqueadores dirigi-me ao funcionário. O mesmo disse que não podia proceder ao desbloqueamento, porque ele só tratava dos veículos bloqueados por falta de pagamento. Para veículos bloqueados por infracção no estacionamento eram outros colegas (!!!). Poderia este país ser ainda mais burocrata? Lá foi feita a chamada e lá se desbloqueou o carro pela módica quantia de 30 euros. Espero sinceramente deixar de precisar de trazer o carro o mais rapidamente possível, porque senão estou tentado a comprar um singelo lugar de parqueamento em frente ao meu trabalho. Diz que é baratinho... custa apenas 20000 euros!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Ubuntu Para Humanos

Linux for humans, they say. A bit of bullshit, I answer. Quer dizer, na prática e apesar dos problemas em particular que enfrentei (e enfrento ainda) com a minha placa wireless, com a configuração de rede sem fios "picuínhas" e com mais umas quantas particularidades, confesso que estou fã. Já tinha visto e experimentado anteriormente, mas a necessidade levou-me finalmente a mudar de distros RedHat e seus derivados (Fedoras e afins) para o Ubuntu... e é mesmo muito bom! Para quem gosta de ter algumas "paneleirices" no desktop, também têm aqui uma boa solução. A diferença deste sistema operativo para plataformas Microsoft, é que aquilo que está por baixo também funciona bem. Quem me conhece profissionalmente sabe que não sou fundamentalista, por isso esta é uma opinião isenta. Recomendo este sistema operativo a quem quer que pretenda poupar uns trocos ou evitar pirataria, porque não é preciso ser nenhum crânio da informática (muito pelo contrário) para montar um sistema completamente funcional, de fácil actualização e com alguns extras bem giros (para quem gosta de MacOS X, aconselho experimentarem este também). E quem é que não gosta de ter um cubo 3D como desktop?

domingo, janeiro 27, 2008

Estado Sólido para Gasoso

Estado gasoso é a melhor forma que encontro para descrever o dinheiro que gastei nos últimos tempos. Evaporou-se completamente! O mote foi a transferência de crédito habitação de um banco para outro. Aquilo que à partida é dado como simples, fácil e económico por qualquer banco, revela-se uma dor de cabeça para o comum dos mortais (leia-se, neste caso, eu). Primeiro foram pequenos gastos (30 euros daqui, mais 30 euros dali) com pedidos de declarações e certidões, de e para conservatórias e afins. Depois foram as "despesas" e "cobranças" do banco de origem, como 150 euros por um papel que diz quanto devo, mais 120 euros pela comparência de um representante no dia da escritura ("mas olhe que nós somos dos bancos que cobram menos por estas despesas")... Depois foram mais de 200 euros para a solicitadora... Depois foram mais de 300 euros pela escritura... e no fim levei a machadada final com mais de 800 euros com despesas de transferência no banco de destino. Feitas as contas, gastei quase 2000 "biscas" enquanto o diabo esfrega um olho. O que quer dizer que neste momento, além de completamente falido, estou consciente de que só vou ver algum "retorno" neste "investimento" daqui a um ou dois anos de prestações. Quem estiver com a infeliz ideia de fazer o mesmo que eu, verifique bem naquilo em que se está a meter, porque em alguns dos casos que tenho visto, eu pessoalmente pensava duas vezes.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Acontece, Sem Grande Explicação

Durante a tarde de hoje, mais concretamente entre 15h30 e as 18h00, não houve multibanco para ninguém. Isto é o que se disse na comunicação social, porque a verdade é que não houve SIBS para ninguém, o que para quem percebe do que estou a falar, significa que não só não houve multibanco, como não houve homebanking nem outro tipo de acesso para ninguém (pelo menos em tempo real). Até aqui nada é novidade, até porque não foi a primeira nem será a última vez que esta entidade que funciona como "porta" para chegarmos ao nosso dinheiro, tem este tipo de problema. Não deixa no entanto de ser preocupante percebermos a vulnerabilidade e dependência que temos perante instituições para as quais somos apenas mais um número. Mas no meio disto tudo, o que ainda é mais assustador, é que alguém supostamente responsável e na posição de porta-voz da referida instituição, veio dizer a público que "foi uma pequena falha técnica, de âmbito nacional", que "às vezes acontece sem grande explicação". Não sei o que me deixa mais abismado: se a contradição entre o "pequena falha" e o "âmbito nacional", se a certeza e segurança com que se diz que o motivo de tal falha foi... "sem grande explicação". Com profissionais destes a tomar conta do nosso dinheiro vou dormir muito mais descansado. Ou será melhor voltar ao antigamente e começar a guardar umas notas debaixo do colchão? Tenho de pensar melhor nisto...

sábado, janeiro 19, 2008

Pequenas Coisas

Num daqueles momentos em que nos sentamos para apreciar o que está à nossa volta, nem que seja apenas o conforto de um sofá ou simplesmente o escutar de uma música que se gosta, conseguimos muitas vezes pensar e ver as coisas com mais clareza. Num desses momentos dei por mim a pensar no quanto as coisas pequenas da nossa vida ditam o resultado daquilo que os americanos gostam de chamar "big picture". Olhando para a minha "big picture", vejo como essas pequenas coisas deram origem a grandes acontecimentos. Vejo como uma opção profissional há cinco anos atrás me fez percorrer um caminho fundamental para a minha formação como pessoa. Vejo como próximo dessa mesma altura, pequenas coisas que não estavam bem levaram a um grande desgosto que me fez mudar (julgo que para melhor) emocionalmente. Vejo como logo a seguir aquilo que parecia uma brincadeira me fez cair de pára-quedas na vida de alguém para mim muito importante. Vejo como pequenas coisas que nos incomodam na rotina diária são motivadoras para nos fazer enveredar por caminhos diferentes, sem saber se a mudança é para melhor ou não. No fundo, a incerteza faz-nos bem... faz-nos não dar nada por garantido... faz-nos tentar ser melhores. Acho que no meio disto tudo, são estas reviravoltas que alimentam a necessidade de mudança inerente à condição humana. Resta-me sentir feliz pelo que fiz, pelo que faço, e pelo que desejo fazer. Nunca me arrependi de nada que tenha feito e espero que assim continue. Agradeço tudo o que tenho e possa vir a ter, e espero ser sempre parte dos pequenos pormenores dos grandes acontecimentos da vida de outros, porque andarmos por cá só para olhar para o nosso umbigo não vale mesmo nada a pena...