Quanto à alusão ao Cristiano Ronaldo do PM, as críticas assumiram alarvidades como defender que o atleta não podia ser dado como exemplo, uma vez que este defende regimes ditatoriais (alusão à sua recente viagem aos Estados Unidos numa comitiva da Arábia Saudita). No caso do ministro da educação, a afirmação foi de imediato vista como altamente discriminatória e até racista, insinuando que eram os utentes que deteriorava os serviços em questão. Independentemente de o conteúdo real poder ele próprio ser naturalmente alvo de críticas (os guerreiros do teclado e os especialistas de coisas não discriminam), em nenhum dos casos houve o cuidado de uma leitura mais direta, simples e contextualizada das palavras de quem as proferiu, nomeadamente um incentivo e motivação ao alto rendimento (ao estilo de atletas de alta competição como o é o CR7) ou uma autocrítica ao modelo de gestão do SNS que privilegia pouco o investimento em serviços públicos usados por classes mais baixas.
Não faço esta leitura por ser particularmente admirador ou defensor do primeiro-ministro ou do ministro da educação. Na realidade dá-me igual serem estes ou outros os intervenientes, servem apenas como um exemplo de um sintoma, que revela que a sociedade dos dias de hoje prefere o negativo ao positivo, a crítica destrutiva à construtiva, a antipatia à empatia, o ódio ao amor. E é por isso que, de algum forma, estamos todos condenados enquanto não descobrirmos uma forma de evoluir enquanto sociedade. Porque o caminho que estamos a seguir, não nos leva a bom porto.

3 comentários:
E o mais grave, não fora também uma questão de oportunismo político, é que muitas das vozes que se fizeram ouvir e que poderiam ter uma atitude pedagógica, foram de responsáveis por partidos políticos, (sempre à coca...) esquecendo-se eles dos seus telhados de vidro e que também as suas palavras (noutras ocasiões) estão sujeitas ao escrutínio dos seus pares, dos jornalistas, do povo em geral.
Por outro lado, a leitura das "gordas" decorre de a população em geral ter vindo a perder hábitos de leitura, privilegiando os resumos ou mesmo a imagem. Também quem escreve por vezes é tão maçudo que retira todo o prazer da leitura, ainda que seja de uma notícia.
Só um reparo: Não foi o ministro da saúde, que é uma ministra, mas sim o ministro da educação quem falou das residências para estudantes...
Obrigado pela correção. Estava com o cérebro em "piloto automático" por causa do tema ser o SNS e troquei o pelouro do Nando...
Com simpatia, ou sem simpatia, pelo primeiro ministro, achei extraordinário ele voltar a mencionar o Cristiano Ronaldo na mensagem de Ano Novo. O que quer dizer que se está borrifando para os comentários dos jornaleiros de meia tijela, deste país. Bato palmas.
Beijinhos filho
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