Começou com:
“Bem-vindos a bordo deste voo, com duração prevista de 10 horas, rumo às Bahamas…”
Recordo que se tratava de um voo “low cost” de curta duração com destino ao país de “nuestros hermanos”. Durante o voo, continuou a dar largas à imaginação:
“Estamos sensivelmente a meio do nosso voo, pelo que vamos dar início ao serviço de jantar, que hoje conta com dois pratos principais: lagosta e cordeiro assado no forno…”
Mais perto do fim, concluiu:
“Senhores passageiros, vamos iniciar a descida. Se durante a vossa estadia decidirem degustar uma paelha acompanhada de ‘una cerveza’, estarei à vossa disposição. Aproveito para referir que, para aqueles que necessitarem de viatura de aluguer, no nosso site podem encontrar Ferraris a 1 euro por dia.”
Ao longo da viagem presenteou-nos com várias deixas do mesmo género, estas são apenas alguns exemplos. E fê-lo sempre traduzindo em 3 idiomas, no tom formal habitual destas comunicações, o que só tornou a situação ainda mais caricata. Isto fez-me lembrar a velha expressão que diz que “se a vida te dá limões, faz uma limonada”. De facto, nem sempre as situações com que lidamos diariamente, tanto em contexto profissional como pessoal, correspondem às expectativas que geramos quando acordamos, sobre o dia que temos pela frente. Ainda assim, não somos meros expectadores passivos daquilo que nos acontece. Temos uma palavra a dizer sobre a forma como lidamos com aquilo que nos acontece, e isso faz toda a diferença. Pessoalmente, fiquei a desejar ser capaz de fazer limonadas como a que este senhor fez perante uma situação menos positiva.
