quinta-feira, junho 21, 2007

Estudo Sobre o Estudo

Nos últimos tempos, de forma bastante irritante, insistente e enervante, temos sido bombardeados pela comunicação social com notícias sobre estudos referentes a um novo aeroporto. Alguns destes estudos apontam que a OTA é o caminho certo. Outros apontam Alcochete como o local mais indicado. Outros apontam como a solução mais viável manter o actual aeroporto e construir um segundo algures. Outros ainda afirmam que o mais correcto é não fazer nada. Eu, na qualidade de quem já realizou estudos e análises comparativas ainda que sobre outras matérias, tenho uma coisa a dizer sobre o conceito de "estudo". Normalmente ninguém toma a iniciativa para o fazer, vinda do nada. Existe sempre um elemento motivador. Esse elemento motivador, quer seja de quem realiza o estudo, ou de quem o patrocina é, será sempre e em que circunstâncias for, um factor determinante para o resultado do mesmo. O próprio facto de se realizar um estudo sobre o local A ou B, acaba por limitar esse estudo a uma resposta condicionada (entre A ou B) quando na realidade a melhor resposta poderia ser C (ou será que existe sequer uma resposta certa?). Portanto, qualquer estudo que seja apresentado será sempre falacioso, por não ser isento nem ter condições para o ser. Desta forma, agradecia que deixassem de nos bombardear com os montes de areia que nos atiram para os olhos. Já percebemos que independentemente das diversas opiniões existentes e das diversas justificações que possam ser apresentadas, a escolha já foi feita há muito tempo. Já percebemos que, a mudar essa mesma escolha, será apenas por algum factor económico que surja do nada, benéfico para alguém que não eu ou qualquer outro contribuinte. Já percebemos que existem muitas empresas de estudos com amigos de amigos de amigos que precisam de ganhar milhões para dizer o que lhes pagam para dizer. Passem à frente, "faxavor"... Neste caso particular, prefiro que sejam menos "estudiosos".

segunda-feira, junho 18, 2007

O Homem do Bosque

Graças a uns bilhete de borla, à borlix, daqueles mesmo grátis, ganhos pelo meu Pai, a noite de ontem, véspera de dia de trabalho, foi preenchida por uma sessão de cinema no velhinho King. Como hoje em dia vou poucas vezes a cinemas "não-franchisados" do género Lusomundo, sempre que o faço o filme tem um sabor diferente. Já para não falar que a possibilidade de ter um grupo de putos parvos à nossa frente a atirar pipocas e às gargalhadas é muito mais reduzida... Para além disso a "onda" da película de ontem era já um pouco alternativa, como tal a expectativa existia. Conhecia pouco mais do que o título da obra original de D.H. Lawrence, mas o resultado final desta adaptação foi muito bom. Uma história e uma realização diferentes do que estamos habituados, para nos lembrar que nem tudo tem de ser igual ou obedecer a critérios fixos para ser bom ou pelo menos despertar o interesse. "Lady Chatterley" são três horas de filme com ritmos completamente diferentes desde que começa até que acaba, onde os ingredientes principais são a paixão carnal e o erotismo, inseridos da sociedade dos anos 20. Segundo me foi dito também, o próprio livro esteve durante muitos anos proibido quando foi editado originalmente, o que claramente é daquele tipo de publicidade que não se paga (pelo menos na altura). Enfim, para quem tiver a mente aberta e estiver disposto a ver um "não-blockbuster" durante 3 horas sem intervalo, recomendo.

quinta-feira, junho 14, 2007

Justiça Cremosa

Eu tentei, mas sinceramente não consigo não escrever sobre isto. Desde ontem quando ouvi esta notícia no telejornal, até hoje de manhã no programa do Pedro Ribeiro na comercial, os factos de contornos obscuros que contornam esta notícia, não deixam de me espantar. Estamos sempre a ouvir histórias destas, mas de tão inacreditáveis que são acabam por ficar registadas na nossa memória como uma espécie de mito urbano. O caso que agora relato: uma senhora de 76 anos que, em 1999 se não estou em erro, foi acusada formalmente pelo ministério público, pelo crime de roubar um creme facial no LIDL. Decorridos 8 anos de processo judicial, eis senão quando o próprio ministério público, através de um advogado oficioso nomeado para a senhora, pede a absolvição. Parece que afinal segundo o vídeo de segurança do estabelecimento, e talvez pelo facto de a senhora ter um talão que comprova a compra do produto, com a respectiva data e hora, tem algo a ver com isso. Agora, caros leitores, maravilhem-se com o preço deste fantástico produto: 3,99 Eur. Portanto, andamos (portugueses) a pagar um processo judicial com uma carrada de anos em cima por 3,99 Eur. É caso para tal qual Zézé Camarinha dizer: "put'a'cream, baby!"

quarta-feira, junho 13, 2007

Pito Dourado

Sim, "Pito" e não "Apito". Para quem não sabe, pito dourado é o que as prostitutas e alternadeiras do norte do país devem ter. Em primeiro lugar, porque uma delas (escolham vocês a categoria das acima mencionadas) consegue deitar abaixo o Al Capone do futebol português com a escrita de um caderno diário publicado como livro, facto inédito até ontem em Portugal. Em segundo porque até os árbitros de futebol querem dar uma dentadinha na "fruta para dormir". Amigos, se é para dormir tomem um frasco inteiro de comprimidos e deitem-se, que causa menos estrago. O mais engraçado é que tudo isto é o menos anormal de toda esta situação. Mais anormal que isso é o Ministério Público andar a toque de caixa da escrita de uma alternadeira, no que concerne os processos que abre/reabre em termos de investigação. Mais anormal que isso é decidir-se fazer um filme sobre um livro (que confesso ainda não ter lido, nem ter planos para tal) que é já antecipado pela crítica como o trabalho cinematográfico nacional que mais público reunirá. Até já estão escolhidos os actores e tudo! Nicolau Breyner como Pinto da Costa, Margarida Vila-Qualquer-Coisa (nunca me lembro do raio do apelido da moça) como Carolina Salgado entre outros. Será que a Margarida mostra o pito no filme? Enfim... mesmo que mostre, certamente não será dourado!

sexta-feira, junho 08, 2007

Histórias de um Provecto Ancião

Cristiano Ronaldo arranjou quem lhe escrevesse uma biografia. Segundo o Diário de Notícias, parece que a coisa se chama "Momentos", e foi traduzida para inglês com o título "Moments, The Way I Feel". A minha primeira dúvida existêncial quanto a esta notícia foi: "o que será que alguém com aproximadamente 20 anos de vida tem para contar, que justifique escrever um livro?". Por outro lado talvez ele esteja a pensar fazer a coisa em episódios ou séries para facilitar a leitura. Ainda não tive oportunidade de ver a obra, mas acho que vou esperar para quando daqui a uns anos editarem a "série completa", em vez de comprar às meias dúzias de páginas. A primeira provavelmente tem o seguinte texto: "era uma vez eu... nasci... comecei a jogar à bola... estou cheio de guita... papei a Merche... tenho uma irmã que não sabe cantar mas insiste...". Gosto muito de ver o Cristiano Ronaldo jogar, mas esta da biografia é caso para dizer: "não havia necessidade". Aguardam-se desenvolvimentos da história nos próximos fascículos.

quarta-feira, junho 06, 2007

Pequenas Diferenças

Na minha ronda matinal pelos jornais diários li o título de duas notícias na mesma página, daqueles que fazem click no nosso cérebro. Uma dizia "Governo Vai Estudar Iniciativas para Internet nas Empresas". Outra dizia "China: Utilizadores de Banda Larga São Quase 100 Milhões". Se relacionarmos estas duas notícias podemos dizer que enquanto portugal anda a pensar na possibilidade de as empresas terem acesso à Internet de forma mais generalizada, na China onde supostamente a malta só tem (ou tinha) dinheiro para comer arroz, já existem 100 milhões com acesso. Espectacular. Ainda na mesma página, outra notícia referia que "Governo Apresenta Programa de Computadores de Baixo Custo", o que ao contrário do que o vago título indica, quer dizer que formandos do programa Novas Oportunidades, alunos (que serão divididos em escalões) e alguns organismos terão no futuro (próximo ou não) computadores e acesso à Internet a um preço desconhecido até ao momento, através de um acordo firmado com a Microsoft e os operadores nacionais de comunicações móveis (tudo malta pouco interessada em ganhar dinheiro). A minha questão é: com estes "patrocinadores" e com o nível de incerteza quanto ao prazo e condições do referido programa, vai ser apresentado hoje porquê? Epá... lembrei-me agora que com este tipo de comentário ainda posso ser "reconduzido" do cargo que ocupo, à imagem e semelhança do pessoal da DREN. Tenho de ver se o meu cargo também pode ser classificado como "de confiança política". É verdade, já alguém se lembrou de um nome para quem impõe estas medidas de coacção em nome do estado? Qualquer coisa tipo NPIDE (Nova PIDE)...

segunda-feira, maio 28, 2007

Por Motivos Profissionais...

... não me apetece trabalhar. Mas ao fim de duas semanas de férias, lá teve que ser. Fica para trás um dia único partilhado com "A" pessoa, e as pessoas que são realmente importantes. Ficam para trás dias únicos em que o "sol" desapareceu do meu BI. Fica para trás uma semana de sol e calor nas terras quentes da península do Iucatão, que apesar de algumas pequenas atribulações vai deixar bastantes saudades. Ficam para trás as margueritas, as piña coladas, os daiquiris na praia. Ficam para trás os Mayas, o "snorkel", as pirâmides, os cenotes, os pesos, o "portunhol"... Em compensação a tudo o que ficou para trás, nasceu uma nova forma de estar na vida na qual deposito grandes esperanças, pela qual não fazia sentido esperar mais. A verdade é que graças a isto tudo, realmente não me apetece trabalhar... mas lá terá que ser. E assim retorno também à minha escrita, que de acordo com as notícias mais actuais do país certamente não terá falta de temas.

quarta-feira, maio 09, 2007

Como Será...

Está quase... Os minutos passam sem nos apercebermos e as horas são fugazes. Não se sente nenhuma espécie de fogo de artifício interior nos dias que antecedem o momento, mas adquire-se uma forte percepção da realidade enquanto esta vai parecendo menos distante. A pegunta que se coloca frequentemente é: o que muda? Provavelmente nada, e ao mesmo tempo tudo. Enquanto que numa perspectiva mais desprendida se pode considerar o cumprimento de uma formalidade, por outro lado é revelar perante tudo e todos os que são importantes uma parte de nós e daquilo que somos. Concordo com a frase "o primeiro dia do resto da minha vida" para descrever o momento, ainda que sem nunca se aproximar da plenitude do seu significado. O "minha vida" passa a ser substituído por "nossas vidas" e tudo o resto leva o mesmo caminho. O bom disto é que nos faz pensar no assunto, no significado e nas vantagens de mostrarmos ter a certeza de que, no que depende de nós, nunca mais estaremos sós. No que depende de nós, estamos prontos a dar sem nada querer reeceber. No que depende de nós, estamos aptos a passar a ser pessoas melhores. Espero que isto aconteça comigo. Espero estar à altura das espectativas de quem embarca nesta aventura e neste desafio comigo. E os minutos que teimam em não deixar de passar à velocidade da luz? Está quase...

terça-feira, maio 08, 2007

Jonathan Seagull

Em mais um daqueles momentos que, durante o tempo em contra-relógio que tenho vivido, resolvi reservar para mim (ainda que a custo de me deitar às tantas da manhã), resolvi ver um filme (cortesia do meu tio e amigo "Silverwolf") de que tinha já ouvido falar muito desde criança e cuja história em contornos gerais já conhecia. O filme de 1973 é uma adaptação de um livro, e o título original é "Jonathan Livingston Seagull" (em português mais conhecido por "Fernão Capelo Gaivota"). Terminei o filme a pensar que não devem existir duas pessoas no mundo a interpretar esta história da mesma forma, ainda que certamente alguma interpretação tenham feito, em algum ponto se tenham identificado com o "protagonista", e no final se tenham transformado numa pessoa melhor. Resumidamente é uma lição de vida centrada precisamente em saber viver. A banda sonora, de Neil Diamond, enquadrada com o filme também é qualquer coisa de espectacular, e a fotografia é simplesmente impressionante, mesmo para os dias de hoje. Se o filme tivesse sido feito actualmente, certamente não seria tão bom em todos estes sentidos. Recomendo vivamente a quem ainda não conhece, que veja. Eu pessoalmente vou partir para a leitura do livro assim que possível.

sexta-feira, maio 04, 2007

Cabeça a Prémio

Fiquei recentemente a saber que, aqui há algum tempo atrás, alguém contemplou seriamente a hipótese de como tradicionalmente se costuma dizer, me "mandar desta para melhor". Não consigo até hoje perceber muito bem o porquê, e não sei exactamente se a pessoa em questão tencionava fazer a coisa sozinho (acho difícil), ou se estava a pensar em algo mais elaborado como um "hitman" ou coisa do género, mas devo dizer que fiquei bastante enaltecido com esta ideia. Achei espectacular alguém dar-me tanta importância a ponto de considerar esta hipótese como uma possibilidade, e eventualmente pagar a alguém para a levar a cabo! Estou habituado apenas a ver este tipo de coisas nos filmes, talvez num episódio especial do CSI, mas nunca pensei que poderia ser um dos protagonistas de uma situação semelhante. Até estou a imaginar um "sniper" num prédio vizinho à espera que eu chegasse a casa depois de um dia de trabalho, ou até mesmo alguém estacionado num local estratégico à espera de encenar um atropelamento e fuga... não me canso de dizer: espectacular! Aconselho vivamente o caro leitor a escolher alguém de quem não goste muito, e esgotar-lhe a paciência até ao limite. Quem sabe não tem a mesma sorte que eu e ganha um inimigo daqueles que nutrem por si um ódio de morte, na verdadeira acepção da palavra!? Eu pessoalmente, se voltar a ver a pessoa em questão e a oportunidade surgir, não hesitarei em reacender o fogo desta chama que se apagou...