terça-feira, julho 10, 2007

Ah e Tal e o Camandro

Estava eu a emborcar um "ísque" ali no Aguarela, ontem à noite, quando li um papelinho que dizia isto:
"O Curso de Artes Performativas da ESTAL visa formar Actores Criadores capazes de, a partir de um ponto de vista especificamente teatral, dialogarem com as demais áreas de criação e produção artísticas intrínsecas às artes cénicas. Um actor que é ao mesmo tempo um artesão que domina os procedimentos e instrumentos técnicos inerentes ao seu ofício e que é também um criador que pensa a relação da arte com a sociedade a partir de conceitos éticos, filosóficos e estéticos. Artista que reflecte sobre a sua profissão e que se posiciona estrategicamente num ponto intermédio entre o resgate cultural e a transformação e intervenção na própria contemporaneidade."
E eu digo: Hã?

sexta-feira, julho 06, 2007

Educação a Sério

Hoje recebi um e-mail com as regras para a boa educação feminina, no tempo do Salazar. Depois de ler consegui de alguma forma perceber melhor (na realidade não...) porque é que a aventesma foi eleita o maior português de sempre... Aqui transcrevo algumas das regras de ouro:

[Jornal das Moças, 1957] Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas (também acho).
[Revista Cláudia, 1962] Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar o seu carinho e provas de afecto (ora aí está).
[Jornal das Moças, 1965] A desarrumação numa casa-de-banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa (é um risco).
[Jornal das Moças, 1959] A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos (sofá e PS2 parece-me bem).
[Jornal das Moças, 1957] Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa (caguei p'a esta).
[Revista Querida, 1954] Mesmo que um homem consiga divertir-se com a sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu (quê?).
[Revista Querida, 1953] O noivado longo é um perigo (para quem?).
[Jornal das Moças, 1957] É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido (preferencialmente bikini e saltos altos, ou qualquer coisa assim confortável).
[Revista Querida, 1955] O lugar da mulher é no lar. O trabalho fora de casa masculiniza (é melhor deixá-las senão sobra para os outros).

terça-feira, julho 03, 2007

Um Gajo à Maneira

Ah, o que eu ansiava por ver um filme a sério. Nada daquelas mariquices que fazem as mulheres chorar, mas sim uma coisa feita para homens de barba rija. Die Hard 4 (nem vou dizer o título em Português, porque sinceramente não vale a pena), ao contrário do que é habitual nas sequelas, não fica muito atrás dos seus antecessores. Consegui convencer a companhia feminina a "não" ver o Shrek Terceiro, e em vez disso tivemos direito a duas horas de cenas de porrada, explosões e afins. John McLane continua em grande forma, apesar da falta de cabelo. Antes de aviar um caramelo qualquer com um balázio, não leva mais que um ou dois murros no máximo (e é quando o apanham desprevenido). As cenas eram (minimamente) realistas, tirando um ou dois pormenores mais "arrojados", o que dá mais sabor a qualquer filme de acção que se preze e não queira parecer um filme de desenhos animados. Enfim, foi porreiro e fez-me relembrar nostalgicamente a primeira vez que vi o "Assalto ao Arranha-Céus". Recomendo que quem quiser ver um filme como deve ser, sem moer muito a cabeça (às vezes faz falta), dê uma espreitadela.

Homem Bomba M/F Precisa-se

Segundo o Diário Digital de hoje, no Reino Unido a polícia identificou dois médicos, um iraniano e um jordano, como suspeitos dos atentados falhados com viaturas armadilhadas em Londres. É engraçado que nos últimos tempos têm-se verificado uma perca de qualidade relativamente aos terroristas. Para já, se queriam a coisa bem feita era estarem lá na hora H, e carregar no botão. Nada dessas mariquices de colocar bombas num carro, ainda por cima mal feitas, que depois não explodem. Julgo que este decréscimo de qualidade está sobretudo relacionado com falta de formação de homens bomba. Parece que o facto dos homens-bomba-professores irem pelos ares sempre que querem demonstrar como se faz, tem a ver com isso: "Prestem bem atenção, que eu só explico como isto se faz uma vez... BOOOMM!!!". Há uns tempos foi feito um atentado em que um grupo de terroristas enviou uma criança armadilhada com explosivos, ter com um grupo de soldados norte-americanos para se detonar. O problema é que os explosivos não detonaram. Tinha sido interessante os soldados corrigirem a falha no sistema dos explosivos e depois enviarem de volta a criancinha. Já agora, como é que se alicia uma criancinha a enveredar pela carreira de homem... perdão... criança-bomba? A história das virgens à espera no céu, não se aplica: "Papá, papá! O que é uma virgem?". Parece-me que pelo andar da carruagem, qualquer dia temos aí uma cambada de mariquinhas-bomba.

segunda-feira, julho 02, 2007

Olha, Lá Vai o Forreta

Pois é... finalmente consegui utilizar o bendito vale de desconto de 5 euros, na compra de um CD/DVD/Vinil de valor superior a 14,50 euros, oferta não acumulável, entre os dias 21 de Junho a 1 de Julho de 2007, nas lojas FNAC. Estes são apenas alguns dos dados preciosos escritos em letra tamanho 0,5 no verso de um cupão verde, que andou na minha carteira aproximadamente durante um mês. Depois de um episódio aqui relatado anteriormente, em que na vã esperança de usufruir desta maravilhosa benesse, acabei por gastar 11,50 euros sem o conseguir fazer, fiquei tentado a ignorar que possuía este papel vindo do Inferno... Ainda assim o espírito de forreta que há em mim veio ao de cima, e lá me decidi, pouco antes de terminar o prazo, a utilizar o desconto. Tal como descrevi no episódio anterior, ficou-me gravado na retina o álbum "Mundo" do Rodrigo Leão. E pronto... lá me decidi a comprar o CD que tencionava adquirir inicialmente. Verifiquei primeiro que estava de acordo com os rígidos critérios de aplicação do vale de desconto, e dada a conformidade, avancei confiante para a fila da caixa. Finalmente despachei aquele papel amarfanhado que há tanto tempo transportava. Retirando os 5 euros de desconto, aos 16,50 do disco, paguei mais 11,50 (o mesmo preço que paguei pelo disco anterior, sem desconto). Contas feitas, a brincadeira da forretice ficou em 23 euros no total. O mais engraçado no meio disto tudo é que o CD é uma espécie de colectânea, cujas músicas, a bem dizer, eu já tinha (praticamente todas) nos outros CDs..

domingo, julho 01, 2007

Desapareceu em Alverca

A pedido da Tânia, coloco aqui alguma informação para que alguém a possa ajudar. Ela perdeu o seu companheiro canídeo Frederico, de 13 anos, que podem ver na fotografia, na última quinta-feira, dia 28. É um caniche preto, acabado de tosquiar, e tinha na altura uma coleira azul. Desapareceu na zona do mercado antigo de Alverca e apesar das várias tentativas da Tânia, ainda não o conseguiu encontrar. Agradece-se qualquer informação que alguém possa dar para ajudar a encontrar o Frederico. Podem fazê-lo neste mesmo blog ou no blog da Tânia, em http://qualquercena.blogspot.com. Obrigado desde já!

sexta-feira, junho 29, 2007

O Papel... Qual Papel?

Hoje fui matar saudades à loja do cidadão. Sim, escrevo cidadão com letra pequenina porque é isso que um cidadão que lá vá, é, ou pelo menos é assim que se sente. Objectivo do dia: cancelar a matrícula de um carro que já não possuo há mais de cinco anos, e que descobri agora ser ainda proprietário segundo informação das finanças. A novela começou há uns dias precisamente numa repartição de finanças, onde após retirar uma senha e aguardar pacientemente a minha vez para ser atendido, obtive uma resposta de 4 palavras como solução para o meu problema: "conservatória do registo automóvel", retorquiu a abécula virando de imediato as costas, após eu contar a minha história de contornos altamente elaborados. Lá saí eu cabisbaixo, mas determinado a resolver o problema. Hoje fui com um novo ânimo ao Registo Automóvel na Loja do Cidadão. Aí retirei a senha "A", relativa a registos automóveis, uma vez que era o que desejava tratar. Após aguardar a minha vez, fui atendido e contei novamente a história do carro. A senhora respondeu que para isso deveria mandar apreender o carro, e que para tal deveria retirar a senha B. Retirei a senha B, aguardei novamente o atendimento e contei novamente a história. A senhora disse que poderia tentar cancelar o registo, mas que ali só poderiam entregar um "parecer" que eu depois deveria levar à DGV. Subi um andar. Retirei a senha para compra de impressos na DGV, e aguardei pacientemente que as duas senhoras que estavam a entrar/sair de serviço colocassem a conversa em dia, até me atenderem. Consegui comprar um impresso, trocando umas escassas 2 ou 3 palavras com a aventesma, sem direito a um "boa tarde" sequer. Após a compra e respectivo preenchimento do impresso, retirei a outra senha do atendimento geral e aguardei pacientemente outra vez, enquanto era acotovelado por duzentas pessoas que por ali passavam, sem meio metro quadrado onde pudesse estar de pé. Passados 70 números, finalmente chegou a minha vez. Após contar a história toda novamente, a senhora pergunta-me se não tinha os documentos do carro (sempre pensei que fazia parte da venda, a entrega dos documentos...) ou se sabia o nome da sucata para onde tinha ido (o destino mais provável foi o abate). Como não sabia nenhum destes preciosos dados, tive de preencher um outro formulário onde justificava, implorando por amor de Deus, que me permitissem cancelar o maldito registo. No final pede-me fotocópia do BI e do contribuinte... que escusado será dizer, a aventesma anterior não me indicou ser necessário. Lá me recambiaram para o Atendimento Geral da Loja do Cidadão, para pagar 45 cêntimos por 2 fotocópias, após retirar senha e aguardar novamente (estava com algum receio que fosse necessário entregar cópia do BI, para pedir uma cópia do BI). Já na posse dos documentos, regressei à DGV, onde os entreguei. Perguntei se receberia alguma confirmação do cancelamento do registo. A resposta foi que "SE" o registo fosse cancelado, seria só daqui a uns 3 meses, e que teria eu de me informar porque ninguém me diria nada. Caso não fosse cancelado, teria de me dirigir à Conservatória do Registo Automóvel para perguntar: "porquê?". Posso garantir que nesse aspecto estou adiantado, e mesmo hoje já me pergunto: "Porquê? Meu Deus... Porquê?".

terça-feira, junho 26, 2007

História de Um Forreta

Para quem tem dúvidas relativamente ao título deste post, sim, o forreta sou eu. Passo a explicar. Passei ontem pela FNAC, porque tinha um vale de 5 euros para utilizar na compra de um CD ou DVD. Como algumas das minhas últimas aquisições foram os CDs Alma Mater e Cinema, do Rodrigo Leão, lembrei-me de comprar Mundo, o seu último trabalho. Quando agarrei no CD, que custava 16,50 euros, vi em simultâneo um outro trabalho mais antigo, de título Pasión, que ainda não tinha, e era substancialmente mais baratinho (só custava 11,50 euros). Fiz rapidamente contas de cabeça e pensei: "se comprar este, com o desconto, ainda fica a 6,50... é mesmo isto que vou fazer". E lá avancei eu decidido, deixando para trás o CD (duplo!!!) mais recente, mas com a certeza de que tinha feito uma boa compra na mesma, substancialmente mais económica. Chego à caixa para pagar, e saco do cartãozinho da FNAC, do meu vale de 5 euros mais 6,50 trocadinhos. O caramelo de colete verde às riscas olha para mim e diz: "o vale de desconto só é utilizável em CDs de valor superior a 14,50 euros". Parece que nas costas do papelinho vinham as "contra-indicações" do desconto, que eu obviamente não li. Resultado final, paguei 11,50 euros, tal como pagaria se tivesse comprado o CD mais recente onde podia ter aplicado o vale de desconto...

Zé Manel Berardo

Alguns dos acontecimentos que vão tendo lugar na actualidade, por vezes despertam-me a atenção por obedecerem a padrões observáveis cuja origem é para mim desconhecida. Uma destas situações prende-se com a notoriedade exagerada que tem tido nos últimos tempos um senhor de nome José Manuel Berardo (Joe para os inimigos). Para além de toda a especulação financeira que resolveu provocar em torno das acções da SAD do Benfica, para além de insultar publicamente figuras que são alvo da simpatia popular (só porque segundo ele tem um "background" da África do Sul), retomou uma polémica há algum tempo abandonada no que concerne a sua colecção de arte privada (que teima em expor no CCB). Na sequência deste "voltar às armas", noticiam os diários de hoje que, para além de exigir a demissão de Mega Ferreira do Conselho de Fundadores da Fundação Berardo, exige também a sua demissão da presidência do CCB, dizendo que "ele não é dono do CCB". Se eu fosse o Mega Ferreira, provavelmente a minha resposta a estas declarações seria "ele também não", mas isto sou só eu. E já agora, para alguém que teima com tanta insistência em dizer barbaridades em público, talvez não fosse má ideia aprender a falar português, já que é a sua nacionalidade. A título de exemplo: em entrevista, referindo-se a Mega Ferreira, disse que "se ele não estiver contente com o lugar dele, que arranje outro lugar". Ora sobre esta "piquena" frase, importa referir que para já o "ele" poderia educadamente ser substituído pelo nome do senhor. Depois, usar o "ele" e o "dele" na mesma frase, não dá grande sonoridade à coisa. Por último, utilizar "lugar" duas vezes no meio de tão poucas palavras, também não revela grandes conhecimentos linguísticos. Mas enfim, são coisas que o "background" da África do Sul faz às pessoas... ou não.

sexta-feira, junho 22, 2007

Apta Para Exercício de Funções

Era uma vez uma professora de 63 anos, com leucemia. Esta professora, tal como todas as pessoas, precisava de dinheiro para sobreviver, mas não conseguia trabalhar em virtude da sua doença. Este não foi o parecer da junta médica da Caixa Geral de Aposentações, que considerou a senhora "apta para o exercício de funções", em oposição ao parecer da junta médica da Direcção Regional de Educação do Centro. Durante 31 dias esta professora deu aulas com vómitos, diarreia, febre e náuseas constantes.

Era uma vez um senhor chamado Alberto Martins. Este senhor ocupava o cargo de "líder parlamentar" de um partido chamado PS. A história da professora doente foi analisada por este senhor, e foi alvo de um discurso que dizia entre outras coisas que "temos de ver se se justifica legislar sobre esta matéria", e que "vamos ver o que se passa".

Era uma vez um processo segundo o qual acabou por ser concedida a aposentação a Manuela Estanqueiro, professora com 33 anos de serviço, a sofrer de leucemia, uma semana antes de morrer no hospital.
Alguém tem outro nome que não "Filhos de Uma Grande Puta" a todos os intervenientes no processo de tornar os últimos dias da vida de alguém num verdadeiro inferno? Alguém tem dúvidas relativamente ao facto de Portugal (ainda que por outros motivos) ser condenado pelo tribunal europeu por violação dos direitos humanos?